Fazer Banca hoje em dia impõe um enorme grau de exigência a quem nela intervém. Não implica apenas gerar confiança e garantir transparência. Importa atuar de forma responsável e sustentável. É uma exigência que não decorre de diretivas, mas da constatação óbvia de que na vida das empresas só há um caminho. E quem não o souber percorrer, cedo ou tarde, perceberá que não há uma segunda opção. Nem há tempo para segundas oportunidades
POR PEDRO CASTRO ALMEIDA

O setor bancário, pela proximidade que tem com as pessoas e os seus interesses diários, tem responsabilidade acrescida no contributo para o bem-estar da sociedade que deve servir. O cumprimento dessa responsabilidade a todos deve beneficiar. Crescemos mais e melhor se estivermos inseridos numa comunidade que se desenvolve harmoniosamente.

Tenho a sorte e o orgulho de integrar a equipa do Grupo Santander há muitos anos. Tem sido feito um enorme trabalho que levou a sermos reconhecidos, em 2019, como o Banco mais sustentável do mundo, no âmbito do Dow Jones Sustainability Index. Este reconhecimento é fruto de um trabalho e de uma estratégia. E é sobre a estratégia das empresas que urge refletir e convergir. Educação, sustentabilidade e compromisso social são os eixos que importa desenvolver. O desafio é alinhar empresas e comunidades, oferecendo um sentido global às opções de cada um.

A nossa intervenção em Portugal, nos últimos cinco anos, vem em linha com as preocupações gerais. Uma das áreas é a da produção de novas formas de energia. Por isso mesmo, já financiámos mais de 430 milhões de euros em operações com impacto positivo para o ambiente e para a sociedade, seja na produção de energia através de fontes renováveis, no tratamento de resíduos, na economia circular, na saúde ou na Educação. Nesse mesmo caminho, apoiámos a construção de hospitais, de parques eólicos e solares, financiando equipamentos de recolha e tratamento de resíduos ou águas, assim como fomos um parceiro fundador no financiamento da construção do campus universitário da NOVA SBE em Carcavelos.

Este conjunto de apoios tem um sentido. Mas precisamos de ir mais longe e envolver empresários, gestores e acionistas das empresas. No âmbito do combate às alterações climáticas assumimos a responsabilidade de reduzir a nossa pegada ambiental, estabelecendo o objetivo de que 100% da energia que utilizamos provenha de fontes renováveis em 2025. Em Portugal já estamos a comprar mais de 90% da energia que tenha origem em fontes renováveis.

O futuro passa também pela qualidade das pessoas. Tal como queremos reduzir a nossa pegada ambiental, queremos aumentar a “pegada social” que produzimos e, por isso, medimos a nossa atividade pelo impacto que conseguimos provocar na sociedade. No apoio ao Ensino Superior como à inclusão financeira, na ligação entre as universidades e as empresas, temos como objetivo financiar em Portugal, entre 2019 e 2022, cerca de 9 mil bolsas, estágios e os mais diversos programas de empreendedorismo, bem como promover a capacitação financeira de 55 mil pessoas.

Exatamente porque sabemos que só há um caminho, anunciámos em Julho de 2019, ao nível do Grupo Santander, os nossos compromissos de Banca Responsável, que incluem um forte compromisso com o financiamento verde. Para o concretizar, o objetivo do Grupo é mobilizar 120.000 milhões de euros antes de 2025 e mais 220.000 milhões de euros antes de 2030.

Foi também por isso que, em Portugal, assinámos a Carta de Compromisso para o Financiamento Sustentável, coordenada pelo Ministério do Ambiente e da Ação Climática, em parceria com os ministérios das Finanças e da Economia. Esta Carta vai ao encontro dos desafios assumidos pelo Santander, tanto no que diz respeito ao crescimento sustentável, promovido através do financiamento à utilização de energias renováveis, mas também da adoção de infraestruturas inteligentes e de novas tecnologias agrícolas e produtivas, mais eficientes e sustentáveis. Finalmente, o Banco disponibilizou ainda uma Linha de Crédito para a Descarbonização e a Economia Circular.

Acreditamos no valor do exemplo. Sabemos que o tempo nos convoca a todos: fazer com que a nossa atividade contribua para o desenvolvimento económico e social das comunidades onde estamos presentes não é uma escolha para gerar títulos na imprensa, nem posts ou likes no Facebook, no Instagram ou no Linkedin. Ou acreditamos no que fazemos, ou não; ou sabemos avaliar bem a nossa relação com todos aqueles com quem nos relacionamos, ou não. Ou acreditamos no futuro, ou não. E todos sabemos que só há um caminho.