O conceito de liderança modificou-se nas últimas décadas passando de uma concepção centrada no papel desempenhado pelo líder enquanto detentor de um conjunto de características especificas para um conceito em que predominam os vínculos construídos e que se estabelecem entre líderes e liderados.
POR ANTÓNIO RODRIGUES

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António Rodrigues é Professor
Universitario

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É indiscutível que uma boa liderança é um elemento fundamental para o sucesso das organizações e dos países. Nas últimas décadas, o mundo das organizações sofreu profundas alterações repartidas pela globalização da economia, desenvolvimento de novas tecnologias e aumento da complexidade dos processos de produção com implicações ao nível da oferta e procura de bens e serviços. Nos momentos de crise poucos são os líderes que podem apelar ao seu carácter quando este não foi fortalecido anteriormente.

Um aspecto da crise das sociedades reside na carência de verdadeiros líderes. Abundam “pseudo-líderes” vazios dos princípios mais elementares de ética. A prática da liderança desde a perspectiva da Bíblia abarca não só uma convicção intelectual, mas também uma vivência profunda e íntegra que envolve toda a pessoa. São necessários líderes capazes de manter o equilíbrio entre a verdade e a acção, entre o discurso e a prática.

Chris Argyris y Donald Schön (1974) foram os autores de duas teorias que ajudam a compreender as organizações e o papel desempenhado pelos líderes: a teoria esposada ou proclamada e a teoria em uso.

Confirma-se e é escusável enumerar exemplos de gestores, políticos e outros intervenientes na sociedade que demonstram a ausência de coerência entre o discurso e a acção. Como consequência, assiste-se à desconfiança, à revolta, à desmotivação e à baixa credibilidade das instituições, organizações e pessoas, precisamente o contrário do que se esperaria no contexto económico e social que atravessamos.

Vivemos momentos que em que não se vislumbram saídas porque, em momentos de crise, poucas são as pessoas que podem fazer uso do carácter como fonte de inspiração e de exemplo. Os períodos de abundância sem olhar aos meios caracterizaram o modo de vida dos portugueses, das organizações e instituições nas últimas décadas. Todos, mas com maior responsabilidade as elites, privilegiaram o ter sobre o ser e, como consequência, o carácter nunca foi reconhecido como necessário para viver o imediato no estilo e nível de vida que parecia infindável e sem custos.

A dignidade na gestão pública e privada é possível, praticando o bem comum e alinhando o discurso e a acção. Conciliar a política da imagem e a política consistente para revitalizar o espaço democrático e a representação política em ordem a um desenvolvimento mais justo, tem de constituir o ponto de honra na agenda política.

A melhor empresa é aquela que toma em consideração aquilo que é melhor para os outros. Não é fácil o líder atingir este estatuto porque exige um esforço contínuo para empregar os dons, a experiência, os recursos e as relações para ajudar os seus colaboradores a dar o melhor de si mesmos.

A integridade é a nota distintiva de todo o cristão e, fundamentalmente, de um líder. A liderança com integridade é sólida e transparente.

Abracemos o compromisso de fazer da integridade um hábito para podermos enfrentar as adversidades com acções rectas e sermos uma fonte de inspiração para os outros.

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