Mas não os unicórnios que valerão 1 milhão de euros, mas os unicórnios que consigam impactar de forma positiva e transformadora a vida de um milhão de pessoas. E, enquanto isso acontecer, consideramos cumprida a nossa missão
POR MANUEL CARY

A criação do Fundo Bem Comum surgiu num enquadramento de grave crise económica e financeira, e de aumento pronunciado do desemprego de longa duração, em especial dos quadros médios e superiores de empresas, que perderam a sua fonte de rendimentos a meio da sua vida profissional, mas que mantiveram indiscutíveis capacidades de gestão e de intervenção empresarial.

A decisão de criar este fundo seguindo todas as boas praticas da indústria de Private Equity e, nesse sentido, de o criar utilizando o quadro legislativo criado para o efeito em Portugal, revelou-se acertada, permitindo criar as condições de funcionamento mínimas para que a missão do fundo fosse desenvolvida.

Acertada foi também a decisão de alargar a actuação do fundo para o investimento em projectos de empreendedorismo social, o que reforçou ainda mais as características inovadoras do Fundo Bem Comum num mercado em que são raras estas iniciativas.

Esta decisão obrigou, no entanto, a moldar um pouco o ecossistema do empreendedorismo social. Para que pudéssemos atrair investidores para o nosso fundo – empresas, investidores institucionais, e outros, com interesse em serem investidores de impacto – foi necessário que os projectos de empreendedorismo social também adquirissem uma organização empresarial clara, uma organização de mercado, e abandonassem as estruturas corporativas clássicas – associações, fundações, entidades sem fins lucrativos. Para potenciar a atracção de capital para estes projectos foi necessário que adquirissem um formato jurídico compatível com o investimento de um Fundo de Capital de Risco, e que se adaptassem à necessidade de garantir sustentabilidade gerando resultados de forma consistente. Para os projectos que atingiram este estado de desenvolvimento, o papel do Fundo Bem Comum foi e será apoiar com capitais próprios e contributos para a melhoria de gestão os projectos, assegurando condições para a sua saída acabada que esteja a sua missão.

O Fundo Bem Comum pretende investir em empresas do ecossistema do empreendedorismo social que possam ser os próximos unicórnios. Mas não os unicórnios que valerão um milhão de euros, mas os unicórnios que consigam impactar de forma positiva e transformadora a vida de um milhão de pessoas. E, enquanto isso acontecer, consideramos cumprida a nossa missão.

Não poderia acabar sem uma palavra de homenagem ao primeiro Presidente do Conselho de Administração do Sociedade Gestora Bem Comum, o Dr. Nuno Fernandes Thomaz, que nos deixou prematuramente. A sua enorme experiência e o seu “saber fazer” foram decisivos para que o Fundo Bem Comum se tornasse uma realidade, e são uma inspiração para quem tem que desempenhar a difícil missão de lhe suceder.

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