Uma década depois da criação do Fundo Bem Comum, em que, e como o nome indica, procurámos fazer o bem de forma sustentada e criteriosa, as forças estão redobradas, as aprendizagens consolidadas e preparamo-nos para avaliar novas formas de evolução que respondam aos desafios que são colocados aos novos empreendedores
POR JOÃO PEDRO TAVARES

O Fundo Bem Comum foi lançado em 2011 pela ACEGE num contexto específico de crise económica e de desemprego e foi idealizado para empresários e gestores em situação de relançamento da sua vida profissional e que pretendessem lançar novas oportunidades de negócio. Não era uma área tradicional para a ACEGE, mas a que a mesma aderiu de forma entusiástica em conjunto com parceiros com quem tradicionalmente temos vindo a colaborar, bancos e grupos empresariais, nomeadamente, o Grupo José de Mello, a Caixa Geral de Depósitos, o Santander, o Montepio Geral, o Novo Banco, para além de um conjunto de investidores individuais.

Em cada momento da sua história a ACEGE procurou responder aos desafios dos líderes empresariais e das organizações, mas sobretudo, às realidades dos que se encontram em situação de maior fragilidade. O Fundo Bem Comum surgiu com o propósito de responder de forma concreta e prática, a partir de 2011, ao crescente desemprego com evidente desaproveitamento de talento e de capacidades de liderança. Sabendo-nos limitados na dimensão do Fundo, procurámos ensaiar novas formas de responder, de forma prática e acessível, juntando múltiplos parceiros. O maior dos méritos não era o da rentabilidade financeira, mas o de nos constituirmos como porta para novas oportunidades e, para além de meras intenções, era importante estar no terreno e exortar ao espírito de empreendedorismo e de inovação, de novos empresários em particular, para os acompanhar num caminho feito de forma sustentável.

Esta iniciativa revelou-se absolutamente nova e distinta do que existia até esse momento, na medida em que os critérios de avaliação e eleição iam para lá do lucro e procuravam incorporar outras variáveis de avaliação e acompanhamento como sejam o impacto social e a criação de emprego, entre outros, procurando, desde o início, seguir princípios de rigor na avaliação e acompanhamento das novas empresas e empresários.

Numa primeira fase, a eleição de projectos para apoio foi considerada demasiado exigente, sendo o capital utilizado nesse mesmo apoio muito abaixo do previsto e, ao final de algum tempo, foi necessário fazer um reajuste nos critérios que se revelavam muito restritivos e, com isso, acabando por contribuir para um número diminuto de iniciativas e novas empresas.

Numa segunda fase do Fundo, procurou-se privilegiar mais o impacto social e a partilha de risco com outros financiadores e passaram a avaliar-se iniciativas que já se encontrassem em curso e necessitassem de levantar capital para a sua expansão, tendo o capital disponível sido alocado na sua grande maioria. Os múltiplos parceiros financiadores mantiveram-se, praticamente, ao longo da totalidade de vida do Fundo e, chegados a este ponto, está em reequacionamento a possibilidade de o estender ou de buscar novas alternativas.

Sendo o Fundo Bem Comum considerada uma iniciativa de referência e completamente nova para a ACEGE, acaba por responder aos vários pilares da sua missão de:

  • inspirar os líderes empresariais a viver o amor e a verdade como critério de gestão: ou, como o nome indica, a viver com vista ao Bem Comum, ao impacto para lá do lucro;

  • transformar as organizações: todos os projectos apoiados foram avaliados em termos de impacto social e comunitário, de inovação e de resolução de problemas específicos

  • influenciar a sociedade: o Fundo Bem Comum tornou-se num veículo de referência e uma oportunidade para novas iniciativas deste tipo, com o envolvimento de múltiplos parceiros.

Nestes 10 anos procurou fazer o Bem, bem feito, de forma sustentada e com critério, proximidade e apoio. É por isso que, chegados a esta primeira década de existência, nos sentimos com redobradas forças mas, sobretudo, com aprendizagens consolidadas e resultados práticos, preparados para avaliar novas formas de evolução do Fundo Bem Comum ou de outras formas de respostas específicas aos desafios que se colocam, sobretudo, aos empresários.