Depois de um ano particularmente cruel, é difícil acreditar que, a nível global, as condições de vida dos sete mil milhões de habitantes do planeta estejam a melhorar continuamente. É verdade que 2016 ficará na memória de muitos como o ano em que assistimos, na primeira fila, ao que de pior a humanidade é capaz de fazer e são muitos os profetas da desgraça que vaticinam a continuação deste estado de desgraça para 2017. Mas cabe-nos a todos relembrar que as constantes “notícias do dia” não são suficientes para dar a conhecer os desenvolvimentos de longo prazo que definem o mundo em que vivemos. Nem que seja a bem da nossa sanidade mental
POR
HELENA OLIVEIRA

É um facto. Para muitos e, em particular nas notícias veiculadas pelos media sociais, e à medida que 2016 foi chegando ao fim, multiplicaram-se os títulos, e os sentimentos, de que o ano que agora terminou ficaria na história como um dos piores dos últimos tempos. E razões para assim o considerar não faltaram: terrorismo, ondas de refugiados, a eleição de Donald Trump (menos para quem nele votou, é claro), a guerra na Síria – e outras -, a ascensão da extrema-direita na Europa e o aumento da xenofobia, fenómenos climáticos extremos, sem contar com as já habituais tragédias que, de tão “constantes” já nem merecem especial divulgação.

E a contribuir para a aparente “confirmação” deste clima de annus horribilis estão também as muitas “palavras do ano”, em particular as que foram eleitas no Ocidente pelos seus principais dicionários. A título de exemplo, o famoso Merriam-Webster definiu 2016 como surreal, com base nos picos de procura da mesma em diferentes períodos do ano, e incluindo os ataques terroristas a Bruxelas e a Nice, a tentativa de golpe de Estado na Turquia e a eleição presidencial nos Estados Unidos; por seu turno, o Dictionary.com escolheu xenofobia como a “sua” palavra do ano, um termo que também registou muita procura e que define um “medo persistente do outro”; no Dicionário de Cambridge, a palavra que registou o maior aumento em termos de procura foi “paranóia” sugerindo, talvez, “um sentimento de que as instituições que nos mantiveram seguros até agora já não são merecedoras de confiança, ou que o mundo se apresenta mais incerto do que em 2015”, mas também um aumento de pesquisas pelos termos “ansiedade” e “caos”, em conjunto com a palavra nostalgia”, interpretada neste contexto como um sentimento de que, outrora, as coisas eram mais fáceis. Por último, o Oxford Dictionary optou pelo termo “pós-verdade”, o mesmo já adoptado também por muitos meios de comunicação e definido como “relacionado ou conotado com circunstâncias nas quais os factos objectivos têm menor influência em moldar a opinião pública do que o apelo às emoções ou às crenças pessoais”. Por cá, e como acontece também há já oito anos, a Porto Editora anunciou e de acordo com o voto dos portugueses, o vocábulo “geringonça” – usado para designar a coligação parlamentar que apoia o actual governo, sucedendo a “refugiado”, a escolhida no ano de 2015.

Sim, é verdade que 2016 não deixará saudades a muita gente. No geral, foi um ano repleto de sofrimento, de eventos inesperados, do aprofundar de sentimentos de insegurança, de incredulidade e crueldade, mas também o ano em que nos habituámos a assistir, ainda mais e em directo, ao que de pior a humanidade é capaz de fazer. E são muitos os arautos da desgraça que asseguram que 2017 não tem condições para vir a ser diferente.

Por exemplo e como profetiza Achille Mbembe, director de Pesquisa Social e Económica do Instituto Witwatersrand, num ensaio “cru” intitulado “The age of humanism is ending” (e numa antevisão do seu mais recente livro – The Politics of Enmity – a ser publicado este ano pela Duke University Press), os sinais para o ano que agora começa não prenunciam nada de bom. Como escreve, “nos Estados Unidos, a morte dos negros continuará nas mãos dos polícias (…)”, a Europa continuará a sofrer o seu lento declínio rumo ao que “o teórico cultural Stuart Hall denomina de populismo autoritário”, a destruição ecológica da Terra continuará, “apesar dos acordos complexos assinados em fóruns internacionais” e a “luta contra o terrorismo” transformar-se-á crescentemente numa “guerra de extermínio entre formas variadas de niilismo” [a corrente filosófica que problematiza a falta de sentido da existência humana].

O também Professor de História e de Ciências Políticas assegura ainda que as desigualdades aumentarão a nível global, que os “conflitos sociais tomarão, e crescentemente, a forma de racismos, ultranacionalismos, sexismos, rivalidades étnicas e religiosas e xenofobias”, e que o denegrir de virtudes “como a compaixão e a bondade andarão de mãos dadas com a crença, especialmente entre os pobres, de que vencer é tudo o que importa e que quem ganha – seja através de que meios for – é aquele que está certo”. Mbembe consegue ser ainda mais pessimista ao afirmar que com “o triunfo desta abordagem neo-darwinista, o apartheid, sob máscaras variadas, será restaurado como a “nova velha forma”, e que a sua restauração abrirá caminho a “novos impulsos separatistas, ao erguer de mais muros, à militarização de mais fronteiras, a formas mais mortíferas de policiamento, a guerras cada vez mais assimétricas, a divisões lancinantes e a inúmeras cisões internas, incluindo em democracias já estabelecidas”.

A escolha deste ensaio para “resumir” o estado de desgraça em que se encontra o mundo serve apenas como um dos inúmeros exemplos aos quais, todos os dias e a todas as horas, temos acesso. Numa altura em que a realidade nos é servida de bandeja através dos diversos ecrãs aos quais estamos continuamente ligados, não é difícil, antes pelo contrário, olharmos para o ano que passou como um dos piores da nossa história recente. Mas será que 2016 foi mesmo um ano assim tão mau? Como tudo, depende da perspectiva. E na era em que os media sociais nos dão conta – seja verdade, meia-verdade ou mentira – de forma selectiva, do que se passa no mundo, há que contar com uma das máximas do “jornalismo que vende”: quanto pior é a notícia, mais leituras tem e quanto mais leituras, maior é a sua propagação. Infelizmente, todos os receios anteriormente retratados têm fortes probabilidades de se transformarem em realidade. Mas há factos que demonstram que 2016 – e muito provavelmente contando já com 2017 também – não foi, de longe, o pior ano para a humanidade. E foi dessa perspectiva menos pessimista que o VER foi à procura neste início de ano. E que encontrou.

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E como dizia Aristóteles, o todo é maior que a soma das partes

Chama-se Our World in Data (OIWD) e é uma publicação online, produzida pela Universidade de Oxford e que tem como objectivo demonstrar de que forma é que as condições de vida, a nível global, estão a mudar. Cruzando dois tipos de informação empírica – a visualizações de dados, como gráficos e mapas, em conjunto com pesquisas académicas relacionadas com o desenvolvimento global, o OIWD permite uma análise criteriosa, através de uma perspectiva histórica, da evolução das condições de vida da humanidade. Considerando que os media apenas se concentram em “eventos imediatos”, a missão do OWID é dar a conhecer aquilo que estes nunca escolheriam como “notícia” ou simplesmente porque as “notícias do dia” não são suficientes para divulgar os desenvolvimentos de longo prazo que definem o mundo em que vivemos.

E, tendo em conta o estranho 2016 (e também o seu antecessor 2015) o OWID dá conta de um inquérito global que questionava: “Considerando o mundo como um todo, pensa que este está melhor, pior ou na mesma [face ao ano anterior]?”. De acordo com esta sondagem anual, e só a título exemplificativo, 10% dos suecos afirmaram que “as coisas” estavam melhores, apenas seis por cento dos americanos mantiveram este optimismo e, ainda mais pessimistas, só quatro por cento dos alemães consideraram o mesmo. Ou, em suma, são pouquíssimas as pessoas que acreditam que o mundo está a melhorar. Todavia, e como sublinha o OWID, as evidências necessárias para se poder responder “adequadamente” a esta pergunta não existem, na medida em que a mesma deverá ter em conta as condições de vida globais – a história de todos – e os media apenas se concentram em eventos singulares, os quais, na sua maioria, são maus, sejam acidentes de avião, ataques terroristas, desastres naturais ou resultados eleitorais inesperados, não optando por noticiar as mudanças positivas globais, antes apontando o dedo, e continuamente, a tudo o que está errado nesse mesmo mundo (e são muitas as coisas erradas, na verdade).

Mas, e de acordo com as palavras do economista Esteban Ortiz-Ospina, responsável pelos dados recolhidos no OWID, a verdade é que os meios de comunicação social – em conjunto com o sistema educativo -, não se esforçam por apresentar informação quantitativa sobre os desenvolvimentos de longo prazo, o que resulta numa enorme ignorância, comum à generalidade das pessoas, sobre o “verdadeiro estado do mundo”. Por exemplo, afirma, até o declínio da pobreza global extrema – sem dúvida um dos mais importantes desenvolvimentos da nossa era – é apenas conhecido por uma pequena fracção da população do Reino Unido (10%) e por cerca de cinco por cento dos habitantes dos Estados Unidos, sendo que a esmagadora maioria dos inquiridos acredita, ao contrário, que as taxas de pobreza extrema não só aumentaram, como até duplicaram.

E é por isso que o OWID, liderado por Esteban Ortiz-Ospina, assegura que a única forma de contar a “história de todos” é através das estatísticas, as quais são capazes de retratar as vidas dos “22 mil milhões de pessoas que viveram nos últimos 200 anos”. Apesar de afirmar compreender que as histórias “individuais” são mais interessantes, tocando de forma muito mais intensa a opinião pública, não podem, contudo, ser representativas das mudanças que estão a ocorrer no mundo. E o economista e investigador recorda também que é importante termos noção destas alterações, positivas, na medida em que a transformação bem-sucedida das condições de vida a nível global só foi possível através da colaboração, dos nossos “cérebros e esforços colaborativos”, necessários para que estas (boas) mudanças ocorram.

Todavia, e tal como temos vindo a escrever, o economista responsável por esta base de dados alargada sublinha que o mundo enfrenta, sim, problemas colossais e apesar da redução da pobreza extrema mencionada, continua a ser inaceitável que uma cada 10 pessoas continue a viver nestas condições, que subsistam restrições variadas em termos de liberdade, cívicas ou políticas, ou que pouco ou nada se faça no que respeita ao impacto que a humanidade está a ter no ambiente, a um nível insustentável e que coloca em perigo a biosfera e o clima dos quais depende mais a nossa sobrevivência, do que a do próprio planeta. Mas e ainda assim, seguem-se as notícias “positivas” que os media não se dão ao trabalho de publicar. E, se pretende ter uma noção mais concreta das mudanças, não deixe de espreitar os gráficos publicados no site do OWID.

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Em 1981, 44% da população vivia em pobreza extrema. Em finais de 2015, a percentagem desceu abaixo dos 10%

Para evitar retratar o mundo a partir de uma forma estática – o Norte sempre foi mais rico que o Sul – o OWID recua 200 anos no tempo, considerando este espaço temporal como o “ponto” em que as condições de vida começaram a mudar radicalmente. No primeiro gráfico apresentado, estima-se que, em 1820, apenas uma reduzida elite gozava de níveis elevados de qualidade de vida, com a esmagadora maioria da população a viver em condições que, actualmente, seriam consideradas de pobreza extrema. Desde então, com a industrialização e consequente produtividade, a percentagem dos muito pobres tem vindo a descer continuamente. Em 1950, três quartos da população mundial vivia em situação de pobreza extrema – sim, há apenas seis décadas – e em 1981 a percentagem tinha caído (ainda e só) para 44%. Dados de 2015, em conjunto com um corpo de pesquisa avultado, sugerem que a pobreza extrema caiu abaixo dos 10%. Enquanto investigador nas áreas do crescimento e das desigualdades, Esteban Ortiz-Ospina confessa que este é, a seu ver, o maior dos feitos alcançados pela humanidade nos últimos dois séculos, em particular porque, no mesmo período, a população mundial aumentou sete vezes. E, como sublinha, num mundo sem crescimento económico, um aumento populacional desta dimensão seria o suficiente para que todos vivessem em pobreza extrema. Como sublinha mais uma vez o responsável do OWID, se os media não estivessem tão obcecados com o que “é trágico e vende”, um excelente título seria “130 mil pessoas saíram ontem da pobreza”. Ou, melhor ainda, “em média e desde 1900, 130 mil pessoas saem da pobreza extrema, todos os dias”. Sem dúvida.

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Em 1800, 120 milhões de pessoas sabiam ler e escrever. Hoje, são 6, 2 mil milhões

Para os que pretendem conhecer pormenorizadamente a “história da literacia nos últimos 200 anos”, sugerimos que clique aqui. Mas e no geral, em 1820, só uma em cada 10 pessoas sabia ler e escrever. A educação, tal como a conhecemos “hoje” é, também, um fenómeno recente, pelo menos historicamente e até nos países ricos. Se em 1930 só um terço da população era letrada, na actualidade, mais de oito em cada dez pessoas sabe ler e escrever (85%). Assim, e se pensarmos que a ciência, a tecnologia e a liberdade política são cruciais para resolver os problemas do mundo e o quão importante é saber ler e escrever para fazer parte desta solução, olhar para as estatísticas em termos absolutos faz ainda mais sentido. Se em 1800 apenas 120 milhões de pessoas eram letradas, essa competência faz parte, nos dias que correm, do “currículo” de 6,2 mil milhões de habitantes do nosso planeta.

A mortalidade infantil é dez vezes inferior ao que era no século XIX

05012017_NoReino4Para o OWID, uma das principais razões que explicam o facto de não “sentirmos” o progresso está intimamente relacionada com a nossa ignorância face ao passado. No início do século XIX, as condições de saúde da população mundial eram de tal forma precárias que 43% das crianças morriam antes de completar os cinco anos. Adicionalmente, as estimativas históricas sugerem que o mundo inteiro vivia em péssimas condições de saúde e que não existiam variações significativas entre as suas várias regiões.

Todavia, e para o OWID, é errado pensar que a única razão para a melhoria da saúde se deve aos progressos na medicina. Melhores condições de habitabilidade e saneamento diminuíram os riscos de contágio de inúmeras doenças, ao mesmo tempo que uma dieta mais saudável, tornada possível pelo aumento da produtividade no sector agrícola e pelas trocas comerciais ultramarinas, tornaram a população mais resistente às doenças. Mas e como é óbvio, os avanços na ciência e na medicina deram origem a uma série de progressos científicos, sendo que o OWID chama a atenção para um facto curioso: a descoberta da “teoria dos germes” enquanto causadores de doenças na segunda metade do século XIX. Em retrospectiva, quem iria pensar que o facto de os médicos não lavarem as mãos depois de terem estado em contacto com um morto e, de seguida, irem fazer um parto, contribuiria tão significativamente para o contágio de doenças infecciosas e, consequentemente, para taxas tão elevadas de mortalidade? A verdade é que a higiene e o saneamento público parecem ter sido tão importantes quanto a descoberta das vacinas para melhorar significativamente a saúde a nível global. Dados de 2015 colocam a mortalidade infantilidade nos 4.3%, 10 vezes inferior ao que acontecia há 200 anos. E, mais uma vez, é necessário optar pela perspectiva de longo para se compreender os progressos até agora alcançados.

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Regimes políticos: colonialismo, autocracia e, finalmente, democracia

Enquanto centrais ao desenvolvimento, as liberdades políticas e civis – nas quais se incluem o jornalismo e o discurso público – estão actualmente e outra vez nas bocas do mundo. Mas e como alerta o OWID, e enquanto pilares das liberdades adquiridas, as avaliações qualitativas destes aspectos em particular são, em simultâneo, arriscadas, na medida em que podemos estar, erroneamente, a percepcionar um declínio das mesmas, na medida em que é fácil elevar constantemente a fasquia através da qual julgamos a nossa liberdade. Assim e mais uma vez, uma análise quantitativa poderá ser significativamente útil para apreçarmos correctamente a liberdade em vários países e ao longo do tempo. Devido à dificuldade de se avaliar os diferentes tipos de regime que governam o mundo e, consequentemente, a complexidade dos sistemas políticos, o OWID opta por utilizar o índice Polity IV, muito utilizado na investigação da ciência política e que faz uma análise dos regimes políticos numa perspectiva de longo prazo. E, no que respeita às alterações da liberdade política nos últimos dois séculos, o OWID demonstra que, e ao longo de todo o século XIX, mais de um terço da população mundial vivia em regimes coloniais, sendo que a maioria dos restantes era governada sob os desígnios da autocracia. Mais ainda, a primeira expansão da liberdade política que teve lugar em finais do século XIX acabaria por ser esmagada pelo aumento dos regimes autoritários e totalitários que, em muitos países, floresceram “a caminho” da segunda guerra mundial. E seria só na segunda metade do século XX que o mundo sofreria uma significativa mutação, com o fim dos impérios coloniais e com muitos países a adoptarem a democracia como sistema político dominante. A “tendência” democrática generalizou-se – e para tal em muito contribuiu o colapso da União Soviética – e, actualmente, mais de metade da população mundial (cerca de 55%) vive em democracia, valendo a pena ver o gráfico em causa, nem que seja para ter uma ideia mais concreta dos restantes 45% de países que ainda não vivem sob os seus auspícios.

Já no que respeita aos direitos humanos, igualmente muito difíceis de avaliar, e tendo em conta os dados empíricos sugeridos, é visível que e depois de um período de estagnação, a sua protecção melhorou globalmente ao longo das três últimas décadas.

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Estima-se que em 2100 não exista ninguém sem educação básica

É uma verdade de La Palisse, mas nenhum destes progressos teria sido alcançado nos últimos 200 anos sem a disseminação do conhecimento e da educação. A revolução que agora vivemos não só foi impulsionada pela educação, como a tornou mais importante do que nunca.

Como escreve Esteban Ortiz-Ospina e ao contrário de vários outros aspectos sociais que são mais difíceis de prever, a educação presta-se a melhores projecções futuras, na medida em que os dados educativos que temos ao nosso dispor hoje dizem-nos algo sobre a educação de amanhã: uma jovem letrada da actualidade será uma idosa letrada em 2070 e um jovem que está hoje a terminar o ensino secundário será, muito provavelmente, um licenciado no futuro. O gráfico apresentado pelo OWID mostra a projecção do IIASA ( International Institute for Applied Systems Analysis) no que respeita à dimensão e composição educacional da população mundial até 2100 e oferece uma “olhadela” interessante ao futuro: com a taxa de fertilidade global reduzida que caracteriza a sociedade da actualidade, os investigadores esperam que o número de crianças irá diminuir ainda mais a partir de agora – ou seja, que não existirá “nunca mais” um número maior de crianças no planeta do que aquele que existe hoje, sendo que as projecções do IIASA estimam também que o pico de crescimento populacional será atingido em 2070, seguido de um declínio. Assim, as projecções apontam para que em 2100 não exista ninguém sem educação formal e que mais de sete mil milhões de pessoas terão recebido, pelo menos, uma educação secundária.

Apesar de não existir nenhuma certeza absoluta de que a melhoria das condições de vida continue a registar progressos que, considerados mediante esta perspectiva, são realmente inegáveis, resta-nos ter esperança que, tal como aconteceu nos últimos dois séculos, o poder colaborativo seja capaz de continuar a trabalhar para que os ainda não resolvidos problemas globais cheguem mais perto de um final feliz. E que, independente do ano estranho que acabámos de testemunhar, continuemos a ter esperança na humanidade. Não é fácil, mas há que tentar.

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