O Facebook já não é a rede social mais popular entre os mais jovens, estando a dar lugar ao YouTube, Instagram e Snapchat. Esta é a principal conclusão de um estudo recentemente publicado pelo Pew Research Center sobre as tendências de utilização da internet por parte dos adolescentes. Todavia, e de acordo com outra análise do Pew, a rede social que os mais novos estão a rejeitar é a mesma que tem vindo a ganhar popularidade junto de gerações mais velhas, nomeadamente a geração X e os Baby Boomers. Nada está perdido para Mark Zuckerberg
POR MÁRIA POMBO

O Facebook já não é a rede social mais popular entre os jovens: se, entre 2014 e 2015, este era utilizado por 71% dos jovens, actualmente essa percentagem não ultrapassa os 51%. Por seu turno, plataformas como o YouTube, o Instagram e o Snapchat estão a ganhar popularidade entre os mais novos, fazendo com que a utilização de uns e outros se dissipe e não já não se concentre numa única rede social. Estas são as principais conclusões do mais recente estudo do Pew Research Center (PRC), denominado Teens, Social Media & Technology 2018 e que versa sobre as tendências de utilização de internet, por parte dos adolescentes entre os 13 e os 17 anos.

Comparando estes resultados com a análise que foi realizada em 2014/2015, também do Pew sobre o mesmo tema, é possível compreender a velocidade vertiginosa com que tem evoluído a utilização da tecnologia por parte dos jovens. O smartphone, por exemplo, é praticamente ‘obrigatório’, e são 95% aqueles que afirmam possuir ou ter acesso a um equipamento desta natureza. Complementarmente, 45% dos inquiridos assumem estar online de forma quase constante e contínua (contra apenas 24% apurados entre 2014 e 2015). E, embora – como é habitual em diversas análises deste fact tank  – o estudo seja sobre os Estados Unidos, tudo indica que esta é uma tendência extensível a outras regiões do mundo, como o continente europeu.

Uma outra conclusão interessante diz respeito ao facto de não existir um consenso acerca dos benefícios ou malefícios das redes sociais na vida dos jovens. Para 24%, os seus efeitos são maioritariamente negativos e para 31% são positivos. Todavia, existe uma “bolha” composta por 45% de teenagers que afirmam que os efeitos da utilização destas plataformas não são nem positivos nem negativos.

[quote_center]“Sinto que as redes sociais podem fazer as pessoas da minha idade sentirem-se menos sozinhas” (rapariga de 15 anos)[/quote_center]

Para aqueles que consideram que as consequências da utilização das redes sociais são positivas, os motivos giram em torno da ideia de ser fácil comunicar com amigos e familiares distantes, apontando também o facto de ajudarem os jovens a sentirem-se menos sozinhos e a interagirem mais com outras pessoas. A facilidade de acesso a informação, a possibilidade de interacção com pessoas que têm os mesmos interesses, e o facto de serem plataformas onde conseguem exprimir as suas opiniões e ter acesso a conteúdos de entretenimento são outros motivos referidos pelos participantes nesta análise e que revelam as vantagens da utilização das redes sociais.

Por seu turno, o facto de as pessoas se agredirem verbalmente com maior facilidade, espalhando ódios e rumores, é o motivo mais referido por parte daqueles que consideram que a utilização de redes sociais tem efeitos negativos. O facto de prejudicar as relações e retirar significado às interacções humanas, de dificultar a socialização na via real, de dar uma visão pouco realista acerca da vida das pessoas são outros motivos referidos pelos jovens.


Facebook perde adeptos para o YouTube, Instagram e Snapchat

Questionados acerca de que plataformas utilizam, 85% revelam que é o YouTube, 72% indicam o Instagram, 69% escolhem o Snapchat e 51% apontam o Facebook. Todavia, quando lhes é pedido para escolherem aquelas que mais utilizam e preferem, os jovens referem o Snapchat (35%), o YouTube (32%) e o Instagram (15%), sendo apenas 10% aqueles que mais frequentam o Facebook.

Podendo, ou não, ser uma surpresa, factores como o rendimento, a raça e o género influenciam o tipo de utilização que os jovens fazem das redes sociais e da tecnologia.

Deste modo, 70% dos jovens que pertencem a agregados familiares com menos de 30 mil dólares anuais utilizam o Facebook, contra apenas 36% dos jovens que vivem em famílias com mais de 75 mil dólares anuais. Nesta linha de raciocínio não espanta o facto de esta ser a rede mais utilizada por 22% dos jovens com baixos rendimentos, contra apenas 4% daqueles que possuem um maior nível de riqueza.

[quote_center]“As redes sociais dão a muitos jovens a oportunidade de expressarem as suas opiniões e emoções” (rapariga de 15 anos)[/quote_center]

Por seu turno, as raparigas tendem, mais do que os rapazes, a considerar que o Snapchat é a sua rede social preferida (42% contra 29%, respectivamente), ao passo que, para eles (39%), a plataforma de eleição é o YouTube. Complementarmente, os jovens caucasianos (41%) são mais adeptos do Snapchat que os hispânicos (29%) ou os afroamericanos (23%) – sendo que estes últimos preferem o Facebook.

E se o acesso a smartphones permanece acima dos 93% em todos os segmentos populacionais referidos, não existindo qualquer tipo de diferenças entre eles, o mesmo não se pode dizer acerca da utilização de computadores em casa. A este respeito, os jovens com menos posses são os mais afectados, sendo apenas 75% aqueles que afirmam ter um computador em casa, contra 96% dos jovens que têm uma maior riqueza. Um outro factor que aqui merece destaque está relacionado com o nível de educação dos pais, sendo maior a percentagem de jovens que possuem um computador à medida que também é superior o nível de educação dos seus progenitores.

No que respeita à frequência de utilização da internet, também existem diferenças de utilização entre rapazes e raparigas, bem como entre pessoas de raças e etnias diferentes. Neste sentido, metade das raparigas revela estar online de forma quase constante, ao passo que apenas 39% dos rapazes afirmam o mesmo. Por seu turno, mais de metade (54%) dos jovens hispânicos revela estar permanentemente na internet, sendo de apenas 41% a percentagem de jovens caucasianos que refere o mesmo.

E se, no geral, 84% dos jovens afirmam ter acesso a uma consola de jogos e 90% revelam jogar jogos de vários tipos, as diferenças entre rapazes e raparigas são claras: da parte delas, 75% têm uma consola em casa e 83% jogam jogos; já do lado deles, 92% têm um objecto desta natureza e 97% revelam jogar todo o tipo de jogos.


Os velhos não são spam

Se os jovens se destacam pelas suas capacidades quase inatas da utilização da tecnologia, como será que se comportam as gerações mais velhas? De acordo com uma outra análise do PRC, e talvez até de forma pouco surpreendente, verifica-se um grande crescimento no que respeita à utilização de tecnologia por parte das gerações que cresceram fora do mundo digital, sendo este crescimento particularmente acentuado entre os membros da geração X (também conhecidos por Xers e que, de acordo com o documento, têm entre 38 e 53 anos) e os Baby Boomers (que têm entre 54 e 72 anos).

[quote_center]“As plataformas da internet permitem que as pessoas destilem ódio e se menosprezem umas às outras” (rapaz de 15 anos)[/quote_center]

Neste sentido, mais de nove em cada dez Millennials (que nasceram entre 1981 e 1996) têm um smartphone, comparando com 85% de Xers e 67% de Baby Boomers. E se a utilização do Facebook por parte dos mais novos tem permanecido entre os 80% e os 82%, desde 2012, as duas restantes gerações referidas têm assistido a um enorme aumento, com a X a passar de 67% em 2012, para 76% em 2018, e com os Baby Boomers a evoluírem de 43% para 59%. Uma nota curiosa surge para os Baby Boomers que, não sendo a geração que mais utiliza a tecnologia, é aquela que revela a maior evolução neste aspecto. E se menos membros deste grupo têm um smartphone, a verdade é que mais de metade (52%) já possui um tablet  e 57% utilizam as redes sociais.

Já a chamada geração Silenciosa (cujos elementos também são denominados de Silents e à qual pertencem as pessoas que nasceram antes de 1945) é a que menos utiliza o Facebook (tendo evoluído apenas de 21% para 26% entre 2012 e 2018) e os motivos vão desde a falta de confiança das pessoas com uma idade mais avançada para utilizarem tecnologia aos desafios físicos com que se deparam para o fazer correctamente.

E se, em todas as gerações, a maioria afirma que a internet tem diversas vantagens a nível pessoal, a verdade é que são os mais novos (com 73%) aqueles que mais tendem a apontar o impacto positivo do mundo digital na sociedade, comparando com a geração silenciosa (para quem este impacto não ultrapassa os 63%). Todavia, e comparando com as conclusões dos estudos de anos anteriores, os inquiridos (independentemente da idade) assumem-se, este ano, menos positivos no que respeita ao impacto que a internet tem na sociedade: a título de exemplo, em 2014, 80% dos Xers concordavam com a ideia de que a internet era uma coisa essencialmente positiva na sociedade, sendo a percentagem actual de 69%.

[quote_center]“Através das redes sociais, as pessoas podem dizer o que quiserem de forma anónima, e penso que isso tem um impacto negativo” (rapaz de 15 anos)[/quote_center]

A análise deste ano revela ainda que praticamente todos os Millennials (97%) afirmam utilizar a internet, mas que apenas 28% o fazem exclusivamente a partir de um smartphone. Por parte das restantes gerações, a utilização da internet também é elevada, numa correlação inversa à idade: 96% dos inquiridos da geração X navegam online, assim como 83% dos Baby Boomers, e 52% dos participantes que pertencem à geração Silenciosa.

Contudo, e tal como também se verifica junto dos Millennials, quando se trata da utilização de internet somente a partir de smartphones, as percentagens são bastante mais reduzidas: 18% dos Xers utilizam a internet exclusivamente através de um smartphone, assim como 13% dos Baby Boomers e 8% dos Silents.

As conclusões das duas análises acima referidas demonstram que a internet é um mundo em constante evolução, tanto para o bom como para o mau. Se por um lado se conclui que nada é garantido nem vitalício (veja-se o exemplo do Facebook, que há poucos anos era a rede social de eleição dos jovens e actualmente surge como a quarta preferência), por outro lado depreende-se que a internet e a tecnologia são mesmo acessíveis a todas as pessoas, independentemente do género, da raça ou da geração a que pertencem.