Polónia, 1961. Dois cidadãos conversam:
«Sabias que os russos foram para o espaço?»
«A sério? Todos???»
«Não, só um.»
«Oh, bolas…»

Temos muitas anedotas em Portugal sobre os outros portugueses, sobre espanhóis, brasileiros, sobre «o outro». Por vezes ouvem-se vozes  que vibram contra este humor benigno e que faz parte de nós, mas na dura realidade vê-se bem que significa afecto.

Os polacos tinham esta anedota sobre Iuri Gagarin. Tinham ainda outra preciosa.

Novamente um polaco para outro, mas agora muito depois de 1961:
«Qual é o teu maior desejo?»
«Que os mongóis nos ataquem duas vezes.»
«Que nos ataquem? E duas vezes???»
«É que assim atravessavam a Ucrânia quatro vezes…»

Vê-se agora na guerra que humor é amor. Os polacos recebem os refugiados ucranianos e por eles dão o peito. Os russos ousam manifestar-se nas suas próprias cidades contra o déspota do Kremlin, o que é uma prova tremenda de coragem e amor.

Um estereótipo não é uma calúnia e a maior parte do humor não foi feita para ofender. Uma espreitadela ao passado permite saber tudo isso.
POR PEDRO COTRIM

Quando, em Julho de 1985, o mundo livre cantou num concerto que apenas quem o viveu o pode chorar, decorriam apenas quarenta anos sobre o fim da Grande Guerra. Acreditámos porque éramos jovens e porque tínhamos de acreditar, senão nem sequer éramos jovens. Um halo de luz seduzia-nos para a arte tremendamente abstracta e tremendamente concreta de transformar a música numa arma da paz e da extinção da fome.

O único fim que se seguiu foi o do muro de Berlim e estava portanto tudo a cair a horas. A cortina de ferro morreria pouco depois e todos os pesadelos conjuntivos seriam do passado. Do lado de cá o mundo livre, do lado de lá o mundo livre. Os pirosos Scorpions assobiariam o Москва uns anos depois e Christiane F. nunca mais. Era tudo uma azáfama histórica que se ouvia em estéreo e não havia bons nem maus, pois que agora havia apenas nós.

Em 2022 não decorreram ainda quarenta anos sobre os fins dos fins das guerras e sobre os concertos dos fins das guerras e está o mundo livre novamente a ver cenas que deviam apenas ser recolhidas nas memórias dos outros. Basicamente, o que mais queremos está sempre numa zona limite e o que não queremos apenas um pouco além. Pode assomar, para nossa aflição. Assomou. Assomou um passado muito negro. Para o não revivermos de novo, recuemos para já apenas setenta e sete anos.

No início de 1945, a guerra durava há mais de 5 anos. A Europa massacrada ansiava pelo armistício. Com um balanço de mortes avassalador, eram absolutamente necessárias novas lideranças no mundo.

Três meses antes da morte de Hitler, os soviéticos atacavam Berlim a partir do leste e o bunker estaria a poucos quilómetros dos pesadões T44. Se um locutor de futebol de agora narrasse a guerra chamaria aos carros russos «falsos lentos». Os americanos também entravam pela Alemanha e acumulavam rendições e as descobertas dos obscenos campos de concentração. Embora a derrota nazi fosse o desfecho natural a curto prazo, era necessário assegurar todas as condições necessárias para a manutenção da paz, o tal mundo unido nos versos de Midge Ure e Bob Geldof no Live Aid de quando o fim da guerra se tornou quarentão.

A preparar o pós-guerra ainda em guerra, Roosevelt, Churchill e Estaline encontraram-se em Ialta, na Crimeia. A decisão de ali realizar a cimeira fora difícil. Roosevelt era um homem doente, paralisado da cintura para baixo há muitos anos. Em 1921, durante um passeio de barco, caiu nas águas geladas de uma baía canadiana. Teve febre alta, delírios, dores e inflamações. Uns dias depois abateu-se sobre ele o destino infeliz da cadeira de rodas. O diagnóstico da altura foi poliomielite, mas crê-se hoje em que a doença tenha sido outra, uma neuropatia periférica pouco comum semelhante à que afectou o astrofísico Stephen Hawking.

Estaline, por seu turno, argumentava não poder realizar viagens longas. Alegava um problema respiratório que o impedia de viajar por ar ou por mar. Os gabinetes entraram em conversações e ficou por fim decidido o local. A pequena cidade de Ialta, na península soviética da Crimeia, na actual Ucrânia e reclamada várias vezes pela Rússia, como sucede no presente.

Verificou-se que a saúde de Roosevelt estava bastante mais debilitada que a de Estaline, tendo morrido apenas três meses após a cimeira. Sucedeu-lhe o seu vice-presidente Harry Truman, que tomou a decisão extremamente polémica de utilizar a bomba atómica. Roosevelt nunca tinha mostrado propósitos de o fazer. A história está cheia de «ses» e não sabemos se Hiroshima teria os terríveis créditos de agora se FDR tivesse exigido a Estaline uma cimeira mais a ocidente e sobrevivido até ao horror de 6 de Agosto.

Roosevelt, eleito pelo Partido Democrata, mostrou durante toda a sua vida política um enorme desejo de agradar. Recusava conflitos e foi um político idealista, apesar de por vezes tomar decisões duras. Chegou a vetar uma lei anti linchamento de negros por temer que o seu partido viesse a ser penalizado em sufrágios posteriores. Pena é que por vezes valha tudo e que a cadeia se quebre pelo elo mais feio.

Foi o primeiro presidente americano a ser eleito para três mandatos consecutivos. Apesar de não estar consignado na constituição americana, os presidentes apenas podem cumprir dois mandatos. É uma espécie de código de honra, originado pelo facto de George Washington ter recusado candidatar-se a um terceiro mandato. Roosevelt, através de algumas jogadas astutas, conseguiu alterar o local de algumas convenções agendadas e fazer com que alguns candidatos democratas desistissem da corrida, acabando por conseguir colocar o destino da sua candidatura nas mãos dos delegados do seu partido.

Em Chicago, uma cidade onde reunia um grande núcleo de apoiantes incondicionais, manifestou o desejo de não se candidatar, a menos que fosse obrigado pelos órgãos representativos do partido. Como estava a jogar em casa, o entusiasmo tomou conta da assembleia, que, em delírio, lhe exigiu a terceira corrida. Venceu novamente e com relativa facilidade. Durante toda a campanha, decorrida em 1940, manifestou o desejo de manter os Estados Unidos longe da guerra e exibiu as suas credenciais de político experiente. Após a trágica recessão dos anos 30, a última coisa que os americanos queriam era entrar num conflito. Roosevelt não disparava, mas o seu tiro presidencial foi muito certeiro.

E conseguiu manter os Estados Unidos fora da guerra até Pearl Harbor, por si apodado como «Dia da Infâmia». E os Estados Unidos, quase 100 anos após o conflito com o México, voltaram a estar em guerra com outro país.

Roosevelt terá sido, pela aparente grande aversão à guerra, o melhor embaixador que os americanos poderiam ter apresentado numa cimeira numa altura tão delicada. O grande objectivo dos Estados Unidos era engendrar uma organização internacional que pudesse supervisionar a calma do mundo. Nasceria pois a ONU.

Estaline, por seu turno, pretendia outro tipo de resultados. Queria zonas-tampão em torno do gigante que ocupava um sexto da terra emersa: a União Soviética tinha uma linha de fronteira extremamente longa e controlá-la na totalidade seria muito mais fácil se o país estivesse rodeado por estados amigos, não pelos Estados Unidos em representações regionais. E na Europa daria muito jeito ter uma Polónia a manter a Alemanha a uma distância segura.

A guerra acabou mais tarde nesse mesmo ano. As armas deixaram de troar noite fora, mas havia destroços de cidades e uma contagem de mortos que nos empalidece. O retrato geral não era feliz, com pobreza, doença e fome. Mesmo e a fé de que a paz tivesse vindo para durar era um pouco remota.

A Cortina de Ferro

A Europa Central era uma paisagem belíssima, mas o dourado das grandes cidades parecia desmaiado, usado sem respeito por herdeiros descuidados e ingratos. Os tempos de opulência pareciam ter sido atirados sem remissão para longínquos outroras. Nos campos trabalhava-se duramente, e a diferença entre o ocidente industrializado e o leste obsoleto e atrasado era notória nas lavouras, nos pomares e em toda a zona rural. Aos campos cuidados e ordenados da parte ocidental, com bons celeiros e belos edifícios nas quintas, opunham-se baldios e terrenos com construções toscas. As máquinas brilhantes e bonitas que os agricultores ocidentais ostentavam e que lhes permitiam optimizar o trabalho não passavam de imagens de ficção científica para os trabalhadores do outro lado. Se vissem a parafernália industrial dos congéneres ocidentais talvez cuidassem ter sido transportados para um admirável mundo novo onde o trabalho seria menos duro e a vida um pouco menos agreste.

A «cortina de ferro» não existiu literalmente, mas havia muitas peças metálicas de silhueta pouco amigável: torres de radar e de vigia, metralhadoras nas mãos de soldados que pareciam cheios de vontade de as utilizar e muito arame farpado. Era realmente fácil perceber onde acabava a democracia e começava o totalitarismo.

A expressão tinha sido cunhada por Churchill e por si popularizada, mas tinha sido inventada por Goebbels, o tenebroso ministro da propaganda de Hitler. A ideia de construir tal estrutura tinha estado realmente nos planos deste ideólogo do III Reich, responsável pela brutal Kristallnacht, quando os estabelecimentos dos judeus de Munique foram destruídos. O nome do episódio ficou a dever-se à enorme quantidade de vidro que cobriu as ruas da cidade.

A seriedade e perspicácia de Churchill nunca mostraram ser afectadas pelo seu sentido de humor nem pela capacidade de debitar máximas sonoras. Anteviu perfeitamente o futuro da Europa e do mundo. Percebeu que seria muito perigoso exigir grandes mudanças à futura Alemanha. Teria de ser assegurada a manutenção dos recursos do país, bem como um fluxo de rendas do exterior que permitisse a reconstrução exigida no período pós-guerra. Nunca se esqueceu que as condições económicas extremamente difíceis da Alemanha dos anos 30 ajudaram a abrir caminho para o totalitarismo nazi através do ressentimento da população. O erro não podia ser cometido uma segunda vez.

Os dois blocos que estavam prestes a vencer a guerra iriam dar início a uma batalha ideológica brutal. Apesar dos esforços em contrário dos líderes mundiais, a cortina de ferro veio realmente a tomar forma uns anos mais tarde. O muro de Berlim foi a consubstanciação do medo e das suspeitas do pós-guerra. Uma parede horrorosa tinha descido sobre uma parte do mundo, não sucedendo num deserto nem numa zona montanhosa. Estava bem à vista de todos numa das maiores cidades da Europa, como uma montra numa rua comercial. Um monumento de vergonha, um ápice da ideologia cega e absoluta. Famílias separadas, irmãos que nunca mais se tornariam a ver ou filhos retirados aos pais. O horror da morte em vida, da ausência eterna, sucedeu-se ao da morte pela bomba.

Churchill não viveu para ver o muro. Talvez, num dos seus ímpetos, o tivesse ornamentado com as suas frases empolgantes de esperança, embora conseguisse certamente ouvir ao longe o triste dobre a finados de tudo o que idealizou, o sino soturno da teimosia que não aprende sequer com os erros do passado recente.

Underground de Kusturica ou o nascimento de países, mas ainda mais a leste

Churchill conhecia a história e sabia de estratégia. Havia regiões onde a nacionalidade ucraniana se desenvolvera a partir dos séculos XIII e XVI e que eram parte da Rus de Kiev, estado nascido no século IX. Era a «terra russa». Após o desmembramento da Rus de Kiev, estas regiões passam a constituir os principados de Kiev, da Galícia e de Volínia, na margem direita do Dniepre, e os de Pereyaslav, de Chernigov e de Novgorod na margem esquerda.

Houve ataques dos kipchaks, um povo nómada, a partir de meados do seculo XI, originando a debandada dos habitantes das regiões de Kiev, que fugiram para nordeste, para a região de Rostov, ou procuraram refúgio nas florestas da Polésia e da Volínia, na Galícia e nas encostas dos Cárpatos. Houve conflitos e tréguas entre eslavos orientais, polacos e húngaros, e a região da Galícia, unida à Volínia em 1199, acolheu uma grande parte da elite da Rus de Kiev. A região de Kiev foi seguidamente saqueada pelos mongóis em meados do século XIII, e a Galícia tornou-se num centro da civilização eslava e ortodoxa, aberta às influências ocidentais que chegavam através da Polónia e da Hungria.

Os territórios devastados e despovoados do sul ucraniano foram anexados pelo Grão-Ducado da Lituânia nos anos 1350-1360, enquanto a Galícia-Volínia foi conquistada pela Polónia (1348-1366). A Ucrânia Ocidental ficou à mercê de um processo de a tornar polaca e que conduziria ao desaparecimento das elites ucranianas. O leste da Ucrânia também ficou sob influência polaca após a união das coroas da Lituânia e da Polónia, em 1385.

As populações do Grão-Ducado da Lituânia procuraram a protecção da Moscóvia e da Polónia contra os ataques dos tártaros da Crimeia a partir de meados do século XV. O estado moscovita anexou a maior parte da região de Chernigov em 1500-1503, enquanto as terras ucranianas do Grão-Ducado da Lituânia foram anexadas à coroa polaca pelo Tratado de Lublin (1569). A maior parte da Ucrânia passou a depender de um Estado católico. O patriarcado ortodoxo de Kiev e parte do clero ucraniano reconheceram a autoridade do Papa na União de Brest, em 1596. A nobreza polaca colonizou terras ucranianas, nas quais foram igualmente estabelecidas comunidades judaicas.

A narrativa dos confrontos alonga-se muitíssimo. Em Portugal temos nacionalidade há 900 anos e as fronteiras que exibimos como mais antigas da Europa. A ocupação árabe ocorreu no século VIII, sucedendo-se a reconquista cristã que aprendemos na escola. No resto do continente houve sempre cadinhos de crenças, etnias e teimosias que se empurravam para cá e para lá. Na zona do Mar Negro, as investidas de cossacos, mongóis, otomanos e outros povos transformaram a região num caldeirão.

Adiantando-nos um pouco, percebemos que estabelecimento dos russos no Mar Negro após a assinatura do Tratado de Kuchuk-Kaynarca (1774) e a anexação da Crimeia (1783) permitirão o desenvolvimento do sul da Ucrânia, também designado como «Nova Rússia».

Mais adiante, no século XIX ocorre um notável desenvolvimento do cultivo de trigo e beterraba, que o Império Russo exportou através dos portos que fundou no Mar Negro. O rápido desenvolvimento da mineração e da indústria metalúrgica a partir de 1870, graças sobretudo aos investimentos de capitalistas franceses, belgas e alemães, transformou a Ucrânia na região industrial mais importante do Império Russo. O desenvolvimento económico do final do século XIX conduz a cidades cosmopolitas, onde o russo se estabelece como língua dominante, enquanto no campo se continua a falar ucraniano.

A primeira metade do século XIX é decisiva para o desenvolvimento de uma consciência nacional no leste da Ucrânia. A elite intelectual estuda o folclore, a linguagem popular e a história do país. Participa em movimentos de oposição ao absolutismo do czar e primeira organização ucraniana de trabalhadores, o Sindicato dos Trabalhadores do Sul da Rússia, é fundada em Odessa em 1875. O governo russo, proscrevendo o termo «Ucrânia» em favor de «Pequena Rússia», adoptou uma atitude particularmente repressiva após a revolta polaca de 1863. Uma lei de 1876 proibiu a impressão de obras em ucraniano e permaneceu em vigor até a revolução de 1905, iniciada quando as forças do czar Nicolau II abriram fogo sobre camponeses em São Petersburgo.

A revolução disseminou-se para os militares, particularmente a frota do Mar Negro. Em Junho de 1905, a tripulação do couraçado Potemkin, estacionado no porto de Odesa, amotinou-se; em Novembro de 1905, a tripulação do cruzador Ochakov, ao largo de Sebastopol, também se amotinou.

A agitação camponesa foi uma característica da revolução na Ucrânia. Uma onda de greves de trabalhadores agrícolas tomou a zona nas Primaveras e no Verões de 1905, 1906 e 1907. Entre os partidos políticos ucranianos, o mais activo no apoio ao movimento camponês foi o Spilka, de cariz social-democrata.

Os ucranianos da Galícia preservavam uma série de liberdades desconhecidas na Ucrânia russa, como o ensino em ucraniano em escolas primárias. Mas, apesar da Constituição de 1860 e da alteração de estatutos de 1867, que garantia aos ucranianos direitos iguais aos de outras nacionalidades do Império Austro-Húngaro, a Galícia Oriental permaneceu dominada por uma rica aristocracia polaca e por uma burguesia urbana polaca ou judaica.

Após o início da Revolução Russa, foi criado em Kiev um Parlamento Central. Em desacordo com o governo interino, proclamou-se que a Ucrânia gozaria de um estatuto de autonomia sem se separar da Rússia. Reprovando a tomada de poder dos bolcheviques, o este Parlamento Central proclamou a «República Popular da Ucrânia» em Kiev em Novembro de 1917. Os bolcheviques, que estavam apenas firmemente estabelecidos cidades industriais do Leste e do Sul, proclamaram em Kharkov a «República Soviética da Ucrânia» no mês seguinte. O Parlamento retaliou declarando a independência da Ucrânia em Janeiro de 1918, mas as tropas bolcheviques ocuparam rapidamente as principais cidades do país no espaço de um mês.

A Ucrânia Soviética

A República Soviética da Ucrânia ficou ligada à Rússia soviética por um acordo militar e político concluído em Junho de 1919. Reconhecida pela Polónia no Tratado de Riga (Março de 1921), passou a fazer parte da União Soviética em Dezembro de 1922. CCCP, em que os «cês» se lêem como «esses» e o «pê» se lê como «erre». O cirílico é bem mais fácil do que parece e bem sabemos que aquelas quatro letras valem URSS – o U que parece a mais é por união em russo se escrever Soyuz (Союз), e o R, por ser P, representar República (Республик). Os outros dois C são para Socialistas Soviéticas.

Até ao início da década de 1930, os líderes bolcheviques implementam uma política de valores ucranianos para facilitar a construção do socialismo. Baseava-se no uso oficial da língua ucraniana na educação e na administração, assim como nos benéficos socias da população. O Partido Comunista da URSS impôs uma rigorosa centralização em Moscovo e o controlo da vida política e económica, ao mesmo tempo em que restringiu o nacionalismo ucraniano. Com uma colectivização forçada da agricultura implementada em 1929 e o infame holodomor de Estaline em 1933, que causou 6 milhões de mortes, o governo soviético impôs as transformações sociais e económicas previstas nos primeiros cinco anos, e, portanto, a consolidação da unificação. O governo de Moscovo opôs-se ao desenvolvimento do nacionalismo ucraniano eliminando quadros soviéticos ucranianos durante os expurgos estalinistas de 1937-1938.

A Ucrânia na Segunda Guerra Mundial

De acordo com as cláusulas do Pacto Germano-Soviético de Agosto de 1939, a URSS anexou os territórios polacos povoados pelos ucranianos, bem como Bucóvina e Bessarábia (1940), reunindo assim quase toda a nação ucraniana. A partir de 1941, a Ucrânia sofreu ocupação nazi, sendo libertada pelos soviéticos em 1943-1944.

O papel desempenhado pelos ucranianos ao nível da federação soviética foi escoltado pela russofonia imposta que afectou particularmente os ucranianos que viviam fora do território nacional. Em 1986, o acidente nuclear de Chernobyl acelerou a revolta, que se cristalizou em torno da questão do ensino em ucraniano. Em 1989, a Perestroika ganhou rapidamente popularidade na parte ocidental do país, que permanecera menos russófona e onde a orientação religiosa predominante era a Igreja Católica Bizantina Rutena. No entanto, os comunistas venceram as eleições para o Soviete Supremo em Março de 1990. O fracasso do golpe comunista de Moscovo, quando se tentou afastar Gorbatchev do poder, decorreu entre 19 e 21 de Agosto de 1991 e acelerou prontamente a história: três dias depois, a 24 de Agosto, a Ucrânia, soberana desde Julho de 1990, proclamou a sua independência.

Foi esta jovem de 30 anos violada agora pela Rússia; não, pela Rússia não, e importa salientar o incómodo e a vergonha que sente a maior parte dos russos com este acto bárbaro. Por Putin e pelos seus lacaios. Urge portanto toda a punição.

Pedro Cotrim

Editor