De um lado ensina-se código a adultos sem qualquer formação na área. Do outro, usa-se a tecnologia para explorar a criatividade e melhorar o desempenho escolar das crianças. “Com a educação muda-se uma comunidade”, é este o mote da <Academia de Código_> e da ubbu, duas empresas ligadas não só pelos objetivos, mas pela vontade de mudar o mundo através da tecnologia
POR JOÃO MAGALHÃES

Tudo começou em 2014 com a criação da <Academia de Código_>, com o objetivo de encontrar uma solução para dois problemas: a falta, no mercado mundial, de cerca de cinco milhões de programadores, e o crescente problema do desemprego jovem, especialmente em Portugal.

A startup de impacto social especializa-se assim em bootcamps: cursos intensivos e imersivos de 14 semanas que prometem transformar qualquer pessoa num programador informático júnior, pronto para o mercado de trabalho, independentemente da sua formação ou condições financeiras. O método de ensino está assente nas artes lógicas da programação e do pensamento algorítmico, com aulas para quem nunca programou, com exercícios individuais e em grupo, garantindo um apoio personalizado. São ensinadas as atuais técnicas de produção de software, num ambiente de criatividade e disrupção, altamente estimulante e descontraído.

Os <Master Coders> (professores) da <Academia de Código_> são maioritariamente antigos <Code Cadets> (alunos), que juntam às suas destacadas competências técnicas, uma boa capacidade de comunicar, de lidar com grupos e de querer ajudar, aportando, com a sua própria experiência, uma importante mais-valia pedagógica. No fim de cada bootcamp, a <Academia de Código> aciona a sua equipa de Placement, para acelerar a colocação profissional de cada <Code Cadet>, sabendo à partida o perfil que as empresas procuram, e quais os candidatos que melhor cumprem essas mesmas necessidades.

Em cinco anos de atividade foram realizados 62 bootcamps, formados mais de 1.000 programadores, uma grande parte já empregados em empresas parceiras que registam um ordenado médio de primeiro trabalho acima de 1.100 euros. Fazendo jus à promessa “No Money No Problem”, a <Academia de Código_> desenvolveu ferramentas e parcerias que permitem encontrar soluções de pagamento ajustadas a cada candidato, democratizando o acesso à formação para maiores de 18 anos, numa área onde há escassez de profissionais.

Paralelamente surge a <Academia de Código_Júnior>, agora ubbu, como solução para resolver os problemas mencionados anteriormente na sua origem, ao ensinar crianças dos 6 aos 12 anos a programar. Tudo através de uma plataforma online, que visa responder aos problemas sociais da exclusão digital, do insucesso e abandono escolar e do desemprego jovem, através da capacitação dos professores e do ensino de Ciência da Computação e da Programação nas escolas públicas dos 1.º e 2.º ciclos do ensino básico.

Tudo começa com um projeto piloto, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, mas rapidamente passa a integrar o currículo de algumas escolas portuguesas. O âmbito da ubbu foi crescendo, com o apoio de algumas instituições como a Microsoft, a jp.ik e a European Tech Alliance, e hoje está presente em cerca de 400 agrupamentos no país, o que representa mais de 100 mil alunos registados na plataforma e que através da mesma já resolveram quase 10 milhões de atividades.

Para explicar este sucesso, a ubbu foca-se em novos métodos de aprendizagem, através da capacitação dos professores e a disponibilização de conteúdos para ensino da programação, atacando as causas do desinteresse pela escola e insucesso escolar. Promove, acima de tudo, a literacia digital e contribui para o desenvolvimento nos alunos de competências essenciais para o mercado de trabalho como são o raciocínio lógico e a capacidade de resolução de problemas.

Os alunos aprendem conceitos de programação como algoritmos, condições, eventos, variáveis e funções através de vídeos animados, jogos, exercícios, quizes e projetos de programação por blocos em que contam histórias, desenham e constroem labirintos. Para além destes temas diretamente relacionados com a Programação, as aulas incluem temáticas das áreas STEAM (Ciência, Tecnologia, Engenharia, Artes e Matemática) e ainda conteúdos baseados nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, que abordam questões de cidadania e sustentabilidade e como a tecnologia pode ter um papel importante na sua resolução.

Através da <Academia de Código> e da ubbu é fácil perceber como a tecnologia pode trabalhar a favor do presente e das gerações vindouras. Ambas as empresas são exemplos de como a criatividade e a colaboração entre setores podem exponenciar soluções para os sérios problemas que o país, e o mundo, enfrentam.

NOTA: A foto que ilustra este artigo diz respeito ao Prémio Financial Times em Bruxelas no ano de 2019, atribuído a João Magalhães e Domingos Guimarães, co-fundadores da <Academia de Código_>


A ubbu é uma plataforma de ensino de programação desenvolvida para crianças do primeiro e do segundo ciclo, dos 6 aos 12 anos de idade. O projeto nasceu integrado na Academia do Código, o qual tem como missão requalificar desempregados através do ensino da programação

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