As empresas que colocam o cliente no topo das suas prioridades são empresas que preparam os seus colaboradores para agirem como líderes, para assumirem a responsabilidade do que fazem e tornarem qualquer experiência com os seus clientes inesquecível
POR ANABELA CONDE*

Anteriormente a liderança era vista apenas numa versão unidireccional: mandava-se e era feito. Cumprir as directivas do patrão era o que se esperava de qualquer funcionário. Mas o mundo foi mudando. Convulsões sociais, alterações económicas, crescimentos, oportunidades, mercados que se desenvolvem e outros que se desfazem, fizeram com que não só o conceito de liderança mas a própria definição de líder fossem alterados.

Em projectos que fazemos com empresas e que envolvem as lideranças das equipas, uma questão que habitualmente surge é a capacidade inata de liderar. A conclusão é quase unânime. Pode existir o dom da liderança, pessoas que de forma natural têm essa capacidade mais desenvolvida, mas estas pessoas têm de ser acompanhadas e apoiadas para que evoluam da forma mais correcta. O dom de liderar, de inspirar e motivar os outros pode ser utilizado para conquistar e para destruir.

Para as pessoas que têm este dom, tem de existir um ambiente propício ao seu desenvolvimento, tal e qual como uma pessoa que tenha o dom para a música. Se lhe forem dadas oportunidades de brilhar, de treinar, de praticar de forma consistente, então pode atingir a perfeição. Aos colaboradores que têm esta capacidade têm de ser dadas as condições para poderem exercer, aprender mais, melhorar e crescer.

Há diversas formas de um líder se aperfeiçoar. A formação é uma delas. Existem diversos métodos de formação em liderança, e tal como a visão sobre a liderança mudou com o mundo, também a maneira de formar se transformou. Inovação é uma das directrizes que tentamos sempre seguir nas nossas formações, por isso estamos em constante procura por novas maneiras de formar líderes. Exemplo disso são o “Liderança 360° com Cavalos” e “Projectar a Liderança”, dois workshops que tratam a liderança de maneira diferente e revolucionária.

“O líder não tem de ser dono de toda a verdade. As soluções podem e devem ser encontradas pela equipa e com ela” .
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Num utiliza-se a interacção com os cavalos, para que cada pessoa possa identificar os seus pontos fortes e as suas áreas de melhoria no que toca ao seu posicionamento enquanto elemento influenciador; e no outro, usa-se o método de storytelling para adaptar lições de liderança ao dia-a-dia das empresas, mostrando que não é preciso ter um título para liderar e que liderança tem a ver com fazer de forma excepcionalmente profissional o que se faz e, assim, motivar e entusiasmar outros a terem o mesmo tipo de conduta.

O líder não tem de ter todas as respostas ou ser dono de toda a verdade. As soluções podem e devem ser encontradas pela equipa e com ela. Como líder ensine os seus colaboradores a procurar respostas, a serem curiosos e a pensarem na mudança como algo positivo. Divida as tarefas e os objectivos com a equipa, e ela trabalhará com outro ânimo em direcção aos objectivos delineados.

Também as empresas que colocam o cliente no topo das suas prioridades são empresas que preparam os seus colaboradores para agirem como líderes, para assumirem a responsabilidade do que fazem e tornarem qualquer experiência com os seus clientes inesquecível. Procure exemplos de liderança na sua equipa. Não têm de ser os mais populares, mas decerto são os que “vestem a camisola”, os que pensam sempre no cliente, aceitam desafios e assumem responsabilidade, tratando a empresa como se fosse deles e a todos com respeito.