Nos últimos cem anos, o ser humano praticamente duplicou a sua esperança média de vida, mas este aumento traz desafios associados ao envelhecimento. Não se trata já, apenas do envelhecimento, mas também da longevidade, o que significa mantermo-nos activos e fazermos parte da comunidade e da sociedade na medida em que continuamos a contribuir para o seu desenvolvimento
POR FILIPE NOVAIS

A sociedade tem vindo a ser marcada por profundas transformações demográficas e, com estas transformações, têm-se levantado também questões importantes ao nível da saúde, saúde pública e do acompanhamento que a sociedade tem feito nestas áreas. Cada vez mais vivemos mais anos e todos queremos que qualidade de vida seja um aspecto fundamental que nos acompanhe durante o nosso envelhecimento. Só em Portugal, o índice de envelhecimento entre os anos 1961 e 2017  representou um aumento de mais de 125%. Hoje em dia, a esperança de vida dos homens chega aos 77 anos, enquanto nas mulheres chega, já, aos impressionantes 83 anos.

Viver uma vida longa é sobretudo um privilégio dos países desenvolvidos que têm a possibilidade de aceder aos melhores cuidados médicos. É a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) que afirma que o envelhecimento constitui uma vitória do desenvolvimento socioeconómico e da saúde pública que, em simultâneo, gera o desafio de adaptação da sociedade.

Nos últimos cem anos o ser humano praticamente duplicou a sua esperança média de vida, mas este aumento traz desafios associados ao envelhecimento. Não se trata já, apenas do envelhecimento, mas também da longevidade, o que significa mantermo-nos activos e fazermos parte da comunidade e da sociedade na medida em que continuamos a contribuir para o seu desenvolvimento.

Medicina Humanizada é o tema geral do ciclo de conferências que iniciámos em 2017 e que teve agora a segunda edição, no dia 21 de Março, nos Montes Claros, em Lisboa. Na edição anterior analisámos e debatemos a medicina humanizada no mundo digital e nesta edição discutimos novamente a medicina humanizada, mas colocando a questão sobre o Envelhecimento ou Longevidade. Esta iniciativa é mais uma acção da Astellas Farma, compreendendo a importância da actividade e da área em que actuamos – a saúde – no sentido de cumprir o seu principal objectivo: o de mudar o amanhã ao melhorar a vida das pessoas, através da promoção do debate sobre a importância de aliar a medicina humanizada às mais recentes inovações tecnológicas e digitais e possibilitar a sua utilização para potenciar a longevidade no envelhecimento.

Portugal é o sexto país mais envelhecido do mundo e vai ser o segundo em 2050. Temos de aprender a gerir os desafios que o envelhecimento da população acarreta e, por este motivo, fez-nos todo o sentido proporcionarmos um debate desta natureza.

Na Conferência “Medicina Humanizada – Envelhecimento ou Longevidade?” contámos com a moderação de Júlio Machado Vaz, psiquiatra, que falou sobre a importância de valorizar os mais velhos, dando-lhes o acompanhamento e os cuidados necessários para uma longevidade com qualidade. Com este orador percebemos que o processo de envelhecimento começa no dia em que nascemos e que, por isso, precisamos de trabalhar e produzir trabalho para que ele seja o mais saudável possível muito antes de começarmos a pensar na reforma. Com isto coloca-se também questão da importância de uma medicina humanizada, em que a relação médico-doente existe e é valorizada e que anda de mãos dadas com a tecnologia, que beneficie ambos: médico e doente.

Tiago Reis Marques, neurocientista investigador que se dedica a estudar o cérebro humano, falou sobre a capacidade criativa e como esta pode ser afectada pelo processo de envelhecimento. Levantou questões muito pertinentes sobre as medidas que podemos tomar para atrasar ao máximo o processo de envelhecimento cerebral: praticar exercício físico, não fumar e, o mais importante de todos, ter uma grande rede de amigos, com os quais mantemos interacções cara-a-cara. A rede de relações sociais é, ao que parece, um factor mais preditivo de longevidade, por isso, em teoria, quanto mais amigos se tiver, mais anos se vive.

[quote_center]Viver uma vida longa é sobretudo um privilégio dos países desenvolvidos que têm a possibilidade de aceder aos melhores cuidados médicos. É a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) que afirma que o envelhecimento constitui uma vitória do desenvolvimento socioeconómico e da saúde pública que, em simultâneo, gera o desafio de adaptação da sociedade[/quote_center]

Outro dos assuntos levantados por Joana Santos Silva, farmacêutica e professora na Universidade Católica, foi que o envelhecimento e a longevidade estão ligados ao impacto das doenças crónicas bem como ao não cumprimento da terapêutica, abordando como estes factores têm afectado a qualidade de vida das pessoas nos seus últimos anos, ou décadas, de vida. Conseguir a tão desejada qualidade de vida está nas mãos da ciência e da tecnologia e já existem promissoras inovações tecnológicas para a saúde: desde a telemonitorização das doenças crónicas à edição genética em casos de maior predisposição para desenvolver certas doenças, passando pelos robôs de companhia e assistência ou a impressão 3D de órgãos transplantáveis.

Sabemos que a indústria farmacêutica e os serviços de saúde desempenham também um papel muito importante no desenvolvimento de soluções terapêuticas que proporcionam viver mais e com mais qualidade.

Na Astellas Farma, farmacêutica com actividade em Portugal há mais de 50 anos, vemos com muita responsabilidade a importância da nossa contribuição para a melhoria da saúde do nosso país, especialmente no que concerne aos desafios que o futuro nos reserva, da relação médico-doente e das doenças que nos impossibilitam viver uma vida longa e de qualidade. Queremos contribuir para a preparação destes grandes momentos de mudança, promover mais respostas e mais adaptadas.

Estamos empenhados em proporcionar às pessoas a esperança de um futuro melhor e em dar resposta a necessidades médicas específicas não atendidas, com uma abordagem inovadora, mas cuidadosamente concebida com base em investigação e desenvolvimento, identificando e criando novas formas de melhorar a saúde e a vida das pessoas, transformando a inovação científica em valor para os doentes.

Enquanto segunda maior empresa farmacêutica japonesa e que ocupa o 18.º lugar a nível mundial, na Astellas empregamos mais de 17 mil pessoas em todo o mundo em delegações espalhadas pela Europa, América do Norte, Ásia e Japão. Dedicamo-nos às áreas de Oncologia, Urologia, Transplantação e Infecciologia e estamos a preparar-nos para entrar, em 2020, nas áreas de nefrologia e hematologia. Lançámos, no nosso país, terapêuticas inovadoras que representaram uma evolução na prática clínica, incluindo novas classes de medicamentos para o tratamento do cancro da próstata, da bexiga hiperactiva e da transplantação.

Fazemos parte do motor da mudança e queremos ser também promotores de reflexões como esta, do envelhecimento activo e saudável que será cada vez mais desafiado pela longevidade da sociedade em que vivemos.

Filipe Novais

General Manager Astellas Farma Portugal