O Marketplace é o mercado social que chegou a Portugal em 2014 para incentivar e facilitar a cooperação entre empresas e instituições sem fins lucrativos, tendo em conta os interesses e recursos de ambos os sectores. Se uma instituição necessita, a empresa colabora. Não há qualquer tipo de transacção financeira envolvida, apenas boa vontade
Por Natasha Von Mühlen

Depois do Marketplace – o encontro entre empresas e instituições, no mesmo local e à mesma hora – é que acontece a mudança. Com os matches – ou parcerias – consumados, parte-se para a sua concretização, que poder ser realizada a médio e/ou longo prazo.

Depois de já termos organizado, em Portugal, três edições do Marketplace, é notória a percepção de que existe uma troca variada de bens e serviços, confirmando que o modelo do mercado social e o interesse dos dois sectores em colaborar um com o outro funciona e faz todo o sentido. A título exemplificativo, é possível sublinhar que, nos primeiros dois eventos de 2015, totalizámos 207 matches e alcançámos um impacto social de 315 mil euros no total. Enquanto organizadores do Marketplace, é importante valorizarmos cada match com um montante mínimo para podermos, além do total de matches realizados, contabilizar o valor estimado dos bens e serviços trocados nos mesmos. Estes são números que nos deixam muito satisfeitos, principalmente considerando que estes dois eventos se realizaram pela primeira vez tanto no Porto como em Oeiras.

No entanto, existem e hão-de sempre surgir matches aos quais não será possível atribuir um valor estimado, de que é exemplo a doação de vestuário em segunda mão. Mesmo assim, podemos afirmar que 315 mil euros é um valor estimado ‘por baixo’. Também não podemos esquecer que há trocas que podem resultar em muito mais do que o “mero” match realizado. Um bom exemplo é o testemunho que tivemos no Marketplace Oeiras: numa das sessões de abertura, chamámos ao palco a Cercioeiras. Esta instituição tinha estado presente no Marketplace Lisboa e pedimos a um seu representante para falar sobre o match concretizados nesse mesmo evento. A Cercioeiras tinha estabelecido uma parceria com uma empresa de marketing para uma acção pontual, mas acabou por receber apoio para outras necessidades além do acordado inicialmente no formulário do match. Há também muitas empresas que oferecem serviços de voluntariado no Marketplace. Não se sabe ainda quantos dias ou horas serão oferecidos mas, se se realizar uma parceria ao logo prazo, este match pode ser substancialmente valorizado. O mesmo conta para tudo o que é apoio jurídico, apoio contabilístico e outros serviços de assessoria que não possuem um período de tempo previamente acordado.

Terminados os eventos, o feedback que recebemos é muito positivo e gratificante. Também o networking, troca de contactos e realização de um elevado número de parcerias em tão pouco tempo é muito valorizado. Neste aspecto, as empresas e as instituições não perdem tempo para procurar, marcar reuniões e aguardar resposta para avançar com as colaborações. É um processo célere e que dá frutos! Não há barreiras ao que pode ser realizado, tornando-se muito interessante assistir às parcerias que se estabelecem no Marketplace.

De recordar ainda que, na nossa primeira edição, que teve lugar em Lisboa em 2014, realizaram-se 122 matches com um impacto social estimado em cerca de 220 mil euros. Em 2015, acreditamos que conseguiremos ultrapassar estes números. E depois do Verão, há mais.

Natasha Von Mühlen