Arrancou esta semana o segundo semestre do Programa de Voluntariado da Nova School of Business and Economics. Envolvendo já trezentos alunos e mais de quarenta organizações sociais, o Comunidade Nova visa que os jovens “se apropriem da realidade social”, implementando projectos de intervenção social graças aos quais “desenvolvem competências cívicas”. Em entrevista, a psicóloga e coordenadora do Gabinete da Nova SBE responsável por este Programa adianta que a meta para esta fase é alargar o âmbito da iniciativa a mais voluntários e instituições, através de uma plataforma que congrega necessidades e respostas
POR GABRIELA COSTA

Levar a cidadania à Universidade. É sob esta premissa que a Nova School of Business and Economics (Nova  SBE) dinamiza o Programa de Voluntariado “Comunidade Nova”, cujo segundo semestre teve início a 11 de Fevereiro.

O programa, que reúne a colaboração de mais de quarenta entidades (entre as quais a Ajuda de Berço, Ajuda de Mãe, Cáritas, CERCI de Lisboa, Fundação do Gil e Liga Portuguesa contra o Cancro do IPO), proporciona aos estudantes a possibilidade de desenvolverem competências humanas e sociais, complementares à sua formação académica.

Considerada a melhor Escola de Negócios em Portugal pelo Financial Times e uma das trinta melhores da Europa, a Nova SBE garante uma taxa de empregabilidade de 100%, seis meses após a conclusão dos seus cursos de licenciatura em Gestão e Economia e de mestrado, nas áreas de Finanças, Gestão e Economia.

Mas esta faculdade quer ir mais longe, apostando na “formação holística do desenvolvimento do aluno, muito exigente na área académica mas que se quer complementar da sua formação enquanto ser humano”. Para Edite de Oliveira, “estamos a formar os portugueses de amanhã e é essencial que os nossos estudantes conheçam a importância de serem activos enquanto cidadãos”.

Em entrevista ao VER, a Psicóloga e Coordenadora do Gabinete de Desenvolvimento do Aluno (GDA), a estrutura da faculdade responsável pelo “Comunidade Nova”, sublinha que a “maioria dos pedidos que chegam das organizações parceiras (ONG, escolas, lares, IPSS, Centros de Acolhimento, etc.) se ”centra no apoio pedagógico a crianças e jovens em percurso escolar obrigatório”. Mas os estudantes voluntariam-se também para intervenções de apoio a idosos e de colaboração em projectos de angariação de fundos ou de sustentabilidade das instituições, por exemplo.

Ao longo deste semestre, o Programa Comunidade Nova continuará a estabelecer protocolos com novas instituições, e a receber novos voluntários. A meta é “chegar a meia centena de parcerias e a 350 voluntários”, adianta.

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Edite de Oliveira, psicóloga e
coordenadora do Gabinete de
Desenvolvimento do Aluno da
Nova SBE

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Quais são os objectivos deste Programa de Voluntariado que permite o desenvolvimento de competências sociais e humanas, numa componente de formação cívica complementar à formação académica dos alunos?
O objectivo do Programa de Voluntariado Comunidade Nova é proporcionar aos alunos o desenvolvimento de competências transversais (soft skills) que complementem a sua formação académica.

A nossa instituição pretende que o aluno se aproprie da realidade social, no sentido de aplicar os seus conhecimentos e competências na promoção, implementação e desenvolvimento de projectos específicos para a instituição parceira (desenvolvemos parcerias com cerca de quarenta entidades), aprendendo com esse processo a conhecer-se e a desenvolver competências cívicas.

Que acções estão previstas no âmbito da iniciativa? De que modo e em que áreas de intervenção é realizado o trabalho voluntário, em articulação com as organizações do Terceiro Sector?
O segundo semestre iniciou-se no dia 11 de Fevereiro e contamos já com cerca de trezentos voluntários inscritos. Para marcar o arranque dos trabalhos deste semestre, nos dias 16 e 17 de Fevereiro, várias centenas de voluntários estarão envolvidos numa ação de solidariedade nas instalações da Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados (CERCI), em Lisboa (ver caixa).

Esta iniciativa tem como objectivo melhorar a qualidade de vida dos trinta utentes deste centro de Carnide, e inclui a arrumação, limpeza e pintura do interior do Centro, bem como a limpeza do algeroz central e do sótão, poda dos arbustos e heras, limpeza do terreno e limpeza e recuperação de dois bancos do jardim.

O Programa de Voluntariado da Nova SBE dispõe de parcerias com quarenta entidades (ONG, escolas, lares, IPSS, Centros de Acolhimento, Centros Sociais e Paroquiais) que apresentam áreas de intervenção muito diversificadas, necessitando desde apoio pedagógico para os seus alunos, apoio nas salas dos jardins de infância, dinamização de ateliers, apoio a idosos em instituição e ao domicílio, e ainda colaboração em projectos de angariação de fundos, projectos de sustentabilidade e outras actividades que as instituições desenvolvem.

Que expectativas têm para este segundo semestre, nomeadamente ao nível do alargamento do programa, que chega já a 35 instituições, a mais organizações e alunos?
Ao longo deste semestre, o Programa Comunidade Nova continuará a estabelecer protocolos com novas instituições bem como a receber novos voluntários. Pretendemos chegar a meia centena de parcerias e a 350 voluntários até ao final do semestre.

Que balanço faz da adesão ao Programa no primeiro semestre, que terminou com 160 inscrições e um total de 3 mil horas de trabalho voluntário?
O balanço foi muito positivo, uma vez que assistimos a uma adesão muito forte ao Programa. Tendo em conta o nível de exigência e de trabalho desta faculdade, registou-se um forte empenho por parte dos alunos, o que de facto traduz uma sensibilidade e motivação consideráveis no que diz respeito ao desenvolvimento de competências humanas e de cidadania.

De que modo pretende a Nova SBE “aliciar outras universidades a aderirem ao voluntariado”, nesta segunda edição do Programa?
Gostaríamos, antes de mais, de sensibilizar os estabelecimentos de Ensino Superior para a importância social do contributo dos nossos voluntários através do trabalho exercido na sociedade civil. Por outro lado, pretendemos disponibilizar o nosso paradigma (estamos neste momento a criar uma plataforma para o Programa) a outras instituições e oferecer um serviço de consultadoria.

Defende que “é essencial que os estudantes conheçam a importância de serem activos enquanto cidadãos”. De que modo aposta a faculdade na “formação holística do desenvolvimento do aluno, muito exigente na área académica mas que se quer complementar da sua formação enquanto ser humano”? E que intervenção tem o GDA nesta formação?
A Nova SBE tem como objectivo uma formação integral do aluno. O sistema actual de ensino requer um papel cada vez mais activo e participativo do aluno e, neste sentido, pretende-se que o estudante não se fixe apenas numa formação técnica e especializada da sua área, mas que privilegie uma formação mais abrangente, enquanto pessoa e cidadão. Para tal, parece-nos fundamental que os nossos alunos se inteirem, participando e intervindo o mais cedo possível na sociedade civil.

Para além de toda a monitorização do Programa de Voluntariado, o Gabinete de Desenvolvimento do Aluno dispõe de outros programas e projectos, todos eles actuando na aquisição e desenvolvimento de saberes e competências que vão para além das habilitações académicas e pedagógicas. Promovemos formação não formal contínua em diversas áreas e temas, indo sempre ao encontro das necessidades e apetências dos alunos.

Que funcionalidades permite a plataforma informática que reúne as necessidades das instituições com os interesses e disponibilidade dos estudantes?
A plataforma informática (em execução) destina-se a automatizar o Programa, facultando o acesso ao mesmo por parte dos voluntários e instituições. Esta plataforma irá permitir uma actualização permanente de necessidades por parte das instituições e a possibilidade de resposta imediata por parte do aluno. Por outro lado, possibilita ainda às instituições actualizar informação e gerir de forma mais directa as respostas do nosso Programa.

Em que áreas de intervenção (apoio a idosos, crianças ou jovens em risco, reinserção social, etc.) recebem mais pedidos de ajuda, por parte das instituições, e que tipo de resposta dão os alunos voluntários?
A maioria dos pedidos que nos chegam centram-se no apoio pedagógico a crianças e jovens em percurso escolar obrigatório e as disciplinas mais requisitadas são português, matemática e inglês.

“O posicionamento diferenciador da Nova SBE em termos de reputação e resultados é intrínseco ao espírito e cultura que privilegia o trabalho, a dedicação e a solidariedade, compensando o mérito” .
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Recebemos também um número considerável de pedidos para serviços de apoio e companhia a idosos, tanto em instituições como no domicílio. Por outro lado, somos também bastante requisitados para prestar apoio ao Banco Alimentar e em estratégias de angariação de fundos, nomeadamente para as IPSS, bem como para a dinamização de actividades em escolas do primeiro ciclo.

Por último, as organizações recorrem com alguma frequência à Nova SBE para apoio em iniciativas de literacia financeira para desempregados e apoio em sessões temáticas nas escolas.

Que competências adquirem os jovens que se inscrevem, na formação inicial que frequentam, bem como na execução de relatórios de actividade mensais e de avaliação semestrais, que realizam depois da sua admissão?
Os nossos voluntários recebem uma formação inicial em voluntariado de oito horas. Esta formação compreende um módulo de enquadramento legal do voluntariado, focando os direitos e deveres do voluntário, um módulo de práticas de voluntariado (voluntariado formal versus informal) e um módulo de análise conceptual que se centra essencialmente nos conceitos de voluntariado, solidariedade e cidadania.

No que diz respeito à elaboração dos relatórios, os voluntários recebem também formação, a qual é ministrada pelo GDA no início da sua actividade. Nessa formação, é facultada uma grelha de avaliação individual do exercício da actividade e outra de avaliação semestral da instituição. Tratam-se, entenda-se, de avaliações qualitativas do trabalho desenvolvido por ambas as partes. Do ponto de vista quantitativo apenas se contabilizam o número de horas.

Que importância tem a realização destes relatórios por parte dos alunos, mas também por parte das instituições, para garantir a eficácia do programa?
A execução dos relatórios permite uma reflexão sobre o trabalho efectuado no sentido de uma análise ao resultado final da actividade desenvolvida. Na grande maioria das instituições, os nossos alunos encontram-se em relação directa com crianças e/ou idosos. Esta relação desenvolve-se com um objectivo – que pode ser o de uma criança ultrapassar dificuldades escolares ou de desenvolvimento ou, no caso do idoso, o combate à solidão ou a promoção do encontro intergeracional.

Estes relatórios permitem que, em sessões de supervisão quinzenais do GDA, se possa reflectir em conjunto sobre a qualidade do desempenho prestado pelo aluno. Relembre-se que pretendemos uma formação abrangente dos alunos e, ao nível do Gabinete de Desenvolvimento do Aluno, destacamos a educação não formal, complementar à formal, de excelência, que recebem em sala de aula.

Estes relatórios de avaliação ao desempenho do aluno são um dos critérios para a selecção dos estudantes para o quadro de mérito da universidade pelo GDA e para a atribuição de diplomas de cidadania?
Os relatórios não são factor de exclusão para a obtenção do Diploma com menção de Cidadania. Para a obtenção deste diploma, o aluno tem apenas de cumprir os requisitos do Programa, que se encontram no regulamento.

No entanto, mediante a qualidade e o empenho que tiverem ao longo do exercício do trabalho de voluntariado podem obter um diploma com menção de cidadania com distinção, que valoriza e distingue o empenho e dedicação acrescidos.

Na visão da Nova SBE, que importância tem o reconhecimento dos estudantes pelo mérito?
Não podemos deixar de referir que o posicionamento diferenciador da Nova School of Business & Economics e o distanciamento, em termos de reputação e resultados em relação às restantes faculdades nacionais, é intrínseco ao espírito e cultura da faculdade que privilegia o trabalho, a dedicação e a solidariedade, compensando o mérito.

300 jovens da Nova SBE recuperam instalações da CERCI
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© DR
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Cerca de trezentos estudantes da Nova School of Business & Economics (Nova SBE) vão assinalar o arranque do segundo semestre do Programa de Voluntariado “Comunidade Nova” com uma acção de solidariedade social a realizar este fim-de-semana (16 e 17 de Fevereiro), nas instalações da Cooperativa de Educação e Reabilitação de Cidadãos Inadaptados (CERCI), em Lisboa.

Divididos por quatro grupos, os alunos da Nova SBE irão pintar todas as salas do Centro Ocupacional Espaço da Luz da CERCI de Lisboa, em Carnide, limpar a zona exterior das instalações e recuperar o jardim. Com esta iniciativa, os estudantes pretendem proporcionar maior bem-estar e conforto aos trinta utentes do Centro, jovens e adultos, portadores de deficiência intelectual que, com a colaboração dos técnicos da CERCI, lutam por uma maior autonomia e reconhecimento social.

Esta acção simbólica traduz o espírito de cidadania do Programade Voluntariado da Nova SBE que, desde há três anos, vem aumentando a adesão de estudantes e de entidades. O Programa permite complementar a aprendizagem teórica curricular dos estudantes com a aprendizagem prática extracurricular, contribuindo, assim, quer para o crescimento pessoal do aluno como cidadão pró-activo, quer para a valorização contínua da organização da sociedade civil.

Gabriela Costa

Jornalista