Segundo uma sondagem do Fórum Económico Mundial, as alterações climáticas e eventuais confrontos entre grandes potências são os principais riscos este ano
POR RENASCENÇA

Os eventos climáticos extremos e os confrontos entre grandes potências são os riscos mais apontados pelos inquiridos pelo Fórum Económico Mundial.

De acordo com a pesquisa “Estudo Global de Percepção de Risco”, 93% dos inquiridos afirmam esperar que os confrontos políticos ou económicos entre grandes potências piorem.

Cerca de 80% apontam para o aumento dos riscos associados a guerras que envolvam grandes potências.

No geral, a pesquisa, baseada nas respostas de mil especialistas e decisores políticos, revela uma visão pessimista, com 59% das respostas a apontarem para uma intensificação dos riscos, comparando com 7%, que indicaram uma redução.

O “cenário geopolítico em deterioração é parcialmente culpado pela perspectiva pessimista”, refere o documento, incluído no relatório sobre Riscos Globais para este ano (“Global Risks Report”) e divulgado esta quarta-feira.

Mas é o ambiente que, à semelhança do verificado em 2017, assume a primeira preocupação entre os inquiridos.

“Entre os 30 riscos globais que os especialistas foram solicitados a priorizar em termos de probabilidade e de impacto, todos os cinco riscos ambientais – eventos climáticos extremos, perda de biodiversidade e colapso do ecossistema, grandes catástrofes naturais, desastres ambientais provocados pelo homem e o fracasso na mitigação e na adaptação às alterações climáticas – foram considerados elevados em ambos os termos”, refere o documento.

Dependência cibernética apontada como risco

A pesquisa de percepção de risco indica as ameaças cibernéticas como riscos a considerar, tendo em conta “os ataques cibernéticos em grande escala, agora posicionados em terceiro lugar em termos de probabilidade”.

Além disso, há “a crescente dependência cibernética, classificada no cenário de riscos global para os próximos 10 anos como o segundo factor mais significativo”.

[quote_center]O ambiente assume a primeira preocupação entre os inquiridos, no Global Risks Report 2018[/quote_center]

Por outro lado, os riscos económicos surgem com menor destaque em 2018, “levando alguns especialistas a preocuparem-se com a possibilidade da melhoria das taxas de crescimento do PIB [Produto Interno Bruto] mundial poder levar ao laxismo sobre os riscos estruturais persistentes nos sistemas financeiro e económico globais”.

A desigualdade está classificada em terceiro lugar entre os factores de risco subjacentes.

Mais riscos do que nunca

Este ano, o “Global Risks Report” apresenta “mais riscos do que nunca”, refere o texto de apresentação do documento para 2018, divulgado no site do Fórum Económico Mundial.

Mas, na listagem, há quatro áreas em destaque: degradação ambiental, falhas cibernéticas, pressões económicas e tensões geopolíticas.

O relatório inclui ainda uma nova secção, chamada “Choques Futuros”, onde alerta contra a complacência perante os riscos identificados e sublinha a necessidade de uma preparação para situações de crise, dramáticas e repentinas.

A parte positiva do documento diz respeito à “perspectiva de um forte crescimento económico em 2018”, que, segundo o Fórum, “apresenta aos líderes uma oportunidade de ouro para lidar com os sinais de fragilidade severa em vários sistemas complexos que sustentam o nosso mundo”.

O “Global Risks Report” é realizado todos os anos pelo World Economic Forum, com a colaboração de vários parceiros.

Publicado originalmente na Renascença. Republicado com permissão.

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