Depois de ultrapassada a crise provocada por ela própria, Wall Street enfrenta agora uma nova e inesperada realidade: escolher a banca como primeiríssima opção de carreira por parte das mentes jovens e brilhantes que saem das melhores universidades do mundo já não é uma certeza inabalável. E os motivos para tal são vários
POR HELENA OLIVEIRA

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Talvez seja ainda apressado chegar a alguma conclusão ou afirmação de que estamos perante um fenómeno de “suicídios em série” depois de, ao longo dos últimos seis meses, terem sido seis os jovens que saltaram, literalmente, para a morte em locais tão distintos como os Estados Unidos, Hong Kong ou Londres. Em comum, tinham o facto de trabalharem na área financeira, cuja cultura de pressão e de longas horas de trabalho é sobejamente conhecida e inspiradora de muitos estudos, livros e filmes. Se é verdade o velho ditado que reza que “quem corre por gosto, não cansa” poderia ser utilizado neste contexto, existem vários ângulos através dos quais se pode olhar para este fenómeno. Sim, a ganância desmedida parece continuar a ditar as regras no mundo financeiro; trabalhar em Wall Street já não é sinónimo de se chegar (para os que aguentam) a milionário antes dos 30 anos e, lentamente, a cultura da alta finança está a sofrer alguns ajustamentos. Estas três afirmações podem ser consideradas contraditórias, mas a verdade é que todas elas espelham várias realidades.

Em 1989, e numa obra semi-biográfica, Michael Lewis escrevia o livro “Liar’s Poker”. Saído da prestigiada universidade de Princeton, passando pela não menos reconhecida London School of Economics, o autor conseguiu uma almejada posição numa das primeiras firmas de investimento de Wall Street, a Soloman Brothers. O livro relata a sua ascensão ao longo de três anos na escadaria dourada do paradisíaco inferno financeiro, ao mesmo tempo que descreve os bastidores da ganância, gula e fortunas escandalosas que tão bem o caracterizavam e, é claro, tem como base o escândalo que abalou a poderosa instituição financeira em meados dos anos de 1980.

E Wall Street foi, principalmente desde esta data, palco dos mais turbulentos e suculentos negócios, de lucros chorudos e do endeusamento de excessos, tão bem retratados no recente filme “O Lobo de Wall Street” ou no próprio “Wall Street” , cuja sequela deu origem a “O dinheiro nunca dorme”. Na altura, a intenção de Lewis com a publicação deste livro ao qual chegou a chamar um “manual de utilizador” – desencorajar as jovens elites a começarem as suas carreiras em Wall Street – teve exactamente o efeito contrário. E os excessos viraram sinónimo de “muito sucesso”.

Mas então onde reside a novidade face aos dias de hoje? Para já, num livro lançado há poucos dias, naquilo que se poderá chamar de “timing mais do que perfeito”. E porquê? Por variadas razões. Perfeito devido à atenção que os meios de comunicação estão a dar actualmente a estas mortes “coincidentes”, ao facto de algumas das mais poderosas instituições de Wall Street terem começado a sugerir que não querem que os seus jovens e promissores trabalhadores se matem (literalmente) a trabalhar sete dias por semana e também porque é o primeiro livro do género a “olhar” para Wall Street no período pós-crash de 2008, tendo os jovens como personagens principais.

Intitulado Young Money: Inside the HiddenWorld of Wall Street’s Pot-Crash Recruits, o livro, escrito pelo jornalista Kevin Roose, relata a vida de oito jovens recrutados pela Goldman Sachs e pelo Bank of America Merrill Lynch, os quais desobedeceram (anonimamente, é claro) às restritas cláusulas de “não divulgação” obrigatórias nas políticas destas instituições. Ao longo de três anos, o igualmente jovem autor (que escreve para a New York Magazine) teve acesso, através de longas entrevistas, aos bastidores dos empregos de sonho – que rapidamente se tornam em pesadelo – destes oito juniores, todos eles mentes brilhantes saídos das mais reputadas universidades norte-americanas e que, entre si, cobrem às áreas do trading, das fusões e aquisições e da gestão de risco.

Atentemos, então, à diferença número um: se, em 2006, a universidade de Princeton enviava 46% dos seus melhores alunos para Wall Street, em 2012, apenas 11,5% dos mesmos manifestaram interesse em escolherem o caminho da alta finança para as suas vidas. Esta pode ser uma das razões para o “aligeirar” das exigências em termos de devoção total ao trabalho (e ao dinheiro) que as grandes firmas de Wall Street começam a manifestar. Um outro dado interessante: se, antes do crash de 2008, trabalhar na banca significava a “default option” para os talentosos ambiciosos, esta está a ser gradualmente substituída por um novo império de “caça ao emprego”. Com uma cultura muito mais “cool”, inovadora, optimista e igualmente bem paga (em alguns casos, até mais materialmente recompensadora), Silicon Valley está agora no mapa das preferências dos alunos de elite. “Trabalhar hoje na Google ou no Facebook significa o mesmo do que trabalhar na Goldman há uns anos”, afirma Kevin Roose.  E isso significa que Wall Street já não tem o glamour de outros tempos? Sim, pelo menos e face ao período dourado dos últimos 20, 30 anos (exceptuando os anos da crise), o sector poderá estar a sofrer de uma “crise de recrutamento”.

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Do entusiasmo ao desespero ou porque Wall Street não é para (estes) jovens
“Depois de algumas cervejas bebidas depois do trabalho, dois empregados juniores do Goldman Sachs começaram a pensar na melhor forma que teriam para se suicidar: ‘se o objectivo for infligir o máximo de danos psicológicos possível [ao empregador], o melhor seria estares na tua secretária, a meio do dia e rebentares lá os miolos’, diz Jeremy Miller-Reed, de 23 anos. ‘’, responde Samson White, de 22. ‘Sabes o que aconteceria? Todos os outros analistas receberiam um email dos associados que diria: ‘vocês podem limpar essa porcaria?’ E os nossos colegas voltariam de imediato ao trabalho’”

O excerto é retirado do livro e Jeremy e Samson (nomes fictícios) eram, na altura, dois analistas de primeiro ano no famoso Goldman. Tal como escreve o autor de Young Bankers, o que, no período de um ano, ano se lhes afigurava como o maior golpe de sorte das suas vidas – um salário inicial entre os 90 mil e os 140 mil dólares anuais, sem contar com os bónus e com os benefícios inerentes a quem entra no maravilhoso mundo da banca de investimento – estes e os demais seis jovens entrevistados ao longo de três anos, perderam, rapidamente, as ilusões. “Não houve uma entrevista sequer em que não tenham falado das suas lutas com a depressão, de problemas de saúde, cansaço extremo ou em que não tivessem expresso o desejo de desistir ou simplesmente se queixado que trabalhar na área financeira estava a arruinar os prazeres de uma vida normal”, escreve Kevin Roose, num artigo por ele assinado na revista The Atlantic. Ou, e por outras palavras, ao contrário do que acontecia em épocas anteriores, a forma como a vida destes oito jovens é retratada tem como condimentos principais o tédio e o “sugar das suas almas”, o que parece já não justificar os salários de seis dígitos outrora tão cobiçados.

Para Kevin Roose, existem três grandes factores por excelência que explicam por que motivo Wall Street está a deixar de ser o local de trabalho de eleição para quem é jovem, talentoso e pretende ganhar muito dinheiro.

O primeiro está relacionado, como não poderia deixar de ser, com a enormidade de horas que são passadas a trabalhar. Em média, os analistas trabalham entre 100 a 110 horas semanais, as suas refeições são comidas à secretária, família e relacionamentos são “proibidos” e se “um cliente precisa de uma apresentação em PowerPoint às quatro da manhã do dia de Natal, é seu dever acordar, levantar-se e voltar ao escritório”. Roose conta em várias entrevistas que têm acompanhado a promoção do seu livro que um jovem banqueiro costumava brincar exactamente com o horário “normal” de um profissional da banca: “ na verdade, fazemos o tradicional horário de trabalho das 9h às 5H, só que no nosso caso, as 9H são de hoje e as 5H são de amanhã”. A juntar a esta privação de sono e de vida, o estado de ansiedade perpétua que sentem – dada a imprevisibilidade própria da profissão e da incapacidade de fazerem planos pessoais tão simples quanto marcar um jantar com a namorada – contribui para o estado de desespero que muitos destes jovens acabam por encontrar no início das suas vidas profissionais.

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As remunerações douradas também sofreram algumas alterações depois da crise de 2008, em conjunto com o aumento de pressão a que as instituições financeiras ficaram sujeitas depois dos abusos por elas cometidos, estando agora sujeitas a um escrutínio muito mais significativo. Todavia, e muito por culpa dos recrutadores “especializados” que perseguem e convidam estes jovens a fazer parte do clube elitista de Wall Street, muitos deles acabaram por encontrar um cenário remuneratório (e profissional) bem diferente do que imaginavam enquanto estudantes.

Outrora, era quase certo que um jovem banqueiro ou trader fosse recompensado principescamente ao longo dos seus primeiros anos de carreira. Quase certa era também a possibilidade de que os melhores poderiam, mesmo, atingir o estatuto de milionários antes do 30º aniversário. Contudo, depois de 2008 e apesar de a banca estar a voltar aos lucros considerados por tantos como verdadeiramente “vergonhosos”, o caminho para a mina de ouro começou a contar com mais obstáculos. Tal como escreve Roose, as novas regulamentações entretanto impostas para evitar uma outra crise financeira tornaram a banca menos lucrativa (apesar de, e como é sabido, o consenso relativo a esta matéria não existir) e a turbulência nos mercados significa que até os jovens banqueiros – os quais, tradicionalmente, eram imunes a despedimentos durante as recessões devido ao facto de serem “baratos” comparativamente aos seus pares seniores – estão em risco de perderem os seus empregos. Pese embora o facto de os mercados estarem em franca recuperação, bem como os lucros de muitas das firmas abaladas durante a crise, a verdade é que “a jovem” Wall Street ainda não reganhou o sentimento de segurança necessário.

Por último e de acordo com Roose, “pode parecer estranho, mas são muitos os jovens que entram em Wall Street esperando fazer do mundo um local melhor”. Para o autor, este idealismo é culpa dos recrutadores, que “aliciam os estudantes com promessas de ‘responsabilidade para com o mundo real’ e rapsódias de investimentos socialmente responsáveis”. Tal como Jeremy conta numa entrevista, “um dia, o meu chefe chamou-me à parte e disse-me: ‘nós não estamos aqui para salvar o mundo. Nós existimos para fazer dinheiro”.

Uma nota de curiosidade: um dos motivos para alguns dos jovens escolherem Wall Street para iniciar as suas carreiras prende-se com um fenómeno que, tradicionalmente, não estava relacionado com o magnetismo da alta finança: de acordo com uma entrevista que Roose deu ao The New York Times e face à desigualdade crescente entre ricos e pobres, os astronómicos empréstimos que os estudantes menos abonados contraem para subsidiar os seus estudos deixam-nos cheios de dívidas que têm de ser saldadas o mais rapidamente possível. Ora e apesar de o sector financeiro ter perdido algum do seu brilho, continua a ser uma das áreas em que se ganha melhor e mais rapidamente, o que acaba por influenciar as “escolhas” dos menos afortunados. Como diz Roose, “trabalhar em Wall Street é a maneira mais rápida de se pagar dívidas e, para muitas pessoas que advêm de meios menos privilegiados, continua a ser uma boa opção”.

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Wall Street quer mudar ou estão a obrigá-la a fazê-lo?
“Os analistas e associados que pertencem à divisão da banca de investimento norte-americana do Credit Suisse devem abandonar os seus escritórios às 6H da tarde de sexta-feira e apenas voltar às 10h da manhã de Domingo, a não ser que estejam a trabalhar em algum negócio activo”. A transcrição foi feita a partir de um memorando interno do banco em causa, publicado pela Bloomberg News e faz parte de uma recente “tendência” para “melhorar as condições de trabalho das firmas em Wall Street”.

O Credit Suisse limitou-se a seguir o exemplo de alguns outros bancos, entre os quais se incluem o Goldman Sachs e o Bank of America Merrill Lynch – por coincidência, os dois bancos para os quais os oito jovens retratados trabalhavam (sim, alguns já desistiram entretanto) – que tentam “suavizar o fardo” dos seus empregados mais jovens. Sem contar com os seis suicídios já citados anteriormente, no Verão do ano passado, um jovem alemão de 21 anos que estava a estagiar nos escritórios de Londres da Merrill Lynch, morreu de um ataque epiléptico enquanto tomava um duche. Segundo a BusinessWeek, o ainda estudante Moritz Erhardt, que participava num programa de intercâmbio promovido pela escola de negócios da Universidade de Michigan Ross estava a trabalhar 100 horas por semana. Os três dias e noites que antecederam a sua morte foram totalmente passados no local de trabalho. De acordo com um porta-voz do banco, citado pela mesma revista, “é possível que o facto de Moritz ter trabalhado tão arduamente tenha constituído um ‘gatilho’ para o seu ataque epiléptico, mas tal não passa apenas de uma possibilidade”.

Esta súbita preocupação da parte da banca pelo bem-estar dos seus colaboradores, em particular dos mais jovens, poderia soar bem. Numa altura em que a responsabilidade social das empresas continua na ordem do dia, faria sentido pensar que os “barões” de Wall Street e das suas congéneres mundiais estão verdadeiramente preocupados com a saúde das suas jovens estrelas.

O problema é que ninguém acredita que o motivo seja de louvar. Por um lado, a cultura em Wall Street sempre foi adepta deste tipo de “trabalhar 24 horas por dia/sete dias por semana” [o Ver dedicou um extenso artigo sobre esta matéria]. Como afirmou um também estagiário ao The Guardian, citado num artigo da Businssweek cobre a “cultura workaholic de Wall Street” “toda a gente quer demonstrar que tem o que é necessário para vencer numa indústria que exige resistência”. Aliás, os que aguentam “noitadas” seguidas falam do assunto como se tivessem uma medalha ao peito. No mesmo artigo, pode ler-se que “num ambiente como o da Goldman, que recebe 17 mil candidaturas por ano e das quais só pode escolher uma média de 350”, é exactamente o número de horas trabalhadas que se transforma num elemento distintivo.

Então quais são os verdadeiros motivos para que, de repente, as grandes firmas financeiras tenham ficado tão boazinhas?

Tal como já foi anteriormente mencionado, Wall Street está a sofrer uma nova crise e não é financeira, mas sim de recrutamento, sendo várias as fontes consultadas que confirmam os novos e menos atraentes números de jovens que ali pretendem iniciar as suas carreira. E num artigo também publicado por Kevin Roose na rede LinkedIn, o autor explora muito bem esta ideia, afirmando contudo que o facto de se “oferecer” um Domingo livre aos banqueiros juniores não será suficiente para os atrair da mesma forma que, tradicionalmente, tão bem resultava.

Para o autor de Young Money, e no seguimento dos resultados das pesquisas que realizou para escrever este livro, Wall Street enfrenta agora pelo menos quatro grandes problemas que obstam a uma “sedução” adequada desta nova geração de mentes brilhantes.

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Os bancos são maus a venderem-se a si próprios
Ao longo dos últimos anos, Kevin Roose infiltrou-se nos vários eventos de recrutamento para as grandes firmas de Wall Street. Definindo-os como “todos iguais uns aos outros” – e que ocorrem em salas pejadas de centenas de estudante aos quais são mostrados vídeos entediantes sobre as virtudes da banca, ao mesmo tempo que usam e abusam das buzzwords da gestão que, entretanto, vão estando na moda – Roose afirma ser impossível não os comparar com o estilo de recrutamento que caracteriza o sector das tecnologias: dando a Google como exemplo, que oferece pizza grátis e organiza animados concursos de programação, o autor afirma que se uma empresa pudesse apenas ser julgada pela forma como recruta, a Google seria descrita como vibrante, “na moda” e jovem comparativamente a um Goldman Sachs indigesto, hierárquico e velho.

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A banca continua a ignorar “o elefante que tem na sala”
Para Kevin Roose, em 2013, entrar em Wall Street depois de terminados os estudos consiste numa decisão tão moral quanto profissional. Desde 2008, os bancos perderam uma enorme parte do seu “cachet” e os jovens que trabalham na área financeira devem ter a perfeita noção de que, inevitavelmente, causarão sofrimento aos amigos, à família e aos colegas. Mas e mesmo assim, comenta Roose a propósito das suas experiências “escondidas” nos eventos de recrutamento, “nunca ouvi nenhum representante de um grande banco dizer aos alunos presentes nestas sessões o seguinte: ‘eu sei que vocês ouviram, com certeza, um conjunto de coisas más sobre Wall Street  nos últimos anos – derivados tóxicos, processos devido a suspeitas de inside trading, corrupção e fraude. E, para ser honesto, se vocês optarem por trabalhar connosco, muita gente próxima de vocês irá julgá-los por causa disso. Mas deixem-me assegurar-vos que não temos assim tanta ganância nem falta de ética, sendo que estamos a fazer os nossos melhores esforços para reparar os erros que cometemos durante a crise’”. Para Roose, se este tipo de discurso fosse proferido, poderia aumentar a quantidade de jovens que considerariam o Goldman, por exemplo, como um local onde não teriam de “vender a alma” para ali trabalhar.

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Os bancos não são “amigos” da geração millenial
Roose afirma não ser um adepto das generalizações que se fazem sobre a denominada geração “millenial”, assumindo, contudo que, de acordo com aqueles que o são, os bancos são particularmente maus a oferecer aos jovens desta geração o que esta, por norma, ambiciona. O autor cita um estudo elaborado pela PricewaterhouseCoopers, de 2011, no qual se conclui que os millenials valorizam sobremaneira os horários flexíveis e uma formação robusta em detrimento de salários elevados. Os mesmos “apreciam e esperam ter um feedback detalhado e regular, em conjunto com elogios se o trabalho tiver sido bem feito” – factores que são comuns na cultura de optimismo vivida em Silicon Valley e noutros lugares “conexos”, mas que são extremamente raros na banca de investimento, onde as avaliações são praticamente inexistentes e o criticismo é particularmente rápido e impiedoso. Na pesquisa que fez para o livro, Roose afirma ter escutado histórias recorrentes de jovens que foram levados às lágrimas por superiores que com eles gritavam por erros insignificantes – como um erro sem consequências graves num relatório de 300 páginas -, ao mesmo tempo que as tarefas cumpridas não gozavam de qualquer tipo de reconhecimento.

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A banca já não é a mina de ouro de outrora
Como também já foi referido neste artigo, e no que respeita ao desejado vil metal, a maior razão, de acordo com Roose, devido à qual Wall Street já não é o paraíso do recrutamento deve-se ao simples facto de o dinheiro já não jorrar tão fortemente comparativamente a valores de 2006. Actualmente, e apesar dos jovens analistas da banca continuarem a ganhar mais comparativamente aos seus pares em outras áreas – um salário base que ronda os 70 mil dólares anuais com um bónus de final de ano entre os 10 mil e os 60 mil dólares – os estudantes das mais bem reconhecidas universidades dos Estados Unidos têm igualmente ao seu dispor outro tipo de sectores que lhes paga igualmente bem ou até melhor. E se os candidatos a um lugar na alta finança souberem que poderão ganhar muito dinheiro também numa start-up mais promissora do que uma firma de investimento, mesmo com riscos acrescidos de possíveis fracassos, a escolha torna-se mais fácil.

Em suma, a banca já não é o que era, e isso poderá contribuir para que aprenda algumas lições, apesar de o susto da crise financeira que a assolou parecer ter já sido arrumado num canto, voltando-se aos mesmos procedimentos e comportamentos que levaram a essa mesma crise. Burro velho não aprende línguas? Talvez os próximos tempos ditem que terá mesmo de aprender.

Helena Oliveira

Editora Executiva