Já me basta apagar os meus fogos quanto mais os dos outros

A questão dos limites da responsabilidade é tão velha quanto a própria humanidade e faz parte integrante tanto da vida laboral, como da privada, social e até global. Se os outros não fazem, por que tenho de ser eu fazer? Se ninguém se preocupa, por que hei de eu perder o meu tempo com isso? Se não faz partes das minhas funções, o que ganho eu por estar a fazer algo para além das minhas competências? As questões aqui formuladas tanto servem para quem atira um papel para o chão, para quem passa por um acidente na estrada e segue caminho sem se preocupar, para quem nota um erro num trabalho de um colega e nada diz “porque o problema não é meu” ou para quem “descobre” algum problema em algum departamento da empresa, o qual, se não for comunicado, poderá prejudicar sobremaneira o seu bom funcionamento e consequente rentabilidade. Fechar os olhos e fingir que não percebemos é sempre a forma mais fácil de nos desresponsabilizarmos por algo que, não fazendo parte do que nos é formalmente pedido, vai para além dos nossos deveres. Adicionalmente, e independentemente do contexto laboral, este “lavar de mãos” é igualmente visível nas questões humanitárias, sociais e ambientais que nos rodeiam. Apesar de todos “quererem mudar o mundo”, são muito poucos os que realmente trocam o seu “umbigo” pela ajuda ao “outro”, elegendo-se exactamente a mesma atitude e comportamento: mas se eu já tenho os meus problemas, por que me vou preocupar com os dos outros?

Depois de visualizar este pequeno filme, e para tentar aferir qual o grau de responsabilidade individual – e colectiva – que faz parte de si enquanto trabalhador e cidadão, comece por responder às simples questões que se seguem:

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Responder

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DESAFIO

Tendo em conta o estado, muitas vezes caótico, que se vive nas empresas, com recursos escassos, múltiplas exigências, prazos de difícil cumprimento e sempre “mais trabalho do que tempo para o fazer”, o tema dos “limites da responsabilidade” dará, decerto, lugar a um animado debate. Assim, a proposta é exactamente a de juntar a sua equipa e colocar-lhe esta questão em particular e saber ouvir – para melhor liderar – se a cooperação e a solidariedade entre colegas é mais forte do que o individualismo aparente nas escolhas que, todos os dias, somos obrigados a fazer, limitando-nos a cumprir aquilo a que somos obrigados.

Para estender o vasto tema da responsabilidade e responsabilização, propomos ainda um debate mais alargado, particularmente associado às responsabilidades que temos – ou idealmente deveríamos ter – face ao meio social e ambiental que nos envolve. Devemo-nos preocupar com o nosso vizinho velhinho, sem família, e que fica tão feliz quanto lhe disponibilizamos algum tempo para conversar? Devemos contribuir, com algum tipo de apoio, para as vítimas dos incêndios ou para tornar a floresta mais limpa para prevenir futuras catástrofes? As temáticas são tantas quanto as problemáticas que, globalmente, nos afectam a todos enquanto cidadãos e espécie humana. Haverá melhor tema de conversa?

Enquanto espaço de reflexão, o Ciclo de Cinema Mais Pequeno do Mundo conta este mês com o contributo de Adelaide Martins, Directora de Recursos Humanos da Acendi, autora do comentário a este pequeno filme. E vale a pena ler e pensar sobre as várias questões que nos exorta a reflectir..

1 COMENTÁRIO

  1. A responsabilidade individual é algo que deve estar sempre presente, desempenhemos nós que função desempenharmos, tenhamos nós a responsabilidades que tivermos.
    Sempre nos devemos pautar pelo assumir de responsabilidades, sejam elas diretamente nossas ou das equipas que chefiemos ou ainda de terceiros que diretamente ou indiretamente estejam ligados á nossa função ou empresa.
    Uma das questões que colocava quando entrevistava alguém para o meu grupo de trabalho, era: se passar a trabalhar connosco, esta empresa também passará a ser um pouco sua?

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