O que têm em comum o Vinho do Porto, a rolha e outros produtos em Cortiça, a Cutipol,a Topázio, a Vista Alegre, a Joalharia Leitão & Irmão? E e as conservas nacionais e a doçaria regional, ente muito outros? São produtos e tradições estabelecidos há longa data, que identificam Portugal e que representam aquilo que de mais prestigiante e de qualidade se faz no nosso país e, em muitos casos, com uma excelência que se coloca a par do que é feito em muitos outros países
POR RODOLFO OLIVEIRA

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Portugal tem uma notória produção nas mais diversas áreas – artística (veja-se a recente nomeação do Fado a património Imaterial da Humanidade), gastronómica, literária e de produtos – que, de forma genérica, podemos denominar como de prestígio e que incorporam um valor acrescentado relevante e, em diversos casos, com propriedade intelectual associada. Dentro desta diversidade, há um ponto que une todos estes produtos e produções. São muitas vezes pouco conhecidos fora do país e têm algumas dificuldades na capacidade de produção (nos casos aplicáveis) para uma internacionalização e comercialização alargadas. Adicionalmente, e fruto da falta de uma imagem âncora comum para estes produtos e serviços, existe uma dificuldade em ligá-los a uma identidade nacional, especialmente nos mercados internacionais.

De forma a dar a Portugal uma maior relevância como país onde se produzem bens de elevada qualidade e com elevados níveis de sofisticação, seria oportuno criar um programa, de âmbito nacional, que identificasse produtos e marcas culturais que elevem a notoriedade do país e contribuam para um crescimento do país na cadeia de valor internacional: o Portugal Heritage. Através desta marca, seria possível agregar um conjunto de produtos e marcas nacionais, proporcionando-lhes uma massa crítica visível internacionalmente, e que afastaria a produção nacional da competição apenas pelo factor preço, um risco demasiado elevado pela depreciação do valor da oferta nacional e que funciona em contraciclo com os investimentos efectuados na educação de nível superior e na investigação científica nacionais.

Este símbolo de reconhecimento permitiria ligar a história, os produtos e a cultura nacionais de uma forma distintiva e que beneficiasse cada um dos produtos e imagens a ela associadas, num círculo virtuoso. Para além do também importante símbolo do “Compro o que é nosso”, uma identificação deste teor seria aplicável a produtos com com uma identificação histórica ao país e que elevassem a notoriedade da produção nacional nas vertentes de sofisticação e oferta premium, com importância crescente nos mercados de maior crescimento nos quais, pelo menos em alguns casos, Portugal poderia beneficiar da sua ligação e imagem histórica.

Portugal e a sua história longa de mais de 800 anos merecem.

Rodolfo Oliveira

Managing Partner da BloomCast Consulting