Sendo ainda prematuro apresentar uma análise conclusiva dos impactos provocados pela pandemia nos prazos de pagamento das empresas nacionais, a Informa D&B publicou um estudo, em Setembro último, cujos dados indiciam já um agravamento nesta matéria. A resiliência financeira das empresas portuguesas foi também objecto de estudo pela mesma consultora num relatório disponibilizado em Outubro
POR CPP

A Informa D&B, empresa especialista em conhecimento sobre o tecido empresarial, é parceira do Compromisso Pagamento Pontual (CPP) desde o início da iniciativa. Para além do “Barómetro Comportamentos de Pagamento Portugal”, que publica mensalmente, realiza vários estudos que complementam a informação sobre esta temática (entre outras), ajudando a retratar a realidade do cumprimento – ou não – dos pagamentos em prazo acordados nas empresas nacionais.

Na 6ª edição do Retrato do Tecido Empresarial, publicada em Setembro de 2020, a Informa D&B dedicou um estudo ao impacto da Covid-19 no cumprimento e risco de pagamento das empresas, com dados recolhidos até Agosto deste ano.

Sumariamente, e no período acima mencionado, o cumprimento dos prazos de pagamento manteve-se baixo, registando-se já um aumento, ainda que não acentuado, nos atrasos de pagamento no tecido empresarial. De sublinhar e como é natural, que os efeitos da pandemia tiveram impactos distintos nos diferentes sectores de actividade e nas dimensões das empresas.

Constituindo o risco associado aos pagamentos uma das grandes preocupações dos gestores no que respeita às decisões sobre crédito comercial, é de salientar que, e à data de Setembro último, mais de 40% das empresas apresentavam um risco mínimo ou reduzido de atrasar os pagamentos em mais de 90 dias nos próximos 12 meses (situação que, entretanto, poder-se-á ter agravado), de acordo com o denominado risco de delinquency (modelo desenvolvido pela Informa D&B para determinar o risco de crédito das empresas).

Apesar de ser ainda prematuro fazer uma análise conclusiva sobre o impacto da pandemia nos prazos de pagamento, é possível salientar para já um agravamento ligeiro nos mesmos: em Agosto último, apenas 15,4 das empresas em Portugal respeitavam os seus prazos de pagamento comparativamente a 16% em Fevereiro e antes do deflagrar da crise.

Para saber mais consulte o estudo COVID-19 – Cumprimento e risco de pagamentos das empresas – Retrato do Tecido Empresarial

Já em Outubro, foi publicado igualmente o mais recente Retrato do Tecido Empresarial, centrado na resiliência financeira das empresas em Portugal.

Sublinhando que os choques económicos tendem a manifestar-se assimetricamente tanto em termos sectoriais como das próprias empresas, e tendo em conta que a pandemia provocada pela Covid-19 tem um impacto mais negativo nas actividades em que é mais difícil ou mesmo impossível cumprir o distanciamento social necessário para controlar a propagação do vírus, não é surpreendente que o alojamento e a restauração, os negócios ligados ao turismo e aos transportes de passageiros sejam aqueles que maiores impactos sofreram nos últimos meses.

Adicionalmente, e mesmo nos sectores mais afectados, os choques económicos abalam de forma distinta as empresas, na medida em que algumas demonstram uma maior resiliência financeira para enfrentar os seus efeitos mais perniciosos. Geralmente, as empresas que apresentam níveis superiores de resiliência acabam por emergir de uma forma mais robusta após as crises, em contraponto com as mais vulneráveis que, não conseguindo superar estes tremendos embates, acabam mesmo por desaparecer.

De acordo com este relatório, cerca de 40% das empresas apresentam bons níveis de resiliência, estando por isso mais bem preparadas para enfrentar a crise provocada pela pandemia e independentemente do nível de impacto no sector em que operam. Por outro lado, o nível de resiliência aumenta à medida que as empresas vão ganhando dimensão, o que explica igualmente que, em todos os sectores, são as grandes empresas que maiores níveis de resiliência apresentam, constituindo a dimensão a característica mais estrutural desta mesma resiliência. São também estas empresas que crescem mais e de forma mais sustentada.

Todavia, e tendo em conta os dados que constam no relatório em causa, mais de 25% das empresas apresentam um nível de resiliência baixo (mínimo e reduzido), operando em sectores que estão a sofrer impactos significativos provocados pela pandemia.

Para saber mais consulte o estudo Resiliência financeira das empresas em Portugal  – Retrato do Tecido Empresarial

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