Sabe realmente para que são utilizados os seus dados?

De acordo com um estudo recente nos Estados Unidos, 91% das pessoas aceitam os termos e condições contratuais relativamente à cedência dos seus dados na Internet sem os ler. A percentagem aumenta para 97% no que respeita à faixa etária entre os 18 e os 34 anos. E por muito que a segurança dos dados que partilhamos seja “garantida” pela empresas e plataformas que operam online, a verdade é que o controlo que temos sobre os mesmos não passa de pura ilusão. Se a privacidade está moribunda ou morta é um dos temas quentes da actualidade, e é sobre os diferentes tipos de utilização de dados, privados ou “abertos”, que versa o seguinte vídeo da BBC.

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DESAFIO

Se existe algo de positivo no escândalo do Facebook e da empresa britânica Cambridge Analytics – e que é impossível não citar no contexto do filme do mês – é que a esmagadora maioria de nós não tem a mínima ideia sobre “onde param os nossos dados privados”e para que fins são utilizados. A ausência de ética quanto à utilização desregrada das nossas informações pessoais, a capacidade inimaginável que estas plataformas têm de manipular os comportamentos dos seus utilizadores e, até agora mais grave do que tudo o resto, o poder que adquiriram para influenciar resultados eleitorais, é gritante.

No vídeo deste mês, produzido pela unidade de Investigação & Desenvolvimento da BBC, são abordadas várias temáticas relacionadas não só com a privacidade de dados, mas também com os “open data”, aqueles que, em princípio, devem ser partilhados e disponibilizados para bem da humanidade. Numa temática tão abrangente, existem, como é natural, percepções diferentes sobre o que pode, com o consentimento dos envolvidos, ser ou não partilhado, sobre a transparência – ou a sua ausência – dos dados recolhidos pelos motores de busca ou pelas plataformas sociais e sobre a forma como as empresas tratam a informação dos seus clientes, ao mesmo tempo que surgem temores variados e relacionados com o facto de que “tudo o que aparece na Internet fica na Internet”. Numa altura em que os cidadãos têm, de forma crescente, a sua vida cada vez mais exposta, o reforço das medidas que visam combater o acesso impróprio aos dados pessoais é absolutamente crucial.

Assim e mediante o Regulamento Geral sobre a Protecção de Dados (RGPD), que entrará em vigor a 24 de Maio próximo em todo o espaço europeu, e sobre o qual versa também o comentário desta semana, novas e bem-vindas regras serão produzidas, obrigações adicionais terão de ser cumpridas e cada titular de dados terá o direito de saber como os mesmos estão a ser tratados.

Para além do debate das questões que integram o quiz acima, o desafio de abordar as implicações do RGPD junto da sua organização assume-se aqui com carácter de obrigatoriedade. E é bom não esquecer que o aumento das coimas pelo não cumprimento do RGPD poderá custar às empresas uma percentagem substancial do seu volume de negócios anual.

Por último, não deixe de ler o comentário de José Pedro Anacoreta Correia, responsável por esta área na Sonae.