Com a era tecnológica, a chamada sociedade da informação e do conhecimento em que vivemos enfrenta uma série de desafios: o desafio do acesso – entre os que têm acesso à Internet e aos equipamentos digitais e os que ainda não o têm; o desafio da literacia digital – entre os que sabem usar os equipamentos e tirar partido do que a tecnologia pode oferecer e os que ainda não têm essa capacidade; e o desafio das competências tecnológicas – entre os que sabem criar tecnologia e inovação, e os que apenas a usam
POR VÂNIA NETO*

Se é certo que, em grande medida, o desafio do acesso já está ultrapassado, pelo menos é o que indicam as estatísticas sobre os números de ligações à Internet, PCs, tablets e smartphones existentes em Portugal (excluindo na população sénior), os desafios da literacia e das competências ainda estão longe de ser superados.

É hoje evidente que a iliteracia digital será o analfabetismo do século XXI. Reconhecida pela UNESCO como uma das competências chave para a Educação neste século, a capacidade de utilização das tecnologias de informação e comunicação por professores e alunos é actualmente uma das preocupações dos Ministérios da Educação.

Estas preocupações estão ainda mais prementes após um estudo recente da Comissão Europeia que reconhece a importância determinante da capacitação digital, em especial em termos de inserção no mercado de trabalho, considerando o papel actual das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no crescimento e inovação. Segundo os dados da Comissão, a Europa precisará de cerca de 900 mil trabalhadores nas áreas das TIC, já em 2020, para os quais não haverá profissionais qualificados, caso os países europeus não tomem medidas de incentivo às CTEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática).

[pull_quote_left]É hoje evidente que a iliteracia digital será o analfabetismo do século XXI[/pull_quote_left]

Portugal volta a liderar nestas áreas, (seguindo as melhores práticas recentes em alguns países da Europa) com o lançamento, pela Direcção-Geral de Educação, de um projecto de Introdução à Programação no 1.º Ciclo, ao qual a Microsoft Portugal se associou desde a primeira hora. Acreditamos que com o nosso envolvimento neste projecto, através da disponibilização do Kodu (um software gratuito de iniciação à programação para crianças e jovens), que permite o desenvolvimento do pensamento computacional e a criação de jogos, bem como a formação inicial e acompanhamento dos professores, estamos a contribuir para desenvolver as competências digitais dos mais jovens e, desta forma, a prepará-los melhor para uma sociedade cada vez mais tecnológica.

Para incentivar as escolas, os professores e os alunos envolvidos neste projecto a programar em Kodu, decidimos lançar uma nova edição da KoduKup Portugal, permitindo premiar os melhores projectos que forem desenvolvidos.

Sabemos que para os alunos do 3.º e 4.º ano que vão participar, este projecto será um marco no seu percurso escolar. Todos estão naturalmente à vontade com computadores e tablets, não fossem verdadeiros nativos digitais. Mas a magia desta iniciativa acontecerá, depois de saberem o que está “por detrás” do que fazemos com a tecnologia. Depois de saberem, eles próprios, programar e criar os seus mundos e jogos, desenvolvendo a lógica, o pensamento crítico e computacional e a capacidade de colaboração, estarão certamente muito mais preparados para continuar a aprender e a desenvolver em pleno as suas competências tecnológicas.

No final, ficarão certamente mais próximos de superar o desafio de “dominar” a tecnologia e de a criar, contribuindo para o desenvolvimento das suas competências e potenciando a sua possibilidade de “tomar o gosto” pelas áreas tecnológicas, em especial, pela programação, seguindo uma carreira de sucesso no futuro.

Os professores são determinantes para o sucesso da iniciativa da Iniciação à Programação. Sem professores motivados também se aprende, mas não é a mesma coisa. É por isso fundamental que os professores motivem os seus alunos a participar e sejam os mentores destes futuros programadores. Acreditamos que este vai ser mais um projecto de enorme impacto e com um potencial efeito multiplicador nos anos vindouros.

Não é por decreto que se mudam mentalidades, mas garantir a educação tecnológica dos nossos alunos e a integração da tecnologia de forma natural na aprendizagem, desde os primeiros anos de escolaridade, é um desafio que teremos de superar em conjunto – escolas, professores, pais e empresas -, nesta sociedade da informação e do conhecimento, para garantirmos as competências necessárias à sustentabilidade e à inovação no nosso futuro colectivo.