A ONU declarou 2013 como o Ano Internacional da Cooperação pela Água. Um dos recursos mais importantes do Planeta enfrenta hoje desafios críticos. E as próximas décadas serão decisivas para a sua conservação
POR ANTÓNIO PIRES DOS SANTOS

No relatório “Riscos Globais 2013”, do Fórum Económico Mundial, que identifica e quantifica riscos para a segurança global, os especialistas consideram uma possível crise de abastecimento de água como um dos maiores riscos do mundo. Em termos de probabilidade, a disponibilidade de água (ou falta dela) está classificada como o quarto maior risco para a segurança global, mas ocupa o segundo lugar se nos referirmos ao impacto que provocará nas nossas sociedades.

Todos conhecemos os resultados nefastos das alterações climáticas. Um pouco por todo o mundo, sucedem-se inundações e secas inimagináveis ​​no passado. Ainda recentemente assistimos em Portugal a fenómenos atmosféricos nunca antes presenciados.

A migração das populações para as grandes metrópoles coloca muita pressão no abastecimento de água; o crescimento populacional e o desenvolvimento industrial e agrícola são responsáveis pelo aumento dos níveis de poluição e pela exaustão de rios, albufeiras e oceanos, tornando a água não contaminada mais difícil de encontrar. De facto, estima-se que, em 2025, dois terços do nosso Planeta enfrente algum tipo de escassez de água.

A questão da água está na ordem do dia e é de tal forma importante que a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2013 como o “Ano Internacional da Cooperação pela Água”. A ONU diz que o objectivo é sensibilizar os órgãos de gestão e os governos de todo o mundo no sentido de uma maior cooperação, mas também incentivar os cidadãos a uma melhor utilização deste recurso natural.

A cooperação internacional é fundamental para que, através da diplomacia e de programas de educação para o consumo e para a gestão da água, se atinjam progressos importantes. É por isso que governos, cidades, serviços públicos e empresas têm hoje um papel fundamental na elaboração de abordagens mais inteligentes para a conservação deste recurso tão cobiçado.

Os governos devem fazer uso da sua autoridade e exposição mediática para iniciar o diálogo entre os diferentes actores, e, também, do seu peso regulamentar para impulsionar políticas de gestão inteligente da água.

Por outro lado, os governos das cidades podem lançar as bases para um sistema inteligente de gestão, permitindo, por exemplo, a partilha de informação entre várias agências, como empresas de abastecimento de água, entidades locais de gestão de emergências (inundações, por exemplo) e outras agências ambientais.

Mais: as empresas de utilities podem economizar água e dinheiro simplesmente por analisarem todos os dados que têm à disposição. A chave para o conseguirem passa por identificarem maneiras inovadoras de extrair valor da informação já reunida. Um centro de operações integrado, por exemplo, pode ser utilizado para ver, perceber, prever e actuar com base na integração, interpretação e análise de dados. O próximo passo é preencher as lacunas existentes de modo a obter uma visão completa das infra-estruturas das cidades, usando, por exemplo, sensores e tecnologias que permitam fazer um mapeamento e gestão inteligente da rede.

Em suma, os desafios lançados pela gestão mais eficiente das reservas de água estão a crescer, mas a resolução dos mesmos será tão mais rápida quanto mais cedo se proceder à adopção e integração da tecnologia no ciclo de vida deste recurso, conduzindo a uma necessária transformação. No entanto, a tecnologia de nada valerá sem a vontade dos seres humanos em cooperar e em entender que somente juntos é possível minimizar este problema mundial.

António Pires Dos Santos

Director de Desenvolvimento de Negócio para a IBM Espanha, Portugal, Grécia e Israel