Criados pela Fundación Cepsa, os Prémios ao Valor Social pretendem apoiar financeiramente iniciativas que promovem a inclusão social de pessoas vulneráveis. Na sua décima edição, a organização distribuiu 50 mil euros por quatro instituições portuguesas que se distinguiram pelo seu trabalho árduo e diário junto de grupos carenciados. Em entrevista ao VER, Cláudia Soares-Mendes, directora de Comunicação da Cepsa Portuguesa, considera que, estando em linha com os ODS, esta iniciativa ajuda a “erradicar a pobreza e criar uma vida com dignidade e oportunidades para todos”
POR MÁRIA POMBO

Foi com o objectivo de “reconhecer e impulsionar os projectos sociais que visam a promoção da inclusão e o bem-estar de grupos ou pessoas em situação de vulnerabilidade social” que a Fundación Cepsa criou os Prémios ao Valor Social, considerados actualmente como a sua maior iniciativa de acção social.

Na décima edição destes prémios, a organização atribuiu um total de 50 mil euros, que foram repartidos por quatro instituições de solidariedade social que se destacaram entre 65 candidaturas: a Associação de Ajuda ao Recém-Nascido Banco do Bebé, a Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais, a Agência Piaget para o Desenvolvimento e o Serviço Jesuíta aos Refugiados.

Ao longo da última década, os Prémios ao Valor Social já premiaram 296 projectos em todo o mundo, tendo beneficiado mais de 18 mil pessoas à escala global, através de um apoio que ultrapassou os 2,5 milhões de euros. Em Portugal, esta iniciativa já apoiou directamente cerca de 43 associações, tendo disponibilizado um valor que ultrapassa os 450 mil euros.

Em entrevista ao VER, Cláudia Soares-Mendes explica que os vencedores “são instituições e projectos muito interessantes e que, no seu dia-a-dia, trabalham afincadamente para o progresso e a expansão da solidariedade social junto de todos os que justificam o apoio corporativo”. Complementarmente, a directora de Comunicação da Cepsa Portuguesa sublinha que “esta iniciativa da Fundación Cepsa surge alinhada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas que definem as prioridades e aspirações globais para este ano e requerem uma acção à escala global de governos, empresas e sociedade civil”.

“Os Prémios ao Valor Social são atribuídos todos os anos e têm como objectivo principal reconhecer e impulsionar os projectos sociais que visam a promoção da inclusão e o bem-estar de grupos ou pessoas em situação de vulnerabilidade social nos países ou localidades onde a Cepsa tem mais presença”. Qual é o verdadeiro impacto que estes prémios pretendem ter nas organizações e nas comunidades onde estas se inserem?

Em Portugal, os Prémios ao Valor Social têm um grande peso no panorama social, ambiental, cultural e económico, pela seriedade e diversidade de áreas de organizações abrangidas nos últimos anos, mas, sobretudo, pelo exemplo de boas práticas de responsabilidade social e corporativa. Além disso, esta iniciativa da Fundación Cepsa surge alinhada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 das Nações Unidas que definem as prioridades e aspirações globais para este ano e requerem uma acção à escala global de governos, empresas e sociedade civil, de forma a erradicar a pobreza e criar uma vida com dignidade e oportunidades para todos, dentro dos limites do planeta.

Os Prémios ao Valor Social já beneficiaram 43 instituições contempladas em Portugal e 296 a nível global, e já atribuíram um montante de 2,5 milhões de euros à escala global e de mais de 450 mil euros em Portugal, aplicados em organizações sempre monitorizadas por colaboradores voluntários. Os projectos distinguidos nas últimas edições incluem pessoas em situação de vulnerabilidade social, especialmente as pessoas em situação de desemprego, dependentes de drogas, doentes, minorias étnicas, imigrantes, crianças, jovens e adolescentes, idosos, vítimas de violência doméstica, pessoas com incapacidade física ou intelectual e reclusos.

Quais são os critérios para a escolha dos projectos vencedores?

[pull_quote_left]“A realidade social que hoje vivemos, com redes familiares e sociais precárias, aliadas à frágil situação económica das famílias, são factores de risco para bebés e crianças nos primeiros anos de vida. Este prémio significa fazer chegar o apoio domiciliário até 120 famílias” – Banco do Bebé[/pull_quote_left]

A transparência no tratamento das candidaturas e sequente processo de avaliação são aspectos que marcam a dinâmica desta iniciativa. Nesta 10ª edição, todos os 65 projectos a concurso, seleccionados entre 390 apresentados a nível mundial – um recorde absoluto em 14 anos existência do prémio – foram finamente escrutinados em cada uma das etapas da respectiva análise (ver Bases Legais da Convocatória 2018).

À semelhança da edição anterior, a equipa de gestão dos Prémios contou com a colaboração de um gabinete técnico comum às sete geografias a que o prémio se aplica, o que permitiu levar a exercício critérios de rigor, objectividade e transparência comuns e sofisticados na avaliação da viabilidade técnica e económica dos projectos.

Após a análise global das candidaturas, os projectos finalistas foram então avaliados pelos júris locais – em Portugal, Brasil, Gibraltar, Canárias, Madrid, Huelva e Colômbia. Detentores do conhecimento de proximidade social e conjuntural dos seus países, estes júris locais integram profissionais da Cepsa de diferentes áreas de actividade, bem como personalidades institucionais que trabalham no sector da acção social.

Ajustando-se às respectivas Bases Legais, os diferentes Júris de cada zona valorizaram os projectos que: promovem o apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade social, com especial destaque para desempregados, toxicodependentes, doentes, minorias étnicas, imigrantes, crianças, jovens e adolescentes, idosos, vítimas de violência de género, pessoas com incapacidades física e intelectual, reclusos, e outros grupos; garantem a sua viabilidade técnica, económica e de gestão, e estabeleçam mecanismos claros de acompanhamento e avaliação; dispõem de um orçamento suficientemente pormenorizado e especifiquem o destino do montante solicitado; contemplem uma maior percentagem de contribuição da Fundación Cepsa para o orçamento do projecto; facilitam a participação de empregados do Grupo Cepsa como voluntários no projecto; beneficiam um número amplo de pessoas e incorporem uma componente de inovação.

[pull_quote_right]“Com o apoio deste prémio, e através da estimulação sensorial, o projecto Crescer, com sentido(s) irá possibilitar a promoção do desenvolvimento de pessoas com deficiência intelectual e terá um impacto positivo na sua qualidade de vida e bem-estar” – Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais[/pull_quote_right]

Consideraram-se ainda como critérios de avaliação positiva o facto de as entidades terem apresentado um relatório de auditoria externa das contas do último exercício, elaborado por um auditor ou por uma empresa de auditoria e terem representado uma fundação ou estarem declaradas como sendo associações de utilidade pública.

A preparação, conhecimento do meio envolvente e experiência dos membros do júri, aliados ao exemplar empenho e sentido de compromisso, permitem profundidade de análise à luz do actual contexto social e a selecção dos projectos que consideram mais pertinentes e que dão resposta a necessidades primárias. Presentes em todo o processo, os membros do júri decidem os projectos vencedores e também os dois candidatos ao Prémio Especial do Colaborador, eleitos pelos profissionais da Cepsa de todos os locais onde se realizam os Prémios ao Valor Social.

Os projectos devem ser apresentados por um padrinho ou uma madrinha solidário, que será um colaborador no activo da Cepsa ou o seu grupo de empresas. Qual é o papel dos padrinhos e das madrinhas?

Os Prémios ao Valor Social contam com o apadrinhamento dos projectos pelos colaboradores da Cepsa, que acompanham todas as fases de evolução do programa, promovendo os respectivos valores solidários dentro e fora da Companhia. Os projectos são apresentados pelos próprios colaboradores da Cepsa ou o seu grupo de empresas. Cada padrinho ou madrinha solidário pode apadrinhar um projecto de qualquer uma das áreas, por convocatória. Caso determinada organização não tenha um padrinho ou madrinha atribuído, a Fundación Cepsa nomeá-lo-á.

Entre 65 candidaturas, a Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais (AAPACDM), o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), a Associação de Ajuda ao Recém-Nascido e a Agência Piaget para o Desenvolvimento foram as organizações vencedoras deste ano, em Portugal. O que é que cada uma delas tem de “especial” e que as faz serem merecedoras desta distinção?

O processo de selecção das quatro associações distinguidas foi muito exigente, já que os projectos apresentados nas 65 candidaturas são muito meritórios, em prol de cidadãos a quem devemos compromisso na sociedade.

A Associação de Ajuda ao Recém-Nascido Banco do Bebé apresentou o projecto de apoio domiciliário “Ser Mais Família”. O programa é desenvolvido por uma equipa única, multidisciplinar, humanizadora e voluntária, alvo de formações contínuas, sendo sempre acompanhada por uma equipa técnica (fisioterapeuta e psicopedagoga) e disponível 24 horas. A par da condição vulnerável do recém-nascido, acresce a realidade das famílias, pois são agregados que se encontram em situação de risco social.

Já o projecto “Crescer, com sentido(s) – Terapia Multissensorial Snoezelen e Ginásio Sensorial” da Associação Algarvia de Pais e Amigos de Crianças Diminuídas Mentais tem como objectivo alargar a terapia multissensorial Snoezelen a mais pessoas, de forma a contribuir para o bem-estar pleno das pessoas e melhorar a sua qualidade de vida.

A Agência Piaget para o Desenvolvimento foi distinguida com o projecto “De pequenino se constrói o caminho”, que visa promover a saúde mental e melhorar a qualidade de vida destas crianças e jovens institucionalizados, vítimas de abusos. Por isso, são propostas actividades que desenvolvam habilidades de autocontrolo, para que as crianças e adolescentes consigam lidar com a ansiedade, agressão e os relacionamentos interpessoais.

A Associação Humanitária Serviço Jesuíta aos Refugiados foi também reconhecida com o projecto “Especiarias da minha terra – Capacitação socioprofissional de migrantes e refugiados na área de serviço doméstico e cozinha”. O projecto destina-se a apoiar 40 imigrantes e/ou refugiados em situação de extrema vulnerabilidade, através do desenvolvimento de um programa de formação facilitado pela JRS Academy, com vista à formação socioprofissional. O objectivo é promover a empregabilidade de imigrantes e refugiados, contribuindo assim para a sua plena integração na sociedade portuguesa.

São, portanto, instituições e projectos muito interessantes e que, no seu dia-a-dia, trabalham afincadamente para o progresso e a expansão da solidariedade social junto de todos os que justificam o apoio corporativo.

Existe um acompanhamento feito às organizações vencedoras, após a atribuição do prémio?

Sim, a Fundación Cepsa está sempre presente no processo de implementação dos projectos. Além do envolvimento regular dos padrinhos solidários e da possibilidade de realização de acções de voluntariado por parte dos colaboradores da Cepsa, um responsável de cada país da Fundación realiza uma visita técnica a meio do projecto. Paralelamente, as associações constroem um relatório final de execução com elementos técnicos que evidenciem a concretização do projecto em causa.