Se aumentarmos a vida útil dos produtos e mantivermos os materiais durante mais tempo no ciclo de vida, estamos não só a diminuir a dependência dos recursos naturais que são, como todos sabemos, cada vez mais escassos, como a diminuir a produção de resíduos, estando então a criar dinâmicas de circularidade
POR FERNANDO LEITE

Hoje cabe-me a mim falar-vos de Economia Circular e faço-o com um enorme prazer.

Muito se tem ouvido falar no termo “Economia Circular”. Mas será que todos sabem o que realmente significa Economia Circular?

Economia Circular consiste num modelo económico regenerativo e restaurador, em que os recursos (materiais, componentes, produtos, serviços) são geridos de modo a preservar o seu valor e utilidade pelo maior período de tempo possível.

Mas ainda assim, o que quer realmente dizer Economia Circular?

Se refletirmos na forma como as sociedades se têm desenvolvido, não é difícil de percebermos que os produtos resultam da transformação de recursos naturais que, após utilização, são descartados como resíduos. Baseado neste modelo, designado modelo linear de economia, quanto maior for o poder de compra dos indivíduos, mais produtos são adquiridos e, consequentemente, maior é a produção de resíduos.

Se se alterar esta perspetiva, aumentando a vida útil dos produtos e mantivermos os materiais durante mais tempo no ciclo de vida, estamos não só a diminuir a dependência dos recursos naturais que são, como todos sabemos, cada vez mais escassos, como a diminuir a produção de resíduos, estando então a criar dinâmicas de circularidade.

E o porquê de estarmos hoje a abordar este conceito?

Não será, certamente, novidade ao dizer-se que a humanidade, na atualidade, enfrenta múltiplos e complexos desafios. Enfrentamos uma crise climática, que os especialistas afirmam em apelidar de emergência climática, assistimos ao declínio dos ecossistemas terrestres e oceânicos, o metabolismo industrial ainda é lento, na medida em que as nossas economias são tendencialmente acumulativas em materiais, as desigualdades sociais têm-se acentuado e a economia mundial permanece instável após a última crise financeira de 2008.

Mas também é certo dizer-se que as “ferramentas” de que dispomos serão as mais evoluídas do que em qualquer época e que o conhecimento de que somos detentores é maior do que jamais foi.

Portanto, se hoje a economia global é apenas 8,6% circular, dizem os estudiosos, há todo um leque de oportunidades que possa reverter esta tendência, facilitando um novo modelo de desenvolvimento.

Processos de transição quaisquer que sejam, e em particular este, de passarmos de sociedades baseadas num modelo de desenvolvimento linear para um modelo circular, são morosos, custosos e difíceis.

Portanto, o que é que está a faltar para tornar o nosso “mundo” mais circular? Precisamos de soluções transformadoras e de abordagens inovadoras, precisamos de capacitação, de liderança e de agendes de mudança.

Dou como exemplo a expansão na implementação de estratégias de partilha (bens ou serviços), reutilização (de materiais) e reparação (de equipamentos), bem como em se diminuir a nossa dependência da utilização de recursos naturais, substituindo-os por materiais que já tenham sido processados e sejam considerados resíduos.

Na LIPOR, Organização que represento, já assumimos claramente a gestão do resíduo como recurso, abordagem esta que tem por base um modelo circular de negócios e com criação de valor partilhado.

Porque, não tenho qualquer dúvida, de que a oportunidade é real, a oportunidade é agora, pois todos sabemos que não há um PLANETA B.