Sinónimo de prestígio em Portugal e no mundo, o Esporão e a sua já longa história merece ser apreciada na companhia de um bom copo de vinho. Mas, e na impossibilidade de tal acontecer, pode ser igualmente degustada através das palavras do seu actual CEO, João Roquette, o mais recente orador convidado do ciclo de conferências “Construir a esperança na crise” promovido pela ACEGE. Desde a compra de uma “bonita herdade no Alentejo” nos anos de 1970, o Esporão foi lançando continuamente novas e fortes raízes que fazem dele não só um negócio de sucesso, mas um verdadeiro exemplo de sustentabilidade. Com um passado bem “frutado” e um presente “encorpado”, o Esporão mantém-se fiel à sua missão inicial, projectando-a para um futuro que, tal como as planícies alentejanas ou as encostas escarpadas do Douro, promete continuar a ser inebriante
POR HELENA OLIVEIRA

Desde praticamente o início da pandemia que a ACEGE tem dedicado o seu habitual ciclo de conferências a dar voz a líderes de diversas organizações que partilham a forma como a crise pandémica afectou a sua gestão quotidiana, modificou o seu planeamento estratégico, obrigou a uma reinvenção de métodos de trabalho e abriu caminho para um novo relacionamento com os seus colaboradores. E, no meio de tantos desafios jamais enfrentados, todos os oradores convidados têm igualmente conseguido conferir um sentimento de esperança ao “estado actual das coisas”, acreditando que algo de positivo sairá destes tempos de pura incerteza e muito sofrimento.

João Roquette, CEO do Esporão desde 2006, foi o mais recente convidado do ciclo “Construir a Esperança”, apesar de a sua intervenção ter-se centrado não tanto no momento actual, mas na história, iniciada em 1973 pelo seu pai, José Roquette, em conjunto com o sócio João Bandeira, até aos dias de hoje em que o amplo empreendimento que dirige é líder de mercado no Portugal e no Brasil e um dos maiores produtores de vinho biológico do mundo.

Com um historial no mundo da música, João Roquette acabaria por assumir a gestão do projecto que tinha “como sonho produzir vinhos de qualidade” numa herdade do Alentejo, ao qual tem trazido novas abordagens e investimentos, reforçando a já longa tradição de ligação à terra, conquistando em simultâneo novas territórios, bem como novos produtos, e apostando, sob as raízes iniciais lançadas pelo seu pai, numa empresa sólida e amplamente virada para o futuro, e na qual o conceito de “sustentabilidade” não é apenas uma ideia abstracta, mas uma estratégia bem oleada e operacionalizada.

É por tudo isto que João Roquette afirma nunca ser de mais recordar e ter em mente a missão que guia o Esporão e que, tal como referiu, assenta nas seguintes premissas:

“O Esporão nasceu no Alentejo da vontade incondicional de fazer os melhores vinhos. É essa a motivação que permanece na base de tudo o que fazemos, agora alargada a outros produtos e territórios;

Em cada lugar, a natureza inspira-nos e ajuda-nos a fazer melhor. Por isso a respeitamos e protegemos, construindo um futuro mais promissor;

Acreditamos que as empresas devem estar ao serviço da sociedade, e não o contrário. Procuramos por isso ser responsáveis na forma como desenvolvemos a nossa actividade. Essa responsabilidade não é abstracta nem apenas colectiva: é individual, de cada um que faz do Esporão parte da sua vida;

Promovemos o inconformismo, a mudança e a criatividade. Procuramos fazer melhor e não necessariamente mais. Aprendemos que o avanço depende do conhecimento que desenvolvemos e aplicamos, de acreditarmos e pormos o nosso coração no que fazemos”.

Já em “tempos de Covid”, diz, “assumimos que era uma altura muito importante para pormos à prova os nossos valores, o que deu origem a uma grande oportunidade de melhorar a nossa relação coma as pessoas que estão à nossa volta, com as pessoas que trabalham dentro da empresa, com os nossos fornecedores, os nossos clientes”, acreditando ainda “que conseguimos construir, durante este último ano, mais esse activo relacional e consolidar a nossa cultura e a maneira como as pessoas olham para nós”.

Mas e com quase meio século de existência, como evoluiu o Esporão, de uma herdade alentejana para um império “verde”, símbolo de excelência nacional e no mundo e com “uma visão muito disruptiva que marcou decisivamente a vitivinicultura moderna em Portugal”?

“Acreditar e arriscar, perder e recomeçar” (1973-2006)

Na sua apresentação, João Roquette escolheu alguns momentos marcantes do percurso já longo da empresa que dirige, e sobre o qual sublinhou a importância da “inquietude”, traço forte da personalidade do pai “que teve influência na história do Esporão” e que ainda hoje se mantém, sendo igualmente patente no projecto de sustentabilidade pelo qual o empreendimento é amplamente reconhecido.

Assim, e desde 1973, altura em que José Roquette, juntamente com o sócio João Bandeira, compram uma “bonita herdade no Alentejo com o sonho de produzirem vinhos de qualidade”, o Esporão passou por várias fases, desde o inicial “acreditar e arriscar”, passando pelo período conturbado do 25 de Abril que obrigou a um “perder e recomeçar” e chegando a meados da década de 1980, altura em que o projecto começou a produzir o vinho com a marca Esporão, assente “numa visão fortíssima de fazer uma coisa diferente, desde as castas que foram usadas aos tipos de adegas que foram construídas, uma visão muito disruptiva que marcou decisivamente a vitivinicultura moderna em Portugal e que afirmou o Alentejo como região líder em Portugal”.

Vinte anos mais tarde, em 1993, José Roquette acabaria por comprar a parte do sócio no negócio, tornando-se “accionista a 100%”, reforçando o investimento e desenvolvimento do mesmo e lançando o famoso Monte Velho, o qual “foi um sucesso porque era um vinho novo e com uma proposta de valor igualmente nova”, marco devidamente assinalado na história da empresa. Em 1997, o Esporão apostaria na diversificação – para queijos, presunto e azeites -, da qual só sobraram estes últimos, “porque às vezes é assim, tem de se experimentar e falhar, dando oportunidade a que outras coisas aconteçam”, como refere Roquette filho. O ano de 1997 ficaria igualmente assinado pelo “primeiros passos no enoturismo”, uma área de negócio ainda muito incipiente no país e na qual o Esporão seria pioneiro.

Com a entrada no novo século e milénio, com o negócio a crescer e com vendas mais expressivas, “houve a necessidade de se formar um Conselho de Administração com uma melhor governação e personalização”, conta o actual CEO, com o Esporão a atingir a liderança de mercado em 2005 e, um ano depois, a mudar a sua liderança executiva. Depois da saída de João Dotti, entra em cena João Roquette como novo CEO da empresa, “com a missão essencialmente de a internacionalizar, pois na altura já éramos líderes em Portugal, sendo pouco provável que conseguíssemos continuar a crescer no mercado interno e tendo já cerca de 20% das nossas vendas fora do país”, afirma.

Para João Roquette e mais de 40 anos passados, não existem dúvidas de que o Esporão é uma história de sucesso empresarial, sublinhando ainda que “uma das coisas mais importantes foi este começo, foi o facto da visão inicial estar correcta e acertada e ser muito à frente do seu tempo, mas sustentando até hoje uma vantagem competitiva, uma cultura e uma percepção das pessoas em relação à nossa empresa e que muito nos ajuda a fazer o nosso trabalho”.

“O exercício foi o de como conseguir transformar o Esporão, muito orientado para o mercado nacional e onde era líder, para um negócio projectado para fora” (2007-2019)

Elaborado o primeiro plano estratégico sob a batuta do novo CEO, o foco centrar-se-ia assim na internacionalização, com a diversificação territorial a ter igualmente destaque na estratégia da empresa. Como refere, “ a entrada no Douro foi quase de seguida, na medida em que, e para o mercado internacional, eram vinhos muito importantes”, a par de, em 2007, uma reestruturação de toda a unidade de marketing e vendas “e o início do projecto de sustentabilidade que incluía já a agricultura biológica”, acrescenta.

A primeira plantação de vinha biológica acontece ainda em 2007, “pois se a ideia era internacionalizar o projecto, teríamos de ter uma qualidade que conseguisse competir com os melhores do mundo”. Na altura, recorda, existia “o velho mundo da Europa com os vinhos franceses, italianos e espanhóis e o ‘novo mundo’, por outro lado, com a Austrália, o Chile e a Argentina em grande forma e com um enorme impacto no mundo internacional dos vinhos”.

Assim, a projecção do negócio “para fora” implicou ir ao fundo da questão, ou seja, “de que forma poderíamos produzir ainda com mais qualidade”, diz o CEO, sendo que a agricultura biológica tinha já uma forte expressão em vários mercados mundiais e era fortemente reconhecida. Recordando também que alguns dos melhores vinhos do mundo eram já produzidos a partir da agricultura biológica desde os anos de 1970 e 1980, João Roquette explicou igualmente que a aposta na mesma serviria para ajudar a resolver alguns dos desafios que tinham em termos de agricultura, nomeadamente aqueles relacionados com a fertilidade, a toxicidade e o excesso de utilização de água, e que foi assim que foi iniciada esta jornada.

Em paralelo e em 2008, o avanço para outras geografias, nomeadamente para o Douro com a compra da Quinta das Murças – um projecto que levou dez anos a ser desenvolvido – coincidiu também com a passagem da empresa Finagra para Esporão, algo que o actual CEO considera “não só como um momento simbólico, mas que serviu também para renovar a nossa missão e valor e conferir outro élan ao negócio”. O ano seguinte foi amplamente marcado por todo o processo de internacionalização, com a abertura de escritórios em Angola e nos Estados Unidos e, em 2010, com a reestruturação da distribuição internacional.  Com a chegada de 2011 e da crise financeira, e apesar de uma quebra nas vendas de cerca de 20% em Portugal, João Roquette afirma que, “com alguma antecipação e também com alguma sorte”, os investimentos na área internacional e o crescimento muito forte do mercado – que praticamente duplicou em seis anos – serviu para amortizar este período que afectou sobremaneira o país.

Os anos seguintes seriam marcados por um novo projecto de enoturismo, em 2012, o qual preparou também o ciclo de turismo que apareceria de seguida e que serviu igualmente para projectar a marca Esporão fora de Portugal e, em 2014, seria feita uma aposta nova nos azeites, com uma unidade de negócio e uma equipa totalmente dedicada aos mesmos, o que contribuiu para que estes valham já 15% da facturação da empresa. Em 2015, o Esporão reorganizou o seu portefólio, com um branding mais claro e uma equipa própria de conteúdos, tendo eleito o ano de 2016 para acelerar o seu processo de agricultura biológica.

A propósito da aposta neste segmento, Roquette recorda que algumas pessoas do Esporão afirmavam “que, e por o negócio estar a correr muito bem, estávamos a consertar uma coisa que não estava estragada”, mostrando algumas reservas face a um processo moroso, “que teve de ser feito com um elevado grau de segurança, com um forte desenvolvimento do conhecimento e com uma cultura que também demora tempo a acontecer”. E a verdade “é que só em 2019 é que foi possível certificar toda a área da herdade do Esporão e, já este ano, a da Quinta das Murças”, afirma o CEO. O ano de 2018 foi igualmente fértil em novidades, com um novo plano estratégico a incluir já as cervejas artesanais (Sovina), um crescimento substancial também do negócio da Quinta das Murças e, com a compra da Quinta do Ameal, que permitiu a diversificação para os vinhos verdes, que têm já um forte posicionamento no mercado internacional. Todavia, foi em 2019 que foi feita a primeira vindima 100% biológica na herdade do Esporão, o culminar do projecto que teve início em 2007, e que finalmente começou a criar valor, com a entrada em mercados difíceis e, em alguns casos, de monopólio, como os nórdicos, “mas com a vantagem de sermos únicos no mercado, não existindo mais ninguém em Portugal com quantidades de vinho significativas e capacidade para crescer nessas geografias”.

“Replanear, reorçamentar e acreditar que a crise vai passar” (2020 -…)

Com a chegada de 2020 e com os primeiros dois meses a correrem muito bem, chega Março e a obrigatoriedade de entrar em gestão de crise. Como refere João Roquette, “logo nessa altura formámos um grupo de gestão muito coeso para acompanhar a pandemia de perto, com a prioridade a ser a segurança das pessoas, tanto a nível sanitário como económico, garantindo a continuidade de negócio e a manutenção dos postos de trabalho, o que conseguimos fazer com sucesso”. Depois, acrescenta, “foi replanear e reorçamentar o ano inteiro, ou seja, pegar numa realidade tão distinta e tão diferente e em 15 dias reformular as coisas e definir novos objectivos que passaram, por exemplo, por encarar que uma parte importante do nosso negócio de restauração não ia acontecer, definir expectativas em termos do tempo que iria durar a pandemia, ou seja, tudo aquilo que muitas empresas tiveram que fazer e que foi muito difícil de lidar, mas que acabou por ser um enorme teste à nossa capacidade de adaptação, de aceitação e de mudança”.

Como afirmou também o CEO do Esporão, 2021 tem sido “a continuação da gestão de crise”. Apesar de confessar que não estava propriamente à espera de uma terceira vaga da pandemia, João Roquette afirma que “ganhou experiência” e que a empresa está claramente mais positiva e expansionista face ao ano passado. “O investimento voltou a aumentar, temos projectos já a avançar e acreditamos que isto vai passar e que o segundo semestre será já mais normalizado”. Adicionalmente, “temos também o negócio e os processos internos muito mais alinhados com aquilo que são os pressupostos da crise que estamos a viver” e se as coisas não se normalizarem “cá estaremos para dar a luta que for necessária, ter a paciência e a motivação que é exigida às empresas e às pessoas nestes tempos tão desafiantes”, garante.

Ou, e sumarizando, “o Esporão é 100% da nossa família, encontra-se numa transição de uma primeira para uma segunda geração, produzimos vinhos, azeites, cervejas e experiências associadas a estes produtos; somos líderes de mercado em Portugal e também no Brasil; o nosso património principal é o nosso território e as pessoas que aqui trabalham, concretamente a Herdade do Esporão e a Herdade dos Perdigões no Alentejo, a Quinta das Murças no Douro e também a Quinta do Ameal que comprámos o ano passado na região dos vinhos verdes; empregamos 300 pessoas; temos 700 hectares de vinha própria, mais outros tantos de vinha contratada e somos actualmente um dos maiores produtores do mundo de vinhas biológicas; engarrafamos e comercializamos cerca de 17 milhões de garrafas por ano, (75% tinto, 25% branco) e um milhão de litros de azeite; as nossas vendas pré-covid rondaram os 47 milhões de euros; 65% das vendas são exportadas para mais de 50 países, com o Brasil, os EUA e alguns países da Europa a valerem uma parte importante dessa mesma exportação e, por último, temos ainda um projecto pequenino, mas que já está a fazer o seu caminho, que é o Sovina (cervejas artesanais)”.

O futuro, a sustentabilidade e a Visão 2050

De acordo com João Roquette, o futuro do Esporão “vai continuar a passar pela internacionalização, claramente para a transição de uma parte importantíssima do nosso negócio dos produtos biológicos, pelo desenvolvimento destes projectos mais jovens, com a nossa entrada nos vinhos do Douro e no dos vinhos verdes, e também com um projecto muito interessante que estamos a desenvolver com o Instituto Superior de Agronomia, recuperando um dos edifícios da Tapada da Ajuda e estabelecendo aí um centro de investigação, onde os escritórios do Esporão vão também passar a estar”.

Mas o CEO do Esporão não quis perder a oportunidade de falar também sobre o grande projecto de sustentabilidade que tem em mãos, o qual tem como base um relatório do BCSD – Visão 20250: A nova Agenda para as empresas – e cujo objectivo é o de definir como é possível que os cerca de nove mil milhões de habitantes esperados daqui a 30 anos possam viver bem e respeitando os limites do planeta. Roquette falou ainda da metodologia sueca The Natural Step Framework, com a qual estão também a trabalhar, e que “olha para o negócio de um empresa, define quais os recursos mínimos que a mesma pode utilizar para atingir o máximo impacto, fazendo depois uma análise típica de projecção para o futuro, a partir de uma visão que tem como base o posicionamento do negócio no presente e qual o caminho que tem de fazer para alcançar o futuro”.

Como explica, “no nosso negócio e obviamente, as questões mais importantes são as da agricultura, da extracção e produção de vinhos e de azeite, toda a parte de engarrafamento, de logística e distribuição, o marketing e as vendas e também o consumo e o end of life do produto”. Esta aposta estratégica na sustentabilidade transformou-se num “mapa muito simples que ainda hoje utilizamos e que dividimos em vários pilares – se somos uma empresa agrícola, a questão da agricultura biológica é absolutamente central, e há que ter em conta problemas como a poluição e a erosão dos solos, o excesso de utilização de químicos ou de água, eficiência energética, o packaging, toda a parte de transporte, logística e distribuição, o marketing e as vendas, os recursos humanos, a relação com a comunidade –todos eles assentes em mais conhecimento e na criação de uma cultura verdadeiramente sustentável”.

E porque é impossível falar, e/ou escrever, sobre todas as medidas e projectos já implementados pelo Esporão em matéria de sustentabilidade, o CEO partilhou apenas alguns exemplos, como os que se seguem:

  • A necessidade de termos mais linhas de água a funcionar e as galerias que são abrigos auxiliares que nos ajudam a controlar as pragas, ter os enrelvamentos que trazem nutrientes e que ajudam a descompactar os solos;
  • A gestão dos infestantes a ser feita manualmente, com tractor nas linhas, ma depois nas entrelinhas a ser cortado pelas pessoas do Esporão, as sebes para a vegetação auxiliar, os animais que fazem parte do montado e que também nos ajudam a fazer controlo de infectantes e manter o montado em condições, bem como os produtos que saem também desses animais e da biodiversidade que eles vão promovendo;
  • A produção em círculo fechado, como a produção de composto, de bagaço de uva, mas também dos resíduos do lagar de azeite , que são muitos úteis para fazer fertilizante e muito importantes para a compostagem.
  • O mulshing que é um técnica de vegetação seca, com base em restos biodegradáveis secos que utilizamos para cobrir as linhas e evitar que as ervas cresçam, funcionando como uma espécie de um herbicida natural e que permite também manter os níveis de humidade no solo.
  • A importância do nosso banco de castas que é cada vez mais crucial para que não se perca o material genético português (temos um grande património ampelográfico com 188 castas plantadas) e temos vindo a estudar a resiliência destas castas face a diferentes stresses climáticos, a situações de pragas, e utilizando novas soluções para as nossas vinhas;
  • Toda a parte tecnológica de gestão de água nas vinhas, constituída basicamente por máquinas que medem os níveis de humidade no solo e na planta que nos permitem ajustar o stress hídrico e o consumo de água da melhor maneira possível;
  • A plantação de vinhas que fizemos no Douro com um sistema funcional de recuperação de água evitando a erosão dos solos;
  • Com a terra do Esporão, a construção em taipa que é antiga no Alentejo, mas muito funcional, e que nos permitiu trabalhar com escolas do Alentejo para recuperar esta técnica, a qual já serviu para a construção de uma adega muito bonita, que conta também a nossa história e onde temos os nossos melhores vinhos, com condições climáticas espectaculares, sem necessidade de ar condicionado, pois as paredes são enormes, absorvendo e libertando a humidade;
  • Um projecto que fizemos também nas Murças, de aproveitamentos águas das minas e que torna possível a refrigeração da adega;
  • Uma ETAR biológica sem utilização de produtos químicos, em conjunto com a produção de energia solar na herdade do Esporão, mais reciclagem e desmaterialização de rolhas;
  • E os investimentos na equipa com duas iniciativas importantes: ir buscar e levar as pessoas a casa todos os dias e também oferecer uma refeição quente e coberta no parque agrícola, com um impacto muito positivo para os trabalhadores.”

Por último, convidamos o leitor a conhecer o manifesto e o vídeo afecto à campanha “Mais. Devagar, cujo objectivo e como afirma João Roquette, “é comunicar através do valores, algo a que as pessoas estão cada vez mais sensíveis, com os consumidores a quererem e a exigirem saber que valores norteiam as empresas, em que é que acreditam e o que realmente fazem”. [A campanha foi igualmente lançada para o mercado internacional com o nome Slow Forward e, já em tempo de pandemia, com uma espécie de “actualização” intitulada “It is time to come back slowly” ]

Nota: Pode aceder ao vídeo da apresentação de João Roquette aqui