Decerto que ninguém se esquecerá da forma abrupta e totalmente inesperada do encerramento do país – e das nossas vidas – quando, em Março de 2020, Portugal decretaria o primeiro estado de emergência por causa do surgimento de uma ameaça invisível, com contornos desconhecidos, proveniente de terras longínquas e que em muito se assemelhava a um mero argumento de ficção. Um ano depois, e expostos a realidades jamais experimentadas, o que mudou em nós mesmos, nas nossas relações com os outros, nos planos que tínhamos para o futuro, na forma como encaramos a vida e a morte, nas nossas próprias estruturas mentais? Que dores escondemos? Com que cicatrizes ficaremos? Voltaremos a ser o que fomos? Até que ponto este fenómeno anómalo nos mudará para sempre?
POR HELENA OLIVEIRA

Há um ano, exactamente a 18 de Março, Portugal decretaria aquele que seria o primeiro de vários estados de emergência no país devido à pandemia causada pelo então totalmente desconhecido novo coronavírus. E parece acertado afirmar que nenhum de nós poderia imaginar o que se seguiria nos 12 meses seguintes e muito menos prever o quão disruptivo acabaria por ser este fenómeno em praticamente todos os domínios da nossa vida, no particular, e em toda a sociedade, no geral. Para a esmagadora maioria das pessoas, a pandemia traduziu-se numa espécie de evento sísmico, absolutamente transformador, que abalou todas as estruturas que dávamos como certas e obrigou a espécie humana a fazer aquilo que, provavelmente, sabe fazer melhor: adaptar-se a novas e por demais incertas circunstâncias, mas com custos que não podem ainda ser eficazmente avaliados ou compreendidos.

Um ano depois e com o país a preparar-se para uma “reabertura progressiva” da sua actividade, continuam a ser mais as perguntas do que as respostas, enrodilhados que estamos na expectativa de que “isto vai correr bem” e no medo de que um passo em frente possa traduzir-se, e como já aconteceu, em novos passos atrás.

No meio de toda esta aparentemente inesgotável ambiguidade, e claramente marcada por um “antes” e um “depois” nas nossas cronologias individuais, surgem novas interrogações: como estamos a ser afectados por esta “vida em pandemia”? Quem somos hoje? Quem seremos amanhã? Até que ponto este fenómeno anómalo nos mudará para sempre?

Apesar de não existirem ainda respostas claras, especialistas de várias áreas têm tentado fazer o retrato possível do quão exigente, cognitiva e psicologicamente, a vida em pandemia tem sido para muitos de nós e que possíveis cicatrizes ou feridas abertas poderá a mesma deixar como legado no nosso futuro cada vez mais incerto. E pelo menos uma coisa é certa: estamos perante um evento global potencialmente traumático e ninguém sairá incólume do mesmo. O VER tentou reunir um conjunto de opiniões que exploram esta teia de potenciais “efeitos secundários” originários do vírus que mudou a nossa vida, a sociedade e o mundo tal como o conhecíamos.

Os custos de se perder o presente e o que imaginámos para o futuro

Há muito que os seres humanos compreendem a natureza psicologicamente destrutiva das pandemias. No século II d.C., quando uma praga – provavelmente de varíola – matava milhares de pessoas por dia em Roma, o imperador Marco Aurélio observava que “a corrupção da mente é uma praga muito pior do que qualquer miasma e viciação do ar que respiramos à nossa volta”. E, como escreve o sociólogo da Universidade de Yale, Nicholas Christakis, no seu livro de 2020 Apollo’s Arrow: The Profound and Enduring Impact of Coronavirus on the Way We Live, “ as epidemias mortais geram sempre epidemias paralelas de natureza psicológica ou existencial – menos tangíveis mas igualmente virulentas”. A probabilidade da crise na saúde mental – e sobre a qual o VER já escreveu – vir a transformar-se numa potencial nova pandemia tem vindo a constituir matéria de consenso entre os muitos observadores e estudiosos que têm estado atentos aos efeitos mais “imediatos” (e com significativas probabilidades de virem a ser prolongados no tempo) provocados pelo aparecimento do vírus letal.

Sendo normal que esta “pandemia-sombra” não afecte toda a gente de igual forma, existe, contudo, uma espécie de fio que liga as variadas respostas emocionais à mesma e que se consubstancia numa experiência partilhada de perda, mesmo que esta não seja, e obviamente, de igual magnitude para todos nós: seja a perda de entes queridos, de meios de subsistência, de experiências de vida marcantes (como um casamento, o nascimento de uma criança, a entrada para a universidade ou para um novo emprego, etc.) ou, mais precisamente, a perda de potenciais futuros que tínhamos imaginado para nós próprios e que passaram a estar suspensos por tempo indeterminado. E todas estas perdas têm um enorme reflexo na forma como nos posicionamos face a esta nova realidade, com custos psicológicos aos quais é difícil escapar.

Adrian James, presidente do Royal College of Psychiatrists, em Londres, afirma que esta pandemia representa “o maior golpe na saúde mental desde a Segunda Guerra Mundial”, e é apenas mais um entre muitos a fazer um paralelismo entre os traumas deixados pelo conflito militar mais mortal da história e aqueles que esta guerra contra um inimigo invisível irá, indubitavelmente, originar. Esta associação entre “pandemia e guerra” é igualmente bem representada num artigo publicado pela revista The Atlantic, no qual a médica Amitha Kalaichandran escreveu que a sua mãe, sobrevivente da guerra civil no Sri Lanka, identificou “duas formas únicas de luto que todos aqueles tocados por uma guerra compreendem”: o luto associado à perda de vidas humanas e aquele que é associado a uma perda de uma vida como outrora a conhecíamos”.

Assim, não admira que sejam muitos os especialistas a tentar analisar o que éramos “antes” da pandemia e o que viremos a ser “depois” da mesma, tendo em conta o fenómeno de uma espécie de perda de identidade e a subsequente necessidade que existe de a reencontramos num novo “recomeçar”.

Mas um problema adicional reside no facto de não termos ainda luz verde para este “recomeço” e de nos estarmos a afastar, cada vez mais, do desejável “regresso à normalidade” que, e durante a primeira fase da crise pandémica, parecia ser ainda possível. Se o termo “novo normal” é já utilizado indiscriminadamente para nos referirmos ao “durante e pós-crise”, parecem não restar dúvidas de que o “velho” jamais será recuperado. “As pessoas ainda falam sobre o regresso à normalidade, mas não creio que isso irá acontecer”, escreve Frank Snowden, historiador na Universidade de Yale e há 40 anos a estudar as pandemias e as suas consequências sociais. Para o autor do livro Epidemics and Society: From the Black Death to the Present, e ele próprio vítima da Covid-19 na Primavera passada, o surgimento deste surto não poderá nunca ser encarado como um evento fortuito. Como escreve “todas as pandemias afectam as sociedades através das vulnerabilidades específicas que as pessoas criaram através das suas relações com o meio ambiente, com outras espécies e entre si mesmas”, sendo que esta e com as suas características próprias – similar à Peste Negra que assolou a Europa, Ásia e África no século XIV e que matou cerca de 50 milhões de pessoas – “afectará com toda a certeza a saúde mental de muita gente”, assegura.

Aoife O’Donovan, professora associada de psiquiatria no UCSF Weill Institute for Neurosciences na Califórnia, e especialista em eventos traumáticos, concorda, afirmando que o pior mesmo é sermos obrigados a lidar com demasiadas camadas de incerteza. “Coisas verdadeiramente horríveis aconteceram e acontecerão a outros e não sabemos quando, nem a quem, nem como, o que é algo significativamente exigente em termos cognitivos e fisiológicos”, diz. Como explica, o impacto é sentido em todo o corpo, pois quando nos apercebemos de uma ameaça, abstracta ou real, é imediatamente activada uma resposta biológica ao stress, que “acciona” o sistema imunitário e tem igualmente alterações na função do cérebro, “tornando as pessoas mais sensíveis às ameaças e menos sensíveis às recompensas”, acrescenta.

Se numa situação de stress/agressão de relativamente curta duração, as hormonas do stress (cortisol e outras) têm um efeito protector, quando esta ameaça eminente, mas temporária, é substituída por outra potencialmente perigosa mas, em particular, mantida ao longo do tempo,  estas [hormonas] não só não serão úteis, como se podem até tornar perigosas a longo prazo, porque vão potenciar o aparecimento de muitas formas de doença em vários órgãos, que colocam o próprio organismo sob ameaça. Assim, e apesar de considerar que esta resposta do corpo à incerteza ou a uma ameaça possa ser considerada “bela”, no que respeita à capacidade de se mobilizar para afastar o perigo, a neurocientista revela estar preocupada com o facto de a mesma ser “inadequada face a ameaças frequentes e prolongadas”.

Como clarifica, “esta activação crónica pode ser prejudicial a longo prazo, acelerando o envelhecimento biológico e aumentando o risco de doenças ao mesmo associadas”. Assim, e com a pandemia a prolongar-se muito mais tempo do que aquele que poderíamos ter imaginado, e sem uma data de fim à vista, os seus efeitos na saúde psicológica (e física) poderão alterar para sempre não só quem somos, mas também a vida que imaginámos vir a ter. E lidar com esta disrupção não será, de todo, tarefa fácil.

A “dança da rejeição” e a demonização do toque social

Um outro impacto provocado pela pandemia – e que poderá ter efeitos psicológicos nefastos em muitos segmentos populacionais é – e como também tem vindo a ser continuamente referido – o isolamento. Normalmente, e em tempos de dificuldades, o nosso instinto é procurar conforto na proximidade física. Ora, e obrigados que estamos a mantermo-nos afastados até dos que mais amamos, não só estamos sujeitos às consequências nefastas do isolamento – são vários os estudos que afirmam que a solidão é tão prejudicial para a saúde como fumar 15 cigarros por dia – como ao sentimento profundamente triste da não-pertença.

Na vida quotidiana, a incerteza tem-se manifestado mediante variadas formas e, por mais insignificantes que estas pudessem parecer, vemo-nos obrigados a reorientarmo-nos numa crise pautada pela ausência de pontos de referência habituais, seja o trabalho, a escola, a família, os amigos, em conjunto com as rotinas e rituais que ajudam a conferir sentido ao que entendemos como “vida”.

Para a psicoterapeuta Phillipa Perry, as simples tarefas de encontrar um lugar numa esplanada ou num autocarro, ou de estar numa fila para encomendarmos o nosso café – as quais denomina como as “velhas danças sociais” – não só desapareceram, como levaram consigo o sentimento de pertença de que tanto necessitamos. Neste momento, e como defende, estamos perante “danças de rejeição”, também elas com efeitos perniciosos na forma como nos encaramos a nós próprios e aos outros. Quando dá o exemplo de se “estar numa fila”, Perry afirma que, mesmo sem darmos por isso, estamos numa espécie de “actividade de grupo” mesmo que não conheçamos os outros que nos acompanham. Pelo contrário, as filas em tempo de pandemia não são orgânicas, obedecendo a regras de distanciamento, o mesmo acontecendo com o carteiro que nos entrega uma encomenda e que costumamos cumprimentar ou com o vizinho que, no “antes”, partilhava connosco o elevador. Todos estes comportamentos banais, que deixaram de existir, “não trazem qualquer consolo, antes um sentimento de rejeição” acompanhado pelo medo do contágio, o qual poderá prevalecer mesmo depois de a pandemia estar controlada e ter consequências negativas nas nossas interacções sociais futuras.

A palavra contágio – com origem no latim e formada por “com” e “tocar” – é talvez a que mais terror invoque na actualidade, o que explica igualmente o facto de o toque social ser naturalmente demonizado numa pandemia. Mas também a sua ausência tem custos agravados na nossa saúde mental. Os neurocientistas Francis McGlone e Merle Fairhurst estudam as fibras nervosas chamadas aferentes C-tácteis, que se concentram em locais de difícil acesso, como as costas e os ombros, sendo estas responsáveis pela ligação do toque social a um complexo sistema de recompensa. Assim, e quando somos acariciados, tocados, abraçados ou mesmo quando simplesmente damos um forte aperto de mão, a oxitocina [popularmente conhecida como a hormona do amor] é libertada, baixando o ritmo cardíaco e inibindo a produção de cortisona, o que constituem “requisitos muito subtis para nos manter num plano equilibrado”. Os dois neurocientistas estão actualmente a analisar os dados recolhidos num inquérito alargado sobre o toque e os impactos emocionais negativos que advêm da sua ausência, comprovando que a perda do poder de ligação proporcionada pelo tacto desencadeia factores que podem contribuir significativamente para a depressão, nomeadamente níveis agravados de tristeza, níveis reduzidos de energia, letargia, entre outros. Esta outra consequência das medidas impostas para travar o contágio pandémico está em linha com o alerta que a psicoterapeuta Phillipa Perry faz quando afirma que estamos a correr o risco de nos tornarmos “não-pessoas” numa sociedade que, crescentemente, parece estar a ficar “desumanizada”.

Por seu turno e para o historiador Frank Snowden, nenhum elemento da Covid-19 desumanizou mais as pessoas do que a forma como esta nos levou a olhar e a sentir a morte. Para além do facto de as pessoas vítimas do vírus se transformarem em unidades individuais perdidas num número longo e terrivelmente crescente, antes de se tornarem estatísticas, são igualmente votadas a um isolamento impiedoso, que não só as despersonaliza por completo, como afecta igualmente as suas respectivas famílias e os amigos. E ninguém sabe ainda que tipo de impacto esta “não-despedida” poderá ter nos que perderam os seus entes queridos, não os podendo acompanhar, tocar ou falar nos últimos momentos das suas vidas.

John Drury, professor na Universidade de Sussex e especialista em “psicologia das multidões” acrescenta ainda que, aliado a esta despersonalização, poderá vir a existir igualmente um sentimento mais elevado de individualismo – “sentirmo-nos mais como um individuo e menos como uma pessoa” – alertando igualmente para a possibilidade de que o medo do Covid-19 possa sobreviver ao pior da própria doença. Ou seja, será necessário, para muitas pessoas, reaprenderem a comportarem-se numa multidão, o que poderá levar tempo e causar distúrbios psicológicos que se poderão agravar e até se perpetuarem. Como afirma, o que se seguirá à pandemia dependerá de quão seguras as pessoas se sentem. E durante todo este tempo, quanto mais “inflamação sistémica” as pessoas tiverem, e porque a sua resposta biológica aos factores de stress é activada, mais sensíveis serão às ameaças sociais percepcionadas.

Poderá a pandemia transformar-se num trauma colectivo?

Nas análises que estão a ser feitas sobre as consequências da pandemia, o conceito de “trauma” ou “trauma colectivo” não tem tido um lugar de grande referência, sendo que estas têm-se centrado particularmente em problemas como a depressão, a ansiedade, a solidão e o stress e o sofrimento psicológico que deles poderá advir. Todavia, e para alguns investigadores, a possibilidade de estarmos perante um fenómeno de trauma massificado não pode ser posta de lado.

O trauma pode ser entendido como uma ruptura no “significado”, afirma David Trickey, psicólogo e representante do Trauma Council no Reino Unido. Quando “a forma como se vê a si próprio, a forma como vê o mundo, e a forma como vê outras pessoas” são fortemente abaladas e/ou derrubadas por um determinado acontecimento, surgindo uma lacuna entre os seus “sistemas de orientação” e esse mesmo evento – “o stress ‘simples’ transforma-se numa cascata – o trauma – o qual é geralmente mediado por sentimentos sustentados e severos de impotência”, diz. Esta acumulação de stress força o sistema nervoso a um estado de alerta elevado. Por seu turno, e como consequência, “a resiliência mental, o óleo que ‘agita’ a nossa máquina cognitiva e que nos mantém em ´movimento sob stress`, acaba por esgotar-se”, acrescenta ainda o psicólogo. E quando não existe nada para preencher essa lacuna – nenhum elemento externo que defina e avalie o seu valor, nenhuma outra razão para continuar, nada para explicar o porquê, o quê, e o como de cada dia – em particular durante um período alargado no tempo, a desmotivação e o desalento podem instalar-se perigosamente.

No seu nível mais simples, um trauma de massas (também conhecido como “trauma colectivo”) ocorre quando o mesmo evento, ou série de eventos, traumatiza um grande número de pessoas ao longo de um mesmo período de tempo. Assim e o que pode tornar o trauma do Covid-19 verdadeiramente “massivo”, é o seu impacto em segmentos alargados da população, sendo que, para muitos, a perspectiva de apanhar uma doença mortalmente invisível, por muito irrealizável que seja, é óbvia e intrinsecamente assustadora. Adicionalmente, o mundo que nos rodeia e que aparentemente não mudou aos nossos olhos – os amigos, a família, os vizinhos, os locais que sempre conhecemos – foi redesenhado como um espaço repleto de perigos, ao mesmo tempo que os fundamentos que sustentavam a nossa visão da realidade – as próprias coisas para as quais nos viraríamos quando sob pressão de ameaças mais tangíveis – parecem ter sido destruídos. Todos estes factores contribuem para a tal perda de significado e para uma desorientação em caminhos que deixaram de ter uma bússola tranquilizadora.

Pior ainda é o facto de uma das formas de reduzir os traumas colectivos ser, e de acordo com os especialistas, através de reuniões comunitárias ou de redes sociais de apoio, as quais permitem a partilha de experiências e medos e que ajudam na recuperação. Ora e como sabemos, no caso da Covi-19, o encontro com outras pessoas é precisamente o que espalha o vírus, o que transforma o possível “tratamento” num beco actualmente sem saída.

Adicionalmente, quando as mentes de milhares (no caso do Covid-19, possivelmente dezenas de milhões) de pessoas em todo o mundo sofrem traumas de rápida sucessão, tal coloca uma enorme pressão sobre as infra-estruturas de saúde mental, com efeitos igualmente preocupantes nas crises socioeconómicas que normalmente se seguem a um choque sistémico.

Como explica Metin Bsoglu, fundador da área de estudos sobre o trauma no King’s College de Londres, os efeitos dos traumas de massas são mais do que psicológicos, na medida em que se disseminam e provocam um impacto mais amplo na sociedade. “Quando um grande número de pessoas está traumatizado, as suas relações com os outros alteram-se, a sua ligação a sistemas sociais mais vastos rompe-se, a sua função como cidadãos é minada, o que acaba por ter efeitos sociais, económicos e políticos”, diz. Bsogulu cita um estudo feito com sobreviventes de um trauma massificado na China, o qual constatou que a sua participação política diminuiu permanentemente. Por outro lado, este tipo de perturbação de massas pode mesmo criar um desejo colectivo por líderes fortes, acelerando o autoritarismo e fomentando as condições necessárias para o surgimento de políticas mais ditatoriais e prepotentes.

Para muitos especialistas, a Covid-19 pode transformar-se num trauma colectivo com consequências nefastas e sem paralelo na história. As nossas extensões sociais mais complexas, em conjunto com os fundamentos de construção das nossas realidades pessoais, têm sido abalados de forma indelével. As formas como vivemos, trabalhamos e socializamos em conjunto, a maneira como nos vemos a nós e aos outros, tudo parece ter um significado diferente nesta era pandémica e com efeitos potencialmente traumáticos.

Mas todas as pandemias acabam por terminar e esta não seguirá um caminho diferente. Todavia, o que o futuro nos reserva e a forma como sairemos deste terramoto mental é apenas mais uma incógnita entre as muitas com as quais temos vindo a (con)viver.