“Inovar”, “criar valor” e “digital” são as palavras de ordem e as que imperam dos dias de hoje. Para as gerações X e Y, e até abrangendo os Baby Boomers, o online já se implantou como uma realidade da qual já não vamos escapar. Todas as áreas de negócio seguem esta tendência irreversível, ainda que algumas possam oferecer resistência, como é o caso da banca. Todavia, se há alguns tempos esta mudança no sistema financeiro parecia um oásis longínquo no deserto, cada vez mais surgem ferramentas que contrariam todos os obstáculos: falemos no ComparaJá.pt.
POR SÉRGIO PEREIRA

As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) vieram devagarinho, mas rapidamente “estoiraram” o milénio quando se popularizou a Internet. Parece que agora tudo está à distância de um clique e que o intervalo entre a Islândia e a Austrália está bem mais curto. As TIC são transversais a várias áreas e já não era sem tempo que penetrassem a banca com todas as facilidades que proporcionam. Na última edição da FinovateEurope, muitos foram os projectos de startups apresentados que estão a trabalhar para revolucionar a indústria financeira e adaptá-la aos dias de hoje.

Que ideia é essa da banca no online? É, nada mais, nada menos do que permitir que o acesso aos serviços bancários se possa fazer a partir de casa com maior conforto, através do computador ou do smartphone, e evitando deslocações frequentes às sucursais. Se já é possível efectuar transferências e consultar o nosso extracto a partir do computador, solicitar crédito, adquirir um cartão de crédito ou seguros com este tipo de facilidade, para o cliente esta não é, ainda, uma realidade massificada. E é precisamente por isso que aqui estamos.

Num belo dia de sol de Junho, nascia em Portugal uma plataforma online de comparação de produtos. E o que é que isso tem de novo relativamente à quantidade de websites que usamos para ver os preços das viagens ou dos milhões de artigos existentes sobre o mesmo fim? Esta nova plataforma nasceu com uma peculiaridade: a de se centrar em produtos financeiros, tais como cartões de crédito, crédito pessoal, automóvel e à habitação, bem como seguros, oferecendo informação credível sobre os mesmos. Assim, surgiu um sítio onde estavam agregadas todas as soluções financeiras existentes no mercado português e que prometia expandir-se a todos estes produtos num curto prazo de tempo.

[pull_quote_left]A missão do Comparajá.pt é potenciar o nível de literacia financeira em Portugal através do objectivo de levar os consumidores a comparar, de forma transparente, toda a oferta no mercado, antes de tomarem uma decisão sobre o tipo de empréstimo ou o cartão de crédito que vão escolher[/pull_quote_left]

Mas, para além dessa disponibilização de informação, quais é que eram verdadeiramente os propósitos desta startup? Desde logo, contrariar (e potenciar) o nível de literacia financeira em Portugal através do objectivo de levar os consumidores a comparar, de forma transparente, toda a oferta no mercado, antes de tomarem uma decisão sobre o tipo de empréstimo ou o cartão de crédito que vão escolher. Um verdadeiro Business-to-Consumer (B2C). E quanto é que isto custa ao consumidor? Zero euros. É isso mesmo: gratuito, imparcial, independente, para além de fácil e rápido.

Este projecto visa contribuir ainda para restaurar a confiança dos consumidores nos bancos, bem como aumentar o nível de conversão destes, o que se aplica tanto aos clientes mais antigos, como aos novos, em particular aos millennials. E, neste ponto, fazemos a diferença no Business-to-Business (B2B) também.

A finalidade passa não apenas por prestar um serviço ao consumidor, mas fazer com que seja ele próprio a criar esse serviço. Ao aceder a um comparador de produtos financeiros, o cliente usa o serviço que prestamos para visualizar as opções do mercado, mas quem escolhe a que deseja é ele. Neste sentido, o cliente é, simultaneamente, receptor e emissor, funcionando como um agente desta mudança de paradigma num universo de inúmeras possibilidades. É uma interacção que se cria entre o ComparaJá.pt e o consumidor e que acrescenta valor ao segundo pela forma como o auxilia na escolha da melhor decisão.

No seguimento desta acepção, não se trata apenas de uma revolução digital ou da banca, mas também social – ou seja, é dizer “ganhe o hábito de comparar antes de decidir”. Habituar as pessoas a tomar decisões conscientes e não impulsivas é a nossa marca, o nosso valor e é assim que inovamos. Pela comparação levamos à disrupção e apostamos num formato de Business-to-Business-to-Consumer (B2B2C).

Sergio Pereira

Director-geral e fundador do ComparaJá.pt