As empresas que investem tempo e recursos na melhoria do bem-estar dos seus colaboradores “podem esperar um alto retorno” dos seus negócios. Face à relação comprovada entre equilíbrio psicológico e aumento de desempenho profissional, produtividade e competitividade, a Lavoisier quer “Dar Saúde às Empresas”, proporcionando aos seus RH consultas de Speed Counseling. Porque “pessoas felizes são mais produtivas”, como explica ao VER a vice-presidente da Associação
POR GABRIELA COSTA

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Especialista na área da Psicologia, a Associação Lavoisier intervém na resolução de problemáticas desse foro por meio de vários serviços e projectos comunitários (de entidades públicas e privadas). Sob o lema “Nada se perde, tudo se transforma”, esta intervenção está assente “num enorme dinamismo que advém da particularidade da Lavoisier antever as necessidades das pessoas e das entidades num futuro próximo e, a partir da identificação dessas necessidades, criar ferramentas de prevenção, agindo antes das dificuldades ou problemáticas existirem”.

Na prática, pretende-se prevenir situações com necessidade de intervenção terapêutica futura, dando respostas a situações actuais de desequilíbrios, por meio de aconselhamento psicológico. É neste contexto que surge o projecto ‘Dar Saúde às Empresas’, lançado pela Lavoisier recentemente, com o objectivo de alertar as empresas para a importância do bem-estar dos seus colaboradores: dele dependem os níveis de motivação e de desempenho profissional, e a redução do índice de absentismo e dos acidentes de trabalho, garante a organização.

A iniciativa ganha especial relevância no contexto de crise socioeconómica do País, minimizando “o flagelo familiar e social” actual e permitindo ao meio empresarial, também ele em dificuldades aumentar “os indicadores de produtividade e de competitividade”, como diz, em entrevista ao VER, Ana Isabel Marcos, vice-presidente da Associação Lavoisier.

É que os colaboradores “precisam de se sentir valorizados e reconhecidos no sucesso das empresas”, principalmente nos momentos mais difíceis.

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Ana Isabel Marcos,
vice-presidente da
Associação Lavoisier

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Como surgiu a oportunidade de lançar o “Dar Saúde às Empresas” e o que visa este projecto da Associação Lavoisier direccionado para as empresas?
Instabilidade emocional, insegurança na manutenção dos empregos, relações familiares e de casal a deteriorarem-se devido aos cortes financeiros e despedimentos, crianças com queixas de dificuldades escolares e situações de divórcio começaram a ser os casos que mais surgiram em pedidos de ajuda. Face a estes pedidos e à realidade de desmotivação dos funcionários, prescrição de baixas médicas e consequente encerramento de empresas, a equipa da Lavoisier criou o projecto “Dar Saúde às Empresas”.

Este projecto tem como objectivo alertar as empresas para a importância do bem-estar psicológico dos seus funcionários no aumento dos níveis de motivação e no desempenho profissional de todos os colaboradores, levando à redução do índice de absentismo e dos acidentes de trabalho. Por outro lado, permite às empresas um aumento dos indicadores de produtividade, de competitividade e da qualidade do ambiente geral da empresa.

É cada vez mais frequente o funcionário estar fisicamente presente no ambiente organizacional, mas mental e emocionalmente ausente. Está ali mas não consegue produzir como deveria. Pode apresentar sintomas como dores de cabeça, dores musculares, irritação, alergias, cansaço, ansiedade ou insónia, verificando-se o aumento de baixas médicas, despedimentos, condições de vida das pessoas mais precárias, famílias com menos recursos para a alimentação e educação dos filhos, etc.

Um estudo realizado pelo Institute for Health and Productivity Studies, dos Estados Unidos, mostrou que as companhias brasileiras chegam a perder 42 mil milhões de reais/ano, o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto, devido à presença de funcionários doentes, apresentando falta de rendimento nas suas actividades.

Outro exemplo, referido por Francisco Simeão, presidente da BS Colway Pneus – Brasil indica que as “estatísticas revelam que 40% dos afastamentos nas empresas são motivados por pequenas doenças e mal-estar, como gripes, dores nas costas e entorses, que podem ser evitados por um bom condicionamento físico”.

Assim, identificar os sinais de instabilidade emocional, falta de motivação e baixo desempenho dos seus funcionários é fundamental, pois estes são factores que estão interligados com o sucesso e produtividade da empresa, daí a importância de considerar a necessidade de implementação de uma equipa de psicólogos para reequilibrar e ajudar os funcionários a superar determinadas dificuldades pessoais.

O ‘Dar Saúde às Empresas’ pretende prevenir situações futuras e dar respostas às situações existentes no sentido de minimizar o flagelo familiar e social.

Como funciona a dinâmica entre estabelecida através de consultas de Speed Counseling, durante as quais os colaboradores são auscultados e aconselhados, com vista a melhorar o seu bem-estar na organização e a desbloquear situações stressantes que bloqueiam a sua concentração no local de trabalho?
Este projecto compreende um ou dois técnicos da Associação Lavoisier que se deslocam à empresa, uma vez por semana, inicialmente por um período de mais ou menos duas horas. Numa primeira fase, fazem um reconhecimento da cultura da empresa através de reuniões com a direcção de Recursos Humanos e da observação directa, in loco, do espaço de trabalho dos funcionários. São realizadas algumas dinâmicas de grupo e workshops como forma de integração da equipa de psicólogos na dinâmica da empresa.

Numa segunda fase, já com uma relação de confiança estabelecida entre os psicólogos, funcionários e direcção, por um período de cerca de duas horas, os psicólogos da Lavoisier prestam os seus serviços aos funcionários que tenham sido identificados ou que se tiverem inscrito no Speed Counseling.

Assim, por meio de um aconselhamento rápido e focado, serão desbloqueadas questões que de outra forma poderiam tornar-se um problema, e que neste momento ainda não apresentam a necessidade de uma intervenção terapêutica. Este serviço também tem um caráter altamente preventivo pelo facto de o funcionário poder ser encaminhado e aconselhado para uma intervenção psicoterapêutica, se for caso disso, ajudando aqui a prevenir algo que podia ainda não ser uma problemática na consciência da pessoa.

É cada vez mais frequente o funcionário estar fisicamente presente no ambiente organizacional, mas mental e emocionalmente ausente .
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O Speed Couseling terá lugar numa sala disponibilizada pela empresa, com algumas condições específicas a acordar. A consulta é breve, confidencial, e com periodicidade semanal, se se justificar. Caso o funcionário permita, pode ser feita uma mediação com a empresa no sentido de facilitar alguma questão que comprometa o trabalho do funcionário. Por outro lado, o psicólogo pode dar algumas sugestões de melhoramento, a partir da observação do espaço de trabalho da empresa, realizada na primeira fase do projecto.

No decorrer do projecto, serão ainda realizadas reuniões da equipa de psicólogos intervenientes com um supervisor externo ao projecto e reuniões com o representante da empresa. No final do projecto, é efectuado um questionário final aos funcionários que usufruíram do programa e responsáveis da empresa envolvidos.

Este enfoque sistémico é muito importante, pois uma empresa é um sistema composto por um conjunto de partes inter-relacionadas e interdependentes, organizada de maneira a produzir um todo unificado.

De que relevância se reveste a realização de um projecto desta natureza na rentrée depois das férias, período particularmente vulnerável para os trabalhadores, segundo alguns estudos?
A rentrée depois das férias coincide com o início de um ano lectivo que corresponde precisamente ao delineamento e planeamento de objectivos, metas e orçamentos para o próximo ano, para além de que é também o regresso ao trabalho após 15 dias ou um mês de ausência. Ora, se os funcionários antes de iniciarem a actividade laboral já se sentem desmotivados, ansiosos, irritados, com sintomas físicos (dores de cabeça, dores de barriga), não é um bom presságio no que respeita ao seu desempenho profissional e à produtividade e competitividade da empresa.

Sem dúvida que a implementação do “Dar Saúde às Empresas” neste momento de “arranque” é de extrema pertinência, pois os funcionários precisam de se sentir valorizados e reconhecidos no sucesso das empresas. A prevenção e promoção da saúde, a diminuição da instabilidade emocional e a reabilitação da saúde mental são factores de pesquisa em todo o mundo e os estudos mostram dados que comprovam a relação entre bem-estar psicológico e aumento do desempenho profissional e do sucesso da empresa a curto e longo prazo (nomeadamente, aumento dos indicadores de produtividade, aumento da competitividade e aumento da qualidade do ambiente geral da empresa). Por outro lado, verifica-se uma redução do índice de absentismo.

Pessoas felizes são mais produtivas, mais motivadas, mais saudáveis!

Que vantagens têm as empresas em adoptar este programa, no que concerne à melhoria da produtividade e competitividade e à diminuição do absentismo?
Apostar na importância do factor humano como contributo para o crescimento da empresa traz diversas vantagens, quer para o funcionário quer para a empresa. No que respeita ao primeiro, é de referir maior motivação; melhoria no relacionamento interpessoal; maior eficácia e concentração no trabalho; melhor capacidade de resistência ao stress; melhoria na auto-estima; maior controlo emocional e maior participação nos processos e iniciativas da empresa.

No que respeita à segunda, mencionamos a diminuição do absenteísmo; diminuição do custo com assistência médica; melhoria da imagem no mercado; melhoria do ambiente de trabalho; trabalho e funcionários mais integrados; maior produtividade; retenção de talentos; cultura saudável na empresa; e empresa com diferencial em qualidade de vida.

A título de exemplo, no Brasil há empresas que têm programas de incentivo a uma melhor qualidade de vida.  E o resultado é que a organização ganha em todos os sentidos, aumentando directamente a produtividade e diminuindo a rotatividade dos colaboradores, o que representa lucro para corporação, em vez de gastos contratuais de rescisão, recrutamento, contratação e formação.

Empresas que investem tempo e recursos na melhoria do bem-estar dos seus funcionários, podem esperar um alto retorno dos seus investimentos.

Em que medida essas vantagens são mais visíveis num contexto de crise socioeconómica pautado pela instabilidade, desemprego e luta pela sobrevivência, por parte de muitas pequenas e médias empresas?
Este projecto é potenciado na sua pertinência pela crise que está instalada, pois existe uma luta pela sobrevivência nas empresas. A crise enquanto uma oportunidade de mudança é positiva. Por exemplo, há casais que tendo ficado desempregados se dedicaram a uma outra área que até tem mais a ver com eles, famílias que deixam a cidade e vão para o campo, crianças que trocam os jogos de computador pelo jogo da bola, o pião, saltar à corda, jogar às cartas.

Com menos poder económico, as famílias reinventam os tempos livres e trocam os parques temáticos ou o cinema pelos tradicionais piqueniques, e pelas velhas brincadeiras divertidas que os pais tinham no recreio da escola ou na rua. Ou seja, “o ser humano busca permanentemente melhores condições de vida e, entre elas, a segurança, estabilidade e protecção que a sobrevivência necessita” como dizia Abraham Maslow (1970), psicólogo, consultor norte-americano e estudioso do campo das motivações.

Ora, as pessoas lutam pela sobrevivência, mas ainda conseguem encontrar dentro delas motivação, optimismo, vontade em fazer algo, para fazer face a esta instabilidade e crise socioeconómica. Ainda estão receptivas a mais uma tentativa e é nessa medida que este projecto pode ser a luz ao fundo do túnel e, como tal, as vantagens e resultados serão quase certamente mais visíveis, porque marcarão a diferença perante as empresas que se estão a deixar afundar pelo foco apenas na produção, descurando a importância dos seus recursos humanos.

Que primeiro balanço faz da implementação do projecto e que expectativa tem face à sua aceitação no tecido empresarial português?
Neste momento, a Lavoisier está a fazer o trabalho de marketing do projecto através da divulgação na comunicação social e através do agendamento de reuniões com os directores de recursos humanos das empresas. O feedback tem sido bastante positivo, é reconhecida a pertinência do projecto e há empresas que estão a analisar e a discutir internamente a possibilidade de se tornarem na empresa piloto. Sabemos que a empresa que for pioneira na aplicação do projecto vai ser determinante para a aceitação do mesmo noutras empresas, principalmente nas que têm uma cultura mais “fechada” ao exterior.

O objectivo deste projecto é corroborado pelas entidades internacionais – por exemplo, em Maio de 2013, num relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, o Governo português foi aconselhado a recompensar e motivar os funcionários públicos, sob pena de os cortes e as reformas que estão a ser aplicados no sector fracassarem. A OCDE apontou três caminhos para a reforma nos diferentes sectores da Administração Pública: “promover a produtividade e competitividade; melhorar o emprego e a coesão social, designadamente através de alterações no sistema de impostos e de Segurança Social; e equipar o Estado para que este promova o crescimento”. Assim as expectativas da aceitação do projecto são bastante altas.

Considerando que as empresas que investem nos seus colaboradores aumentam o retorno dos seus negócios e reduzem custos de saúde e administrativos ao nível dos RH, acredita que os modelos organizacionais tenderão a valorizar a área da Psicologia, de futuro? Até que ponto este percurso em Portugal está atrasado, face a outros países da Europa e do mundo?
Efectivamente os países da América do Norte e da América do Sul são os que estão mais avançados neste percurso. Destaco os EUA e o Brasil, países onde há já alguns anos são desenvolvidos trabalhos de investigação, por consultores e também por psicólogos, que mostram a importância do factor humano no aumento da competitividade e produtividade das empresas. A psicologia faz parte da vida empresarial e da vida do cidadão. É frequente que figuras públicas falem nas colunas sociais acerca da necessidade que os levou a pedir ajuda ao psicólogo e dos resultados positivos que daí advêm. Estes países mostram a psicologia como uma ferramenta para o crescimento pessoal. Dos EUA, surgem as séries e filmes com psicólogos, e o coach propagou-se para a Europa.

Só mais recentemente a Europa aderiu a estas políticas, e em Portugal a psicologia ainda está conotada à doença mental, ao maluco. Desde que iniciou actividade, a Lavoisier tem também como missão de base a desmobilização do preconceito ainda existente de que a Psicologia é só para os “loucos”, fomentando a ideia de que podemos e devemos procurar ajuda quando percebemos que algo já não está ao nosso alcance.

Por cá, só agora é que se começam a valorizar as políticas de equilíbrio da vida profissional e familiar dos colaboradores para o sucesso das empresas. Através da Certificação EFR (entidades familiarmente responsáveis) as empresas evidenciam o seu comprometimento com o bem-estar, a saúde e a qualidade de vida dos colaboradores e suas famílias, o que, consequentemente, conduz à melhoria de indicadores como o clima laboral, o absentismo, a igualdade de oportunidades e a retenção de talentos, e aumenta significativamente a produtividade das empresas.

A acrescentar a estas políticas, é cada vez maior a pressão vinda da Europa para Portugal recompensar e motivar os funcionários públicos.

As empresas interessadas em conhecer melhor o Projecto “Dar Saúde às Empresas” poderão contactar a Associação Lavoisier e solicitar o agendamento de uma reunião.

Gabriela Costa

Jornalista