O aumento na quota de mulheres que afirmam preferir trabalhar a tempo inteiro desde 2007 tem sido mais pronunciado entre as próprias mães trabalhadoras do que as que não têm funções laborais fora de casa.

A pesquisa da Pew encontrou igualmente uma forte correlação entre o bem-estar financeiro e as visões acerca da situação laboral ideal. Entre as mulheres que dizem “não ter sequer o suficiente para ir ao encontro das despesas básicas”, cerca de metade (47%) elegem o trabalho a tempo inteiro como a situação ideal. Por contraste, apenas 31% das mulheres que afirmam “viver confortavelmente” vêem o trabalho a tempo inteiro como aspiração.

O estado civil está também fortemente relacionado com as situações ideais de trabalho, sendo que o fosso entre mães casadas e mães solteiras se aprofundou significativamente ao longo dos últimos anos. Entre as mães solteiras, cerca de metade (49%) preferia trabalhar a tempo inteiro, uma subida significativa face a dados de 2007 – 26%. Apenas 23% de mães casadas afirmam, na actualidade, que a sua situação ideal seria a de trabalharem a tempo inteiro, sem alterações significativas desde 2007.

Esmiuçando dados já apresentados anteriormente, 45% das mães e cerca de quatro em cada 10 pais acreditam que o melhor para uma criança de tenra idade é ter uma mãe que trabalhe a tempo parcial. São relativamente poucas (16%) as que afirmam que o trabalho a tempo inteiro é melhor para os seus filhos. As visões das mães no que respeita a esta temática têm-se mantido consistentes ao longo dos últimos anos, ao passo que as atitudes dos pais sofreram alterações significativas. Em 2009, 54% dos pais com filhos menores de 17 anos defendiam que a situação ideal para miúdos pequenos era ter uma mãe que não trabalhasse de todo fora de casa: actualmente, são apenas 37% dos pais que sustentam esta ideia, o que representa uma queda de 17 pontos percentuais em apenas quatro anos.

No que respeita à tão almejada felicidade, as mães casadas com filhos abaixo dos 18 anos sentem-se mais felizes do que as suas pares solteiras. Se nas primeiras a percentagem das que se afirmam felizes é de 43%, nas segundas o “estado de felicidade” desce para os 23%. Existe, igualmente, um fosso significativo em termos de felicidade entre mães trabalhadoras e não trabalhadoras: 45% das mães que não trabalham fora de casa dizem ser muito felizes, comparativamente a 31% das mães que trabalham a tempo parcial ou total. Quando outros factores são levados em conta, como a raça, a etnia, os rendimentos e a educação, o casamento é um bom prognosticador da felicidade das mães, sendo que a situação laboral não o é.

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A caminho da igualdade de tarefas
A quantidade de tempo que pais e mães passam com os seus filhos continua a subir. Desde 1965, os pais quase triplicaram o tempo passado junto dos filhos. E, ao contrário da noção que habitualmente se tem face à vida moderna, também o tempo das mães com os seus filhos apresenta uma subida significativa face a dados relativos a 1965. Todavia, são elas que continuam a liderar o tempo passado com os filhos: as mães passam cerca do dobro do tempo com os filhos comparativamente com os pais: 13,5 horas por semana para as mães em 2011 versus 7,3 horas para os pais.

A boa notícia para as mulheres reside no tempo despendido com tarefas domésticas ou, melhor dizendo, uma significativa melhoria na partilha destas com os seus parceiros. Face a 1965, os homens mais do que duplicaram as horas empregues em tarefas domésticas: de uma média de quatro horas semanais em 1965 para 10 horas semanais na actualidade.

Quando o trabalho remunerado, os cuidados com os filhos e os trabalhos domésticos são combinados, os casais que vivem em agregados com duplo rendimento possuem uma divisão de tarefas mais igualitária do que aqueles que vivem em agregados com apenas um rendimento. Se no primeiro caso, os pais contam, em média, com 58 horas de trabalho total semanal, comparativamente a 59 horas para as mães, nos agregados em que apenas o pai é o “ganha-pão”, a sua carga de trabalha total excede a da mãe em quase 11 horas – 57 horas versus 46 horas, em média. Quando é a mãe a única a trabalhar, a situação complica-se, na medida em que a sua carga de trabalho semanal excede a do parceiro em cerca de 25 horas (58 versus 33 horas por semana).

Por último, os homens continuam a ter mais tempo de lazer do que as mulheres, em actividades como ver televisão, jogar, socializar e praticar exercício. O gap de géneros em tempo de lazer é mais alargado entre homens e mulheres que não têm filhos em casa (37 horas por semana contra 32). Nos casais com filhos, os pais têm cerca de 28 horas por semana em actividades de lazer face às mães, que contam com 25 horas de “tempo livre” por semana.

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