De provérbios a instrumentos de política internacional: “Duas cabeças pensam melhor que uma”, “A união faz a força” e “Juntos somos mais fortes” têm insistido em permanecer no nosso discurso como objeto de sabedoria ao longo dos séculos. Hoje estão incluídos na Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas, no 17.º Objetivo para o Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas – Parcerias para a Implementação dos Objetivos
POR INÊS SEQUEIRA

A vida em comunidade traz diversos desafios a vários níveis, e se há benefício a destacar é a identificação de problemas comuns e a consequente criação de conhecimento na procura de soluções para esses mesmos problemas, tendo como origem a diversidade inerente a um dado conjunto alargado de pessoas. Por esse motivo, as cidades tornaram-se pólos de inovação, com soluções em rede e de valor acrescentado para o ecossistema, como nas áreas da energia, mobilidade e gestão de resíduos, como assistimos nos dias de hoje, por exemplo.

As cidades são afinal palcos importantes para a experimentação e cocriação de soluções, que têm aqui a oportunidade de escalar, impulsionadas pelas características próprias das urbes através de laços e parcerias (“A união faz a força”, lembram-se?), criando sinergias. Destas parcerias, há uma que se tem provado invencível: o consórcio entre as Organizações Sociais, o Estado, as Empresas Privadas e a Sociedade Civil (empreendedores).

O “quarteto fantástico” para o desenvolvimento sustentável tem por objetivo potenciar o impacto positivo nos planos social e ambiental. Tradicionalmente, os privados já têm a responsabilidade social, mas cada vez mais percebem que não é apenas uma ação feita fora e para fora, é também algo que deve ser incorporado no modelo de negócio e nos produtos das próprias empresas. Este novo paradigma é visível, por exemplo, na vertente ambiental, onde as empresas procuram causar o menor impacto possível no meio ambiente, com escolhas verdes para reduzir o consumo e reutilizar.

Agora pensemos em cruzar metas de todos os interessados, para um objetivo comum, partindo da heterogeneidade de contextos e experiências enriquecedoras para a transferência de conhecimento intra e intersetorial. As parcerias para o impacto, previstas em acórdão mundial, possibilitam a inovação e a resolução de desafios que nos são comuns, como a fome, a falta de educação, o emprego, a saúde e a urgência climática.

Este modelo de inovação social surge do cruzamento das capacidades que a sociedade civil (startups e empreendedores), empresas, organizações sociais e Estado, têm para resolver problemas sociais e ambientais de forma eficaz e em grande escala: o Estado detém a rede e o poder de implementação, e fundos de apoio; as organizações sociais conhecem o tecido social e os problemas de perto; as empresas, possuem o músculo financeiro e o conhecimento técnico; e a sociedade civil a capacidade de empreender e desenvolver soluções ágeis e capazes.

É por isso que a Casa do Impacto, que tem como missão potenciar modelos de inovadores e de impacto, recorreu a uma diversidade de parceiros para a sua fundação, nomeadamente a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Fundação Aga Khan (fundações privadas de cariz social), o Portugal Inovação Social, a Câmara Municipal de Lisboa (organismos do Estado), a Startup Lisboa (associação fundada por empresas privadas e Estado), o Banco Montepio (empresa privada) e as startups <Academia de Código_>, Speak, IES – Social Business School e Maze, que intervêm na criação, desenvolvimento e implementação de estratégias de apoio às startups incubadas, para soluções otimizadas.

A London School of Business and Economics partilha da mesma visão. A vinda do LSE Generate, o hub de empreendedorismo social daquela universidade para projetos de impacto, para a Casa do Impacto, tem como objetivo fomentar sinergias entre atores e sublinhar a importância das parcerias internacionais, num mundo global e com desafios globais. Recentemente, recorremos ainda a grandes grupos portugueses e europeus de caráter privado, como a Hovione, Ageas e Grosvenor, e a organizações sociais como a Lisboa E-Nova, para criarmos um novo programa de aceleração para startups ligadas ao ambiente, que vai abrir candidaturas durante o mês de outubro.

Dentro da Casa do Impacto temos grandes exemplos bandeira do ODS 17, como a GoParity, que angaria verbas no seio da sociedade civil, para investir em projetos de sustentabilidade de cariz privada e organizações sociais, muitas vezes participando em rondas de financiamento partilhadas com organismos públicos; a Seasheaperd, uma organização mundial que trabalha lado a lado com forças policiais como a INTERPOL para ajudar a levar caçadores furtivos à justiça, e tem parcerias com governos de todo o mundo para travar a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada que ocorre nas suas águas territoriais; e a Youth Climate Leaders, uma comunidade mundial ​​que capacita jovens para liderarem soluções para a crise climática, apoiando-se numa rede global de organizações sociais e empresas.

No ecossistema, fica apenas a faltar uma estratégia e direção comuns a todos os atores, para que os interesses se interceptem e possam potenciar mais e melhores soluções, pois podemos todos lucrar: a nível social, político, económico e ambiental.

Sobre a Casa do Impacto: Fundada em 2018, a Casa do Impacto é um hub dinamizado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa que tem como missão impulsionar uma nova geração de empreendedores que estão a desenvolver modelos de negócio com impacto socioambiental positivo, alinhados com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas. O espaço integra escritórios, cowork, atividades de formação e experimentação, e programas de aceleração, incubação e investimento.

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