Para triunfarem no futuro e reterem o talento (cada vez mais disputado) que desejam, as empresas têm de aceitar alguns indicadores que se começam a tornar factos. Os colaboradores actuais querem estar numa empresa que lhes ofereça um propósito, têm de sentir que estão a trabalhar para um bem maior e a contribuir para a empresa como um todo
POR TIAGO PIMENTEL

Actualmente os colaboradores estão cada vez mais exigentes e seguros dos seus interesses. Se no passado limitavam-se a procurar uma organização onde pudessem ter uma função específica e uma remuneração atractiva e estável, actualmente não procuram apenas um local para trabalhar e ganhar dinheiro. O colaborador de hoje valoriza cada vez mais o sentido de responsabilidade e missão da sua empresa, com a qual pretende identificar-se.

Há uma série de mudanças que estão a condicionar a forma como se olha para o mundo do trabalho e como as pessoas valorizam as suas funções e organizações. Seja a evolução tecnológica que está a ser introduzida nas diversas tarefas, seja uma pirâmide demográfica invertida, sejam as novas gerações com diferentes expectativas ou a escassez de recursos, todos eles são factores que requerem uma mudança.

A estrutura tradicional das organizações do passado deverá dar lugar a estruturas mais horizontais, tanto ao nível das questões mais técnicas como por interesse dos próprios colaboradores, que querem ter cada vez mais impacto nas decisões e resultados de negócio. Estas questões, e outras, estão a provocar a transformação a nível organizacional nas empresas visto que o desenho das organizações que conhecíamos já não serve às gerações mais novas.

A estrutura tradicional das organizações do passado deverá dar lugar a estruturas mais horizontais, tanto ao nível das questões mais técnicas como por interesse dos próprios colaboradores, que querem ter cada vez mais impacto nas decisões e resultados de negócio

Para triunfarem no futuro e reterem o talento (cada vez mais disputado) que desejam, as empresas têm de aceitar alguns indicadores que se começam a tornar factos. Os colaboradores actuais querem estar numa empresa que lhes ofereça um propósito, têm de sentir que estão a trabalhar para um bem maior e a contribuir para a empresa como um todo. Cada vez mais, as pessoas desejam fazer parte do todo organizacional, evoluir pessoal e profissionalmente e criar ligações. Esta questão leva-nos para o tópico da tecnologia.

Com a digitalização e o desenvolvimento da tecnologia, a forma como se trabalha e comunica nas organizações está a mudar, e é urgente que as empresas se adaptem para sobreviver e utilizem essa tecnologia para melhorar a experiência do colaborador, aproveitando o potencial deste sector para comunicar com consistência e de forma estratégica, tendo em conta o colaborador específico a quem se dirigem. Em termos culturais, estas mudanças implicam empresas menos hierárquicas, com colaboradores mais envolvidos dentro da organização, motivados para a mudança e em constante actualização no campo tecnológico e nas respectivas ferramentas.

No nosso país, as grandes empresas já começam a dar os primeiros passos para enfrentarem estas novas tendências. Não só é necessário sensibilizar o contexto empresarial português para estas mudanças, como o próprio Estado e outros organismos que devem apoiar as empresas no sentido de sensibilizarem para a necessidade de transformação o mais rapidamente possível. Este factor poderá permitir reter os talentos nacionais, introduzir as organizações na realidade actual e futura, e promover o desenvolvimento tecnológico do tecido empresarial nacional, promovendo mais investimento, melhorando resultados e aproveitando essa melhoria para trabalhar a experiência do colaborador e formular políticas de benefícios mais actuais.

As palavras-chave para este ano têm de ser “tecnologia”, “engagement” e “propósito” ao nível da gestão. É preciso enfrentar as mudanças tecnológicas e virá-las a nosso favor; é preciso trabalhar o envolvimento dos colaboradores em toda a sua magnitude – integração da vida pessoal e profissional; e clarificar o propósito da organização para atrair e reter talento. Todas estas realidades têm ligação e devem ser trabalhadas e desenvolvidas em conjunto para promover os melhores resultados para a organização e, assim, para colaboradores, líderes, e para a própria sociedade na sua globalidade.