Perante a nova configuração do trabalho que a 4ª Revolução Industrial está a impor, importa atentar na “gestão do risco próprio” pela qual os novos ‘trabalhadores independentes’ têm de se responsabilizar. Na perspectiva de Fátima Carioca, Dean da AESE, a sociedade do futuro “é uma sociedade sem rede social”, que exige uma “liberdade intrínseca que fará a diferença na realização de cada um”. Também sem rede, assistimos a “uma certa extinção da classe média, ou seja, da cola entre as desigualdades”
POR GABRIELA COSTA

Fátima Carioca foi a oradora convidada do último almoço-debate do ciclo de actividades 2017/2018 da ACEGE – Associação Cristã de Empresários e Gestores, que se realizou a 28 de Junho, em Lisboa.

Levantando um conjunto de “questões para pensar nas férias”, a Dean da AESE Business School centrou-se numa intervenção dedicada à temática “O Trabalho e o futuro em diálogo”, tomando como ponto de partida a revisitação de alguns temas que, “como o próprio Papa Francisco diz, devemos retomar de vez em quando com atenção e seriedade”. Enriquecendo-os “de acordo com os novos contextos, temáticas e maneiras de organização, quer das instituições quer dos relacionamentos entre as pessoas”. Em causa estão, por exemplo, “o valor de cada criatura, o sentido humano da ecologia ou a responsabilidade da política internacional”, esclarece.

Depois dos avanços industriais da energia a vapor, da massificação das linhas de assemblagem através da electricidade e da automatização das linhas de produção com a computorização, a 4ª Revolução Industrial “é principalmente tecnológica”, e traz de novo “a fusão de tecnologias físicas, biológicas e digitais”, o que provoca diferenças visíveis a três níveis: velocidade, escala e profundidade do impacto. Como explica Fátima Carioca, “a velocidade a que se sucedem as inovações deixou de ser linear para passar a ser exponencial” (e, com isso, os números desaparecem e rapidamente chegamos aos milhões); a nível de escala, a realidade é que “não há indústria que não tenha sido atingida e equacionada com esta revolução”, e “não há país ou geografia que não veja quer desafios quer oportunidades nestas novas revoluções”. Já no que diz respeito ao impacto, esta 4ª revolução interage em profundidade “com disciplinas que, embora sejam novas, como a Gestão (que provêm de meados do século passado) são afectadas por este novo tipo de organizações. E quem diz gestão diz organização da produção, sistemas de produção ou sistemas políticos e de governance”, explicita Fátima Carioca.

Os riscos éticos da revolução digital

Para a Dean da AESE, neste contexto, e quando se olha para o futuro, “há um conjunto de temas e de desafios que se nos colocam”, desde os que se relacionam com as questões que a evolução da própria tecnologia coloca, até aos que se prendem com as questões “que têm a ver com a possibilidade de uma nova organização, seja em termos de negócios, de trabalho, de sociedade ou de relacionamento humano”.

O primeiro é a automatização, “que deixou rapidamente de ser aquilo que antigamente pensávamos: que as funções que nós fazíamos passavam a ser feitas por outros, através de uma tecnologia de substituição. Hoje há cada vez mais tarefas que deixam de ser feitas por nós e passam a ser feitas pelos robots e por isso há cada vez mais robots”, diz.

[quote_center]Há empresas que estão a fazer um mapa de riscos, para depois determinarem qual é a linha sobre a qual querem automatizar[/quote_center]

Quanto à dimensão da perspectiva de um mundo do trabalho dominado por robots, Fátima Carioca defende que os números – que não traz para a conferência por preferir apresentar os conceitos –, que “são crescentes, muito elevados e atiram sempre para 2020, estão sempre a evoluir e ninguém tem a certeza onde vão parar”.

Nesta evolução, e no âmbito da melhoria de um processo, substituem-se tarefas que eram feitas por pessoas “para se utilizar a própria tecnologia e a sua evolução para nos assistir, ajudar e aumentar o conhecimento – daí passarmos de um conceito de tecnologia de substituição para um conceito de tecnologia assistencial ou aumentativa”. Esta realidade traz novos desafios, em duas áreas: os riscos associados às tecnologias que estamos a substituir; e a confiança excessiva nas tecnologias (“confiamos tanto nelas que acabam por nos substituir”).

Um exemplo desta nova realidade, mas também dos riscos que ela comporta, são os robots que, nos EUA, “ajudam os juízes a tomarem as suas decisões”, o que permite que “em vez de 50 ou 100 processos, um advogado ou uma equipa vejam milhares numa só noite”. E que desta forma conseguem descobrir padrões, explica Carioca. O problema é que “estes padrões, em si, acabam por estar enviesados por quem tratou desses mesmos processos na altura, e por isso tudo o que vem do robot também estará enviesado”. Portanto, “caberá ao juiz perceber os padrões do enviesamento e tomar a sua própria decisão”, conclui.

Ainda a nível dos “riscos éticos em que queremos ou não incorrer”, os carros sem condutor são outro exemplo flagrante dos limites aos quais se pode (ou se deve) ceder: “se tiverem como probabilidade matar uma pessoa”, esse risco não será suficientemente importante para nem sequer os testarmos?“Um mau diagnóstico feito por um robot, por uma bateria de análises, é passível de ser adequado? Ou não? Conseguimos lidar com isso? Ou não?”, questiona a oradora.

Como sublinha, “há empresas que estão a fazer um mapa de riscos”, fazendo um levantamento de “quais são, por um lado, e qual é a probabilidade de ocorrerem, por outro”, para depois determinarem qual é a linha sobre a qual querem automatizar e decidirem até que ponto, conscientemente, vale a pena avançar nos mesmos.

Mais além da automatização está aquilo a que chamamos Inteligência Artificial (AI, na sigla em inglês), “ou não tão artificial quanto isso”, pois “já não percebemos que inteligência é”, constata a Dean da AESE: “sabemos que ela está a evoluir, de forma exponencial, e devemos questionar se aquele ponto em que os humanóides vão ultrapassar a inteligência humana é interessante de equacionarmos de futuro”. Porque uma das correntes “é exactamente que eles vão permitir redefinir o que é o ser humano – as últimas tendências apontam para nós deixarmos de ser mortais, porque o corpo é descartável e quando não gostarmos do que somos arranjamos um novo corpo. O que se passa aqui é novamente uma questão ética sobre o que é o ser humano – é espírito, é alma, é corpo ou é o conjunto dele todo? Posso dizer que num outro corpo continuo a ser eu? De quem é a propriedade do meu DNA?”

[quote_center]Ainda há muitos países emergentes que não conseguem aceder a um conjunto de bens e serviços[/quote_center]

Estas são, tipicamente, as questões éticas que se colocam a curto prazo, diante das (imprevisíveis) consequências da 4ª Revolução Industrial, conclui Fátima Carioca. E por isso é que a questão sobre o que define a humanidade “é algo que será mais interessante debater nos próximos anos e na qual todos temos de nos envolver, sob pena de andarmos atrás de algumas correntes sem nos equacionarmos, afinal, o que somos ou o que andamos aqui a fazer.

Da economia da propriedade à economia do acesso

Outra das características desta revolução é a sua capacidade de interconectividade. Com 14 mil milhões de dólares em vendas online realizadas fora da China (68% por telemóvel) apenas num dia (o “Singles Day”), o Grupo Alibaba é um caso indubitável que demonstra que “é a interconectividade o que move o actual mundo dos negócios”. Há uma rede de plataformas que gere hoje “novas oportunidades de negócio”, sublinha Fátima Carioca, o que gera “novos ajustamentos entre quem é cliente e quem é fornecedor”, e por isso “toda a lógica entre uma ponta e a outro do negócio é completamente revolucionada”. O que leva a que os serviços deixem de estar tão padronizados, haja uma “personalização imensa, muito individual e individualista de cada serviço” e também mais acessibilidade a um conjunto de serviços muito maior. “Os preços descem e conseguimos aceder aos mesmos em qualquer ponto do mundo”, conclui a oradora.

Na “óptica organizativa” da gestão, há hoje um “desdobramento dos negócios, em que cada um é uma pontinha do negócio [do grupo]. A Amazon é um exemplo por excelência deste modelo, porque tem várias empresas que trazem até nós os seus livros, etc.”. Embora haja uma grande ligação entre os negócios, a tendência de verticalização (com os mesmos “compactados numa única entidade, fosse ela multinacional ou uma grande empresa nacional”) que existia há uns anos “está a transformar-se num desacoplamento, e cada uma das empresas acaba por surgir para fazer um pedacinho daquele negócio”.

[quote_center]Prevê-se que surjam outros postos de trabalho e que os que desaparecem serão criados noutras geografias, mas a verdade é que não se sabe quantos, nem onde[/quote_center]

Estas características dos negócios de plataforma levam a duas consequências interessantes, acredita Fátima Carioca: a primeira é a economia da partilha. Numa perspectiva da economia da partilha mais abrangente do que a preconizada pela Doutrina Social da Igreja – em que a mesma é o destino universal de todos os bens -, evoluímos “de uma economia da propriedade para uma economia do acesso”. Isto é, “temos acesso a tudo sem sermos proprietários de nada”.

E, com isto, “todo o conjunto de valores associado ao facto de sermos responsáveis por algo de que somos proprietários desaparece (agora só temos o usufruto)”. Para Fátima Carioca, “a grande questão que se coloca é, apesar de se chamar economia da partilha “até que ponto é inclusiva do ser humano”.

Principalmente porque o acesso, que supostamente é transversal, não é assim tanto. Ainda está muito focado nos países desenvolvidos e em desenvolvimento”, porque a verdade é que “ainda há muitos países emergentes que não conseguem aceder a um conjunto de bens e serviços” (embora tenham muita densidade digital, principalmente telemóveis), nota.

Outra consequência destes novos negócios de plataforma é uma configuração diferente do trabalho, na forma como alteraram as relações entre colaboradores e empresas. “Hoje (e ainda) somos quase todos trabalhadores dependentes”, diz a Dean da AESE. Mas “numa economia baseada em pequenos negócios, acabamos por estar ‘empregados’ por muitas entidades”. Ora, uma sociedade baseada quase exclusivamente em trabalhadores independentes “é complicada”, alerta.

O “desaparecimento de um conjunto grande (milhões) de postos de trabalho” é, por sua vez, outra consequência preocupante da nova economia digital. E, como sublinha a oradora convidada da ACEGE, se “alguns economistas dizem que não há problema porque surgem outros postos de trabalho (embora não com as mesmas competências), e os que desaparecem são criados noutras geografias (como nos países emergentes)” – o que é bom para a economia mundial -, a realidade é que em relação a esta 4ª revolução pode ser problemático, pois não se sabe quantos, nem onde surgirão.

Importa, pois, “perceber tudo o que acarreta a nova configuração do trabalho” que a 4ª Revolução Industrial está a impor, defende Carioca. No que respeita aos trabalhadores dependentes existe (necessariamente) “uma gestão do risco próprio e do controlo do que eu faço por parte da empresa. No que toca aos trabalhadores independentes não. Por isso digo que uma sociedade só baseada em trabalhadores independentes é uma sociedade sem rede social”, alerta a Dean da AESE: “fica à responsabilidade de cada um gerir os riscos sociais que se passam, por exemplo na sua família”.

[quote_center]2020 é já amanhã e em muitas empresas vão estar cinco gerações[/quote_center]

Neste contexto, os “contratos à la carte” obrigam a ponderar até que ponto queremos entregar os riscos que temos a um empregador ou, por oposição, até que ponto queremos gerir nós esses riscos”, conclui Fátima Carioca. Há já uma aproximação desta realidade com os chamados contratos por comissão – para cumprir determinado objectivo com cada uma das empresas – mas isso “ainda não viabiliza a partilha do risco social que temos”. E uma das prioridades “é repensar toda a estrutura da segurança social, face a estes novos contratos”.

A extinção da classe média

Outra questão que se coloca face à nova configuração dos modelos de trabalho é que “poderíamos pensar que alivia a desigualdade, exactamente porque os negócios podem estar dispersos geograficamente e a acessibilidade aos bens e serviços teoricamente existe a partir de qualquer lado”, mas o que se conclui – e já se nota – “é uma certa extinção da classe média, ou seja da cola entre as desigualdades”.

Analisando este novo paradigma dos negócios, verifica-se que “alguns se tornam unicórnios” (com elevado potencial de crescimento em pouco tempo e avaliados em, pelo menos, mil milhões de dólares), mas ou são pequenos ou grandes negócios. Não há médios negócios. E assim não há médios salários, nem médios quadros, e não há classe média, conclui. Perante esta realidade, conclui-se que a questão da desigualdade não vai passar pela actual tendência de negócios, mas sim, e essencialmente, “pelo acesso à educação e às oportunidades”. Daí ser preciso aproveitar a grande acessibilidade que estes negócios de plataforma proporcionam para levar a educação muito mais longe, defende Fátima Carioca.

Por outro lado há as novas oportunidades de trabalho,como a multiplicação de negócios em África, muitos exclusivamente no feminino, ou os formatos multigeracionais: “2020 é já amanhã e em muitas empresas vão estar cinco gerações”, sublinha Fátima Carioca, a propósito.  E cada uma com as suas especificidades.

[quote_center]Tudo aquilo que é fruto do trabalho tem um sentido quase divino, que só os humanos conseguem dar, e que não passará nunca para uma máquina[/quote_center]

Concretamente em relação à geração dos Millennials (ou Z, “ou melhor, a geração ainda”) – aquela “para quem tudo é possível”, a que diz “ainda morremos, mas isso é só agora -, trata-se de jovens que trabalham muito para descobrir a solução para tudo, com a convicção de que “ainda não existe mas vai existir”.

“Esta convivência de gerações provindas de um novo mindset industrial no mundo do trabalho é muito interessante”, até porque a actividade empresarial tem a capacidade de fazer “com que as pessoas se entreguem por qualquer coisa que é superior a elas próprias”. Incorporar a questão do Bem Comum nas empresas significa que as pessoas tendem muito mais a trabalhar em equipa quando têm uma finalidade comum que é exigente”. Ora, como explica a Dean da AESE, a maior parte das soluções, sejam de negócio, de organização, sejam inovações ou outros problemas ou desafios, são cada vez mais complexas, abrangem mais áreas e por isso necessitam de um trabalho mais intenso em equipa. E aí ganham “não só com a convivência intergeracional, mas também por trazerem para o mundo do trabalho novamente aquilo que de mais humano existe: a criatividade, a inovação, o pensar das coisas para além daquelas que são rotinadas”, sublinha Carioca.

E por falar em conviver nas empresas, resulta que “a disrupção no mundo do trabalho acaba por aportar de nós o que de mais humano existe. Se trabalharmos e convivermos como robots a única forma de sermos robot-proof é exactamente trabalhar com aquilo que de mais humano temos”. Como afirma António Damásio (e relembra Fátima Carioca) “ainda não podemos criar sentimentos nos robots”. E por isso, valores como a lealdade, o compromisso, o empenho ou o dar o extramile estão, em princípio e por enquanto, reservados às pessoas. E é assim que, nesta convivência com os robots e neste mundo onde a AI começa a entrar, “temos a oportunidade, se tivermos essa habilidade, essa coragem e essa grandeza de alma, de perceber o que de mais humano define a pessoa”.

[quote_center]A família nuclear de proveniência tem um grande papel como segurança social mínima[/quote_center]

Para além de valores como a entreajuda ou a fidelidade, há também a questão da liberdade humana. Na perspectiva da Dean da AESE a liberdade humana enquanto liberdade extrínseca implica que “tudo pode ser possível, e eu escolho”. Mas aquilo que vai fazer a diferença nos próximos tempos é provavelmente a liberdade intrínseca, que pressupõe “ter a liberdade de fazer o que eu acho que devo fazer. Contra tudo e contra todos. Porque sou eu”. E a maturidade que requer esta segunda forma de ser livre é hoje “exigida a cada um de nós” (os trabalhadores independentes, por exemplo, têm de a ter para gerir a sua vida), e “é aquilo que fará a diferença em termos da realização de cada um”.

O outro aspecto que pode fazer a diferença, pese embora os nossos filhos virem a conviver com robots e humanóides no mundo laboral, é o trabalho nunca deixar de ter uma componente subjectiva: “o trabalho não é só desempenho, executar, ou entregar actividades. Tem um profundo sentido de realização humana, que cabe a cada um desfrutar”, opina Fátima Carioca.

Neste contexto, “a pessoa em si não é completamente realizada se não sentir que produz obra e que é co-criadora, com Deus, na realização do mundo”, defende. “Tudo aquilo que é fruto do trabalho e das obras humanas tem um sentido, eu diria, quase divino, que só os humanos conseguem dar a cada um desses actos, e que não passará nunca para uma máquina”.Por ora, não conseguimos entregar a uma máquina (mesmo que reproduza o nosso cerebro, todo o meu mundo emocional) a minha vida, a minha alma, o meu sentido de realização ou a minha relação com Deus. E esse continuará a ser o sentido profundo do trabalho, tenha o trabalho a configuração que tiver”.

O século da família

No contexto da vigente revolução industrial há ainda que ponderar o que se passará com a sociedade. Como se organizará? Para Fátima Carioca, “passámos de uma sociedade relativamente keynesiana, cujo mindset era trabalhar para a educação e para a saúde, para um outro paradigma neoliberal (tudo menos o governo), para agora lançarmos interrogações sobre o que podem ser as novas teorias políticas e económicas”, como as que se colocam diante do capitalismo consciente e outros temas que questionam como nos vamos organizar “para responder, em termos sociais e de desenvolvimento a estes novos desafios que acarreta esta relação diferente em termos de sociedade.

“Como vamos responder em termos sistémicos às necessidades de cada um, e às de todos?” Na opinião da oradora temos de responder às necessidades pessoais de cada um, de forma a que a sociedade inteira obtenha respostas, “de uma forma mais justa e com maior qualidade de vida”. E é precisamente aqui que se situa a discussão sobre o Rendimento Mínimo Garantido, ou o salário mundial ou o que vai acontecer à Segurança Social.

[quote_center]A revolução tecnológica levará a uma transformação diferente de tudo aquilo que imaginámos até agora[/quote_center]

Sendo que, na perspectiva de Fátima Carioca, interrogarmo-nos sobre os prós e contras deste tipo de temáticas “tem um denominador comum, que vai buscar as suas raízes à Doutrina Social da Igreja”. Diz a Dean da AESE que, sejam ou não católicos ou cristãos, os que se interrogam falam sempre sobre o Bem Comum, definindo-o tal e qual como no manual da DSI: o conjunto das condições que permitem o desenvolvimento de cada pessoa numa sociedade. E vão buscar depois os outros princípios associados à Doutrina: a subsidiariedade e a solidariedade. Esta última não como “uma filantropia” mas “no sentido da responsabilidade” que significa sentir comprometimento pelo outro, “nos ombros, no pensamento e no coração”.

Por último, e como vem debatendo o professor Luís Cabral na AESE, importa questionar qual é o papel da família nesta nova configuração. O professor tem uma expressão que diz que “o século XXI é o século da família”. E porque? “Por causa do seu papel fundamental, enquanto rede social e rede emocional face às transições que se darão”; e em qualquer família veremos transições, nem que seja entre gerações, mas também situações de fragilidade, como o desemprego, alerta.

“Quando digo que a economia da partilha tem problemas agravados no sentido da propriedade e da responsabilidade e compromisso, quero dizer que é provável que a economia da partilha, de uma forma generalizada, leve a um prolongamento por exemplo da adolescência – e por isso se alguma vez se vierem a comprometer em termos familiares, será mais tarde e de uma forma mais superficial”, explica Fátima Carioca. Neste contexto, “a família nuclear de proveniência tem um grande papel como segurança social mínima, e para aliviar o risco quando tivermos configurações de emprego como as dos trabalhadores independentes”.

Em suma, “a revolução tecnológica não é uma evolução tecnológica, é uma verdadeira revolução no sentido disruptivo do termo”. E por isso “levará a uma transformação diferente de tudo aquilo que imaginámos até agora, e que não conseguimos sequer sonhar”, conclui a Dean da AESE.

Como dizem os especialistas que se debruçam sobre esta temática, “ se quisermos imaginar como será o mundo em 2030 devemos ler livros de ficção científica”. Olhar o futuro dessa maneira implica perceber que a grande transformação não será apenas em termos operativos ou organizativos, mas irá alterar tudo: a maneira como vivemos, como trabalhamos e como nos relacionámos. E, inclusivamente, a identidade que temos.

A convicção de Fátima Carioca é que “embora não saibamos o que vai ser o futuro”, há uma coisa que é certa: “a resposta ao mesmo vai precisar de todos, e em todo o lado. Ou seja, as respostas têm de ser abrangentes em termos geográficos, de matéria, e dos actores, das famílias, da sociedade, dos trabalhadores”.

1 COMENTÁRIO

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