São 10 as propostas de leitura para aqueles momentos em que o sol está demasiado quente para ser gozado e a água demasiado fria para nela se mergulhar. Se não dispensa um livro como bagagem de férias, este artigo é para si. Histórias inspiradoras, inovadoras, revisitadas ou reformuladas que não têm como pano de fundo o descanso, mas que podem ajudar a um melhor regresso ao trabalho
POR HELENA OLIVEIRA

 

Start Something That Matters
Blake Mycoskie

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É a pergunta do milhão de dólares. O que é mais importante para si? Deverá concentrar-se em ganhar dinheiro, perseguir intensamente as suas paixões ou devotar-se a causas que o inspirem? Para Blake Mycoskie, a verdade surpreendente é que não é necessário escolher e que o sucesso será muito maior caso não o faça. Em Start Something That Matters, o autor conta a história da TOMS, uma das empresas de calçado que “mais rapidamente está a correr” mundo e combina-a com lições inspiradas em outras organizações inovadoras e que não colocam o lucro em primeiro lugar. Blake apresenta seis maneiras simples para criar ou transformar vidas e negócios, desde descobrir a nossa verdadeira história ou como ser engenhoso sem recursos, até saber ultrapassar os nossos medos.Independentemente do que estiver à  procura, este livro oferece-lhe histórias, ideias e dicas práticas que o ajudarão a dar início a uma nova história para a sua vida. Se se sente pronto para fazer a diferença no mundo, se pretende amar o se trabalho e apaixonar-se por ele em simultâneo, se a generosidade é uma característica que o define e se tem curiosidade em saber como é que uma pessoa que nunca produziu um par de sapatos, numa ingressou em nenhuma escola de moda ou trabalhou na indústria de retalho criou uma das mais bem-sucedidas empresas do sector do calçado e que, por cada par vendido, oferece outro a uma criança desfavorecida, este livro é mesmo para si.

Vital Voices: The Power of Women Leading Change Around the World
Alyse Nelson

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No seu mais recente livro, a presidente e CEO da Vital Voices Global Partnership – uma das mais conceituadas organizações não-governamentais que identifica, dá formação e investe em potenciais mulheres líderes em todo o mundo -, partilha um modelo singular e inovador de liderança, ilustrado através da história de 32 mulheres cuja liderança já exerceu impacto não só nas comunidades onde estão inseridas, mas bem  mais além. De um conjunto de mães da Irlanda do Norte que se uniram para terminar com a violência até a um grupo de empreendedoras que criaram uma oportunidade económica para reconstruir o Haiti, o livro mostra como estas mulheres são agentes do progresso, sendo de sublinhar que a sua liderança não é qualificada a partir do título que ostentam, do salário que auferem ou da sua posição social. Com prefácio escrito pela secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton (fundadora da organização Vital Voices), a autora elege cinco qualidades de liderança por excelência: uma força condutora ou sentido de missão; fortes raízes na comunidade; capacidade para fazer a ponte entre linhas que dividem; ideias e acções ousadas e uma estrutura mental que não tenha medo de arriscar e seguir em frente. Qualidades que a autora traduz na organização que lidera e que, nos últimos 15 anos, já formou e serviu de mentora a uma rede de 12 mil mulheres que lutam por novas oportunidades económicas, defendem os direitos humanos e promovem a participação política em 144 países. De realçar que as 12 mil mulheres enunciadas já formaram outras 500 mil. De leitura obrigatória para mulheres e homens!

The Power of Habit: Why We Do What We Do in Life and Business
Charles Duhigg

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(1)Uma jovem mulher entra num laboratório. Ao longo dos dois últimos anos, transformou quase todos os aspectos da sua vida. Deixou de fumar, correu uma maratona e foi promovida no trabalho. Os padrões no interior do seu cérebro, de acordo com os neurologistas, sofreram uma transformação fundamental. (2) Os responsáveis de marketing da Procter & Gamble estudam vídeos de pessoas a fazerem as suas camas. Desesperadamente, estão a tentar descobrir como conseguirão vender um novo produto chamado Febreze, a caminho de ser um dos maiores flops da história da gigantesca empresa. De repente, um deles detecta um padrão quase imperceptível e, com uma ligeira mudança na publicidade ao produto, Febreze torna-se um campeão de vendas, na ordem dos mil milhões anuais. (3)Um determinado CEO toma as rédeas de uma das maiores empresas da América. A sua primeira ordem executiva é a de alterar um único padrão partilhado pelos seus colaboradores – a forma como estes abordam a segurança dos trabalhadores – e, em muito tempo, a Alcoa, ascende ao pódio do Dow Jones.

O que têm em comum as histórias acima contadas? Todos os seus intervenientes atingiram o sucesso ao se concentrarem nos padrões que moldam todos os aspectos das suas vidas. Ou sejam, foram bem-sucedidos porque, simplesmente, alteraram hábitos enraizados, aqueles que definem o Homem como a espécie mais rotineira do planeta.

Em The Power of Habit, o reconhecido repórter do New York Times, Charles Duhigg, obriga o leitor a mergulhar no estranho e perturbador mundo das descobertas cientificas que explicam por que motivo os hábitos existem (e persistem) e de que forma é que podem ser mudados.
Ao longo das páginas, aprendemos por que motivo algumas empresas e pessoas resistem à mudança, enquanto outras conseguem reinventar-se a si mesmas quase da noite para o dia. Em conjunto com o autor, visitamos laboratórios nos quais os neurocientistas exploram como funcionam estes hábitos e onde, exactamente, é que eles residem no nosso cérebro. E descobrimos também por que razão os hábitos certos foram cruciais para o sucesso do nadador olímpico Michael Phelps, do CEO da Starbucks, Howard Schulz ou do herói do dos direitos civis, Martin Luther King Jr, entre muitos outros.
Em suma, Duhiggs oferece uma visão inteiramente nova da natureza humana e do seu potencial para a transformação. Porque os hábitos não são traçados pelo destino, mas por nós mesmos.

Digital Vertigo: How Today’s Online Social Revolution Is Dividing, Diminishing, and Disorienting Us
Andrew Keen

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O autor de Digital Vertigo, Andrew Keen, apresenta neste livro a sua visão, muito própria, da revolução protagonizada pelos media sociais, denominando-a como a mais perturbadora transformação cultural desde a Revolução industrial. Misturando uma narrativa histórica, em constante mutação, com as histórias da revolução em rede online, em conjunto com críticas a empresas “sociais” como a Groupon, a Zynga e o Linkedin, o autor argumenta que a transformação dos media sociais está-nos a enfraquecer, a desorientar e a dividir em vez de contribuir para o estabelecimento de uma nova era comunitária assente nos valores da igualdade. O paradoxo trágico da vida na era dos media sociais, afirma, reside na incompatibilidade entre o desejo que sentimos em pertencer a uma comunidade na Internet e um outro desejo, igualmente poderoso, de lutarmos pela nossa liberdade individual online. E junta-se a um clube com cada vez mais seguidores: aquele que defende que quanto mais electronicamente “ligados” estamos, mais solitários e menos poderosos somos. Para reflectir.

You Are Not a Gadget : A Manifesto
Jaron Lanier

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Jaron Lanier, um visionário de Silicon Valley desde os anos 1980, esteve entre os primeiros a prever as mudanças revolucionárias que a Word Wide Web iria imprimir no comércio e na cultura. Agora, nesta sua estreia nas lides da escrita, e mais de 20 anos passados sobre a emergência da web, Lanier oferece uma visão provocadora, apesar de cautelosa, sobre a forma como esta está a transformar as nossas vidas, para o melhor e para o pior. Para o autor, o desenho e as funcionalidades da web tornaram-se tão familiares que é muito fácil esquecer que eles “cresceram” a partir de decisões de programação tomadas há mais de duas décadas. Os primeiros designers da web fizeram determinadas escolhas (como a de tornar a presença de uma pessoa anónima) que levaram a gigantescas, apesar de não intencionais, consequências.

Tão controverso como fascinante, You Are Not A Gadget transforma-se numa acérrima defesa do “individuo” e oferece uma visão única sobre a forma como a tecnologia interage com a nossa cultura.

The Business Model Innovation Factory: How to Stay Relevant When The World is Changing
Saul Kaplan

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“As instituições são concebidas para a estabilidade. Desenhadas para proteger o status quo. Construídas para resistir à mudança e alérgicas face a uma mera sugestão de transformação. Não existem para reflectir a vontade dos cidadãos, consumidores, estudantes, pacientes e empreendedores”.

É com esta declaração que o novo livro de Kaplan tenta desmistificar as várias e incomodativas questões com as quais se confrontam todas as pessoas que tentam inovar num negócio já estabelecido. E porque motivo é que a inovação é o “bicho-papão” para muitas organizações? Essencialmente porque é praticamente impossível desafiar o modelo de negócio vigente. E se todos os que se interessam por está temática já sabem de cor os truísmos sobre a criação de “um espaço seguro” para incubar equipas de inovação, dando-lhes licença para desafiarem o status quo ou permitirem que reportem directamente ao CEO, este livro mais além. O autor descreve como se pode criar um grupo especificamente concentrado em criar novos modelos de negócio que, na verdade, irão mesmo desafiar o status quo da empresa em causa. E a “Fábrica de Inovação de Modelos de Negócio” de Kaplan é muito mais do que um laboratório de experiências. Por exemplo, a “fábrica” inclui clientes que se transformam em co-criadores da solução que necessitam para fazer um trabalho específico, bem como “regiões-piloto” nas quais é possível experimentar até se encontrar o modelo de negócio certo. E, para o autor, sem estes dois passos em concreto, a inovação nunca será mais do que pequenos ajustes incrementais aos produtos e serviços de qualquer empresa. Um livro inteiramente dedicado à inovação nos modelos de negócio.

The Four Obsessions of an Extraordinary Executive: A Leadership Fable
Patrick Lencioni

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Ainda a recuperar do estrondoso sucesso que foi “The Five Temptations of a CEO”, Lencioni aborda a questão essencial que todos os líderes de negócios deveriam ter em mente, mas que nem sempre é considerada com a importância que merece: a chave para o sucesso reside na saúde organizacional. Os leitores são convidados a mergulhar numa história de intriga corporativa, na qual um responsável frustrado de uma empresa de consultoria enfrenta um desafio de liderança de proporções tão gigantescas que ameaça dar cabo da sua empresa, da sua vida e de tudo o que considera como verdade no que respeita à sua própria visão de liderança. Ao longo da narrativa, o autor ajuda os leitores a compreenderem a simplicidade e o poder desarmantes inerentes à criação da denominada saúde organizacional e identifica quatro princípios simples que podem orientar as organizações no complexo processo de desenvolver e preservar a sua cultura. E, para aguçar a curiosidade do leitor, as obsessões são as que se seguem: construir e manter uma equipa de liderança coesa, criar a denominada clareza organizacional, “mais do que comunicar” essa clareza e reforçá-la através de sistemas humanos. Sim, leu bem, humanos.

Business Model You: A One-Page Method For Reinventing Your Career
Timothy Clark, Alexander Osterwalder, Yves Pigneur

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O best-seller mundial “Business Model Generation” introduziu, quando foi lançado, uma forma visual singular de sumarizar e convidar a um brainstorm criativo para qualquer ideia de negócio ou de produto numa única página de papel. Produzido pela mesma equipa que protagonizou este sucesso global, “Business Model You” utiliza a mesma ferramenta – a poderosa  “página única” –  para ensinar aos leitores a desenhar os seus “modelos de negócio pessoais”, e realçar as suas competências para se adaptarem às necessidades em profunda mudança do mercado de trabalho. O livro demonstra, de forma simples, como se cria um modelo de negócio para nós próprios, como valorizar as nossas competências no mercado da actualidade e definir o seu propósito, como se articula uma visão de mudança e como implementar e testar esse novo e singular modelo. Personalizado!

The Mobile Wave: How Mobile Intelligence Will Change Everything
Michael Saylor

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Se não está preparado para apanhar a onda, o mais certo é que seja varrido por um tremendo tsunami de mudança que irá alterar o seu mundo por completo. Esta é a premissa de The Mobile Wave, escrito pelo famoso empreendedor na área da tecnologia, Michael Saylor, e que explora de que forma é que os dispositivos móveis, como os iPhones e os iPads, estão a mudar os empregos, os cuidados de saúde, a banca, a política, a lei e muito mais do que se possa imaginar. O autor argumenta que a inteligência móvel irá afectar negócios, indústrias inteiras, bem como a própria economia. Através de uma perspectiva histórica, Saylor explora as complexidades de como a tecnologia móvel, enquanto força disruptiva, irá “limpar” as ineficiências do mundo físico e transformar o planeta num local mais rico, inteligente e igualitário. Com a narrativa das revoluções tecnológicas passadas, desde a revolução agrícola à primeira revolução da informação, protagonizada pela imprensa escrita, sem esquecer as muitas “ondas” da tecnologia computacional da era moderna, Saylor não deixa ainda de incluir as histórias de empresas “com uma estrutura mental tecnológica” – de que são exemplo a Apple, a Google e a Amazon – versus as demais que continuam a pensar e a operar tendo como base o mundo físico, como a Microsoft, a Dell ou a Best Buy. Para um defensor acérrimo da tecnologia, as primeiras continuarão a florescer enquanto as segundas podem sentar-se e esperar pelo seu declínio.

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The Titleless Leader: How to Get Things Done When You’re Not in Charge
Nan Russel

Uma das tarefas mais complicadas em qualquer que seja o local de trabalho, é ter responsabilidades sem autoridade. Seja qual for a posição que ocupe, o seu sucesso depende, em grande parte, da capacidade para influenciar os outros a cooperarem e a ajudarem-no. A premissa deste livro é a seguinte: é possível desenvolver o nosso pensamento, comportamentos e acções para obter a ajuda voluntária de outros sem se utilizar a cenoura do autoritarismo ou as tácticas do chicote. Ou seja, como conseguir que o trabalho seja feito quando não se está no comando. Com as mudanças na forma como as pessoas trabalham, comunicam, colaboraram e gerem responsabilidades, saber como se constrói relações de confiança e de influência é cada vez mais uma necessidade. E, num tom simples e directo, a autora realiza um feito: como trabalhar com base na confiança numa era de cinismo e de “salve-se quem puder”.

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