Se a tomada de decisão por si só é um tema crítico mas inevitável em toda e qualquer organização, é-o mais em contexto de Alta Direção, onde existe igualmente a permanente necessidade da utilização de critérios éticos no questionar da moralidade das decisões tomadas e como as mesmas vão afetar a organização, o meio em que se insere e os stakeholders com que se relaciona
POR PEDRO BORDA d’ÁGUA

Decidir é uma atividade quase tão comum como respirar; “viver é decidir”. Não se pode não decidir. Estamos constantemente a decidir, como indivíduos ou como parte duma organização com responsabilidades inerentes.

A história de qualquer organização pode resumir-se ao conjunto acumulado de decisões efetuadas no seio da mesma, desde a sua fundação até ao momento presente; destacando-se especialmente as decisões tomadas no topo das organizações pelo geralmente maior impacto dessas decisões, quer na organização, quer na sua envolvente e nos restantes stakeholders relacionados com a mesma.

Modelamos a realidade por forma a decidir as nossas ações. Neste sentido, quer estejamos a fazer uso de modelos mentais, quer de modelos formais, os quais têm a vantagem de poder ser partilhados e, portanto, discutidos; estamos continuamente a assentar a tomada de decisões no uso de modelos. Modelos estes, sempre imperfeitos, pois como na metáfora dos cegos e do elefante, são construídos com representações parciais e, portanto, incompletas, da realidade.

A AESE Business School realizou no passado mês de novembro um programa curto com foco na tomada de decisão ao nível da Alta Direção – Deciding from the C-Suite – programa que contou com um universo de participantes com responsabilidades de topo em empresas dos mais diversos setores de atividade.

O programa “Deciding from the C-Suite” constitui um espaço de aprendizagem, facilitador de discussão de casos num ambiente sem risco; risco que muitas vezes enfrentamos quando decidimos no seio das nossas organizações. Desde o risco de ser-se vítima de enviesamentos da razão e falácias mentais, geralmente na origem de julgamentos incorretos sobre a realidade, até situações ocasionadas por pressões de grupo que nos induzem a tomar decisões sub-ótimas, quando não catastróficas.

Se a tomada de decisão por si só é um tema crítico mas inevitável em toda e qualquer organização, é-o mais em contexto de Alta Direção, onde existe igualmente a permanente necessidade da utilização de critérios éticos no questionar da moralidade das decisões tomadas e como as mesmas vão afetar a organização, o meio em que se insere e os stakeholders com que se relaciona. Quanto mais poder de decisão, maior a responsabilidade de vigilância constante face a critérios éticos na decisão.

É precisamente neste nível que mais há que acautelar face aos possíveis “nevoeiros” e zonas menos claras que se apresentam à condução das decisões na organização. Embora o programa Deciding from the C-Suite trate de situações de decisão quer como indivíduo, quer em contexto de decisões em grupo, a tomada de decisão ética começa no próprio indivíduo – unidade básica na construção de organizações mais éticas.