Num mundo de grandes indefinições, numa volatilidade global jamais vista, Portugal continua a assistir a uma degradação política – e dos seus representantes políticos -, difícil de definir e, principalmente, difícil de ajuizar
POR DAVID ZAMITH

Desde há muito que visionáramos que o Jogo da Política – porque efectivamente se trata de um jogo -, é o meio de sobrevivência para aqueles que, do quase nada, impreparados, sem experiência de vida e de gestão, se agarram que nem lapas ao poder, que nem os porcos do bestseller “The Animal Farm”, a um poder que tudo lhes dá, delapidando tudo que os rodeia, ao abrigo da democracia, de uma retórica doentia, que tudo tem justificado.

Mas não nos iludamos. Também nós somos grandes culpados, como sociedade dos cidadãos, das elites do conhecimento e da prática das dificuldades da gestão que, comodamente, temos mantido, expectantes, na nossa zona de conforto. Chegou o tempo de darmos um passo em frente e ajudarmos o nosso Portugal a sair do buraco. A ACEGE é um exemplo disso. Com dedicação competente, verdadeira, humana e voluntariosa vê, e não será por acaso, a sua associação em crescendo, de notoriedade, de participação activa, de focalização nos temas fundamentais, bem como em número dos seus membros, num acréscimo significativo de líderes empresariais jovens!

É tempo de parar para pensar, questionarmo-nos sobre qual a legitimidade do Estado e do poder político, focalizando as nossas acções nos temas dramáticos a que todos os nossos políticos da governança nos levaram, e que sintetizamos, patentes no resultado actual a que o “Jogo da Política à Portuguesa” nos trouxe:

  • Desemprego = 930.000 Pessoas = 18% e a crescer = 55% sem apoio social!
  • Pobreza = 2.600.000 Pessoas = 26% e a crescer!
  • Família = atacada sem precedentes, de forma cega, sem futuro!
  • Valores = os princípios estruturantes da sociedade, na lama!
  • Pessoa Humana = como ponto-chave de uma constelação que se deseja virtuosa, onde a dignidade da Pessoa Humana tem que ser o centro, esquecida pelos socialistas e sociais-democratas Portugueses que, de forma errática, trocam a Pessoa pelo seu interesse pessoal e dos números!

Estes são os dramas que assolam Portugal e para onde todas as energias devem ser focalizadas num esforço colectivo, com as elites do conhecimento a liderarem um processo de renovação para o País. Devemos, igualmente, juntar um outro elemento, fundamental para o acreditar, o da verdade. Só com verdade será possível a mobilização de uma sociedade perdida que, não esqueçamos, continua em pré-falência, mas na qual muitos líderes empresariais mostram o caminho a seguir, como o exemplo titânico e positivo das exportações. E só por aqui, pela economia real, poderemos reformar, criar empresas e, assim, gerar emprego. Tudo com que, e de forma doentia, os políticos nos bombardeiam diariamente está fora da realidade. Estes querem encobrir as suas incapacidades de gestão, manter as vaidades e principalmente não perder as suas “vantagens”, para si e para os seus pares, correligionários das cadeias partidárias.

A troika aponta, claro, para as reformas estruturais, das quais os políticos, todos, tentam fugir como o diabo da cruz, já que sabem que isso significa a destruição de parte do seu “habitat” natural de distribuição de “pelouros” (vulgo tachos). A troika, desde o primeiro dia em que falou aos Portugueses, afirmou e vem afirmando, duas coisas:

  • Portugal é um país sem competitividade interna.
  • As reformas estruturais serão fundamentais para o sucesso do programa.

Pergunto-me: por que motivo estes dois importantíssimos pilares foram sistematicamente adiados, pela governança e pela oposição dos socialistas que, não esqueçamos, nos trouxeram até aqui? A resposta é clara, porque se desejarmos um Portugal novo, com modernidade estrutural, temos que alterar o estado da economia e isso traduz-se na redução de “lugares disponíveis” para a satisfação das cadeias partidárias. Ou não será?

Os tempos são difíceis, e vão continuar difíceis por muitos anos, mas há luz ao fundo do túnel, desde que os cidadãos assumam a sua responsabilidade, numa visão de estratégias de verdade, através da saída do Estado da economia, da privatização das empresas públicas deficitárias (nossos impostos), pela reforma da lei eleitoral, pela responsabilização política e dos políticos, pela redução urgente do parlamento, pela fiscalização real dos “sinais exteriores de riqueza”, pela construção de uma sociedade focalizada na Pessoa Humana e na sua Dignidade.

David Zamith
ACEGE – Núcleo do Porto