No que toca ao mundo profissional, e em particular no mundo dos RH, acredito que o ‘Prato do Dia’ hoje passe por: Entrada – Miso de Voltamos ou Não ao Escritório, com uma incursão pelo Prato principal – Poke de Teletrabalho e Modelo Híbrido, deixando ainda espaço para a Sobremesa – Carpaccio de Direito à desconexão (peço desculpa ao leitor, mas fui nitidamente influenciado pelo meu almoço de hoje)
POR EDGAR SABINO

Facto: o mundo mudou. A pandemia Covid-19 trouxe uma mudança generalizada e global com impactos em todas as dimensões da nossa vida: social, económica, profissional, familiar, psicológica, etc. E ainda estarão por se descobrir todos os impactos que daqui advêm.

No que toca ao mundo profissional, e em particular no mundo dos RH, acredito que o ‘Prato do Dia’ hoje passe por: Entrada – Miso de Voltamos ou Não ao Escritório, com uma incursão pelo Prato principal – Poke de Teletrabalho e Modelo Híbrido, deixando ainda espaço para a Sobremesa – Carpaccio de Direito à desconexão (peço desculpa ao leitor, mas fui nitidamente influenciado pelo meu almoço de hoje)

Já alguém dizia que temos de saber retirar o melhor de cada oportunidade. O mesmo se pode dizer de uma crise. Não podemos, nem devemos esquecer o drama humano que esta pandemia trouxe, mas seria um desperdício não aproveitar e capitalizar as mudanças que foram introduzidas no mercado de trabalho quase da noite para o dia. Atenção também às que se começam a falar (ex: semana de 4 dias de trabalho na Islândia).

Como entrada, um dos desafios imediatos das empresas será voltar ao escritório. É certo que existem empresas e funções que nunca pararam (caso das fábricas da Bel Portugal que continuaram sempre em atividade para produzir os queijos preferidos dos Portugueses), mas o regresso aos escritórios das equipas administrativas vai acontecer, mais cedo ou mais tarde. As questões que se colocam são quando, como, com que regras, o que muda, o que se mantém, etc. O Governo e as autoridades de saúde ajudarão as empresas a perceber o quando e o como, mas cada empresa tem o seu contexto, dinâmicas e idiossincrasias, pelo que cada uma delas terá de preparar o seu plano de regresso (o espaço, as regras, moldes das reuniões, viagens de negócios, modelo híbrido – já lá vamos) para nos voltarmos a sentir em casa, no escritório. É importante voltar aos escritórios, sentir o pulso da organização, quando são cada vez mais os colaboradores que reportam desconexão com a cultura e valores da empresa.

O prato principal passa pelo teletrabalho e modelo híbrido. Excelente para uns como possível potenciador da conciliação trabalho/família, optimizador do tempo de foco, equilibrador dos tempos de deslocação e despesas de refeição, mas potencialmente desequilibrado e injusto para outros que não podem usufruir deste modelo de trabalho. É imperativo que as empresas criem medidas equitativas e adaptadas à realidade de cada grupo funcional, para que todos se sintam no mesmo barco.

Semana de trabalho com 3 dias no escritório e 2 dias em casa parece ser a tendência, mas deverá haver espaço, liberdade e autonomia para a organização e autorregulação das equipas. Dotar os postos de trabalho em casa com boas condições ergonómicas será também uma das áreas de investimento das empresas no futuro próximo. O desenvolvimento das chefias é também fulcral, porque motivar, gerir equipas e assegurar a entrega de resultados à distância é diferente vs o antigamente. Confiança e empowerment são palavras de ordem!

Vale a pena também “saborear” esta sobremesa do Direito à desconexão. Faz todo o sentido, mas será morosa a mudança de hábitos e mentalidades. Urgências sempre existirão e qualquer colaborador motivado e comprometido saltará do seu sofá às 22h, do seu episódio do Método Kominsky (Netflix) para ir resolver o problema. Mas e-mails, chamadas, whatsapps todos os dias às 21h, 22h, sábados… para quê? Se não esperam uma ação imediata sobre eles porque são enviados? Delay delivery no Outlook? Como em todos os processos de mudança teremos de ter role models e fazer o walk the talk, sob pena de matarmos o tema à nascença. Arrisco-me a dizer que aqui, como em muitas áreas da nossa vida, não basta dizer “faz o que eu digo, não faças o que eu faço”.

Depois de uma “refeição” destas, certifique-se que fica com espaço para um bom digestivo. Bem vamos precisar!