De regresso de uma interessante cimeira internacional (GSG Impact Summit 2019), venho impregnada do mote da conferência: investir em impacto não é só relevante; é uma urgência. De tal forma urgente, que é tempo para uma revolução de impacto. Vejamos como
POR CLÁUDIA PEDRA

Como saberão, os investidores de impacto investem em soluções que geram impacto societal (social, cultural, ambiental). Durante anos, muitas importantes dimensões do tema têm sido trabalhadas: o desenho dos fundos de investimento, os métodos de investimento, a inovação no investimento (com questões como os Títulos de Impacto Social/ Social Impact Bonds), as parcerias estratégicas, os sistemas de avaliação de impacto, etc., etc.. Ora na conferência do GSG o apelo era diferente: tudo isso pode ser decidido depois, o que é importante é tomar a decisão de investir nessas soluções e já.

Porquê? Porque os graves problemas sociais e ambientais que assolam o nosso planeta não se coadunam com mais discussões. Estes precisam de soluções imediatas. Soluções essas muitas vezes desenhadas e implementadas por organizações ou empreendedores que não dispõem de todos os meios para implementá-las. Recursos  esses que são financeiros, é certo, mas também competências técnicas, canais de distribuição, contactos e muitos outros fatores. Pelo que o apelo da conferência era aos que têm esses recursos. Urgindo-lhes a investir nessas soluções, incitando-os a capacitar, pedindo-lhes para fazer pontes com os que têm soluções. Para isso, diziam, era preciso fazer uma revolução do impacto. Demonstrar ao mundo essa urgência, mobilizar investidores, incentivar empreendedores e organizações a comunicarem essas soluções, garantir que esses investimentos são feitos e geram impacto. Já.

Para promover esse investimento imediato, foram mostrados bons exemplos. Como esquecer o artista Eyal Gever, o primeiro a colocar uma obra de arte no espaço, que tem agora um projeto que combate o plástico nos oceanos, o Plastivore? Ou o título de impacto social que promove a saúde materno-infantil de pessoas de escassos recursos na Índia?

Foi interessante verificar a reação a este apelo. Alguns emocionaram-se. Outros sentiram-se investidos da urgência e desenhavam planos de ação. Outros diziam que iam pensar no assunto.

No final da conferência, não sei se conseguiram o objetivo. Não sei se vai ser iniciada uma revolução de impacto. Mas senti que a urgência foi sentida. Senti que os investidores perceberam o seu papel e a sua responsabilidade nesse processo. Senti que passou a ideia de que o mundo está povoado de soluções sociais de qualidade que precisam de investimento.

Talvez não se tenha conseguido fazer uma revolução, mas pelo menos foi lançada uma semente. Veremos se esta cresce ou se desaparece em mais um pedaço de terra infértil. A lembrar as terras inférteis de tantos países assolados pela seca, e a precisar de uma boa solução. Que pode estar aí, à procura de investimento.

Cláudia Pedra
Stone Soup Consulting