De acordo com os principais resultados da 8ª edição do estudo da INTRUM, apresentados recentemente numa conferência online, e que tem como objectivo o conhecimento dos comportamentos de pagamento em 24 países europeus, concluiu-se e sem surpresas, que a crise provocada pela Covid-19 trouxe uma preocupação acrescida para os consumidores europeus relativamente ao aumento das contas e à capacidade de cumprirem com as suas obrigações financeiras. A boa notícia é que a pandemia também motivou os europeus a ampliarem a sua educação financeira
POR LUÍS SALVATERRA

No âmbito do propósito da Intrum – liderar o caminho para uma economia sólida, onde empresas e consumidores possam conceder e receber crédito com eficiência e segurança -, a Intrum Portugal promoveu, no passado dia 22 de Abril, a II Conferência online “Incumprimento em Tempo de Pandemia – Desafios e Oportunidades na Economia”.

Este ciclo de conferências digitais nasce em plena pandemia e tem reunido nomes de especialistas de vários sectores, permitindo a todos os que participam uma partilha de conhecimento e opinião sobre o impacto do incumprimento nas empresas, nos consumidores e na sociedade em geral.

A II Conferência online teve como ponto de partida os principais resultados da 8ª edição do estudo da Intrum, ECPR European Consumer Payment Report 2020 e o impacto da pandemia nos hábitos de pagamento dos consumidores na Europa.

Contou como oradores a Profª Clara Raposo, Presidente do ISEG, que partilhou a perspectiva macro do impacto da pandemia na economia portuguesa e a sua antevisão do pós-pandemia. O Dr. Sérgio Coelho, Director do Bankinter Portugal, abordou a perspectiva da Banca sobre o impacto das moratórias nas famílias e os instrumentos de resposta da Banca. Por último o Engº Marcelo Reis, Director da EDP Comercial, partilhou a perspectiva na óptica das empresas, em particular das que prestam Serviços Essenciais e os instrumentos ao dispor para minimizar o impacto no futuro. A sessão terminou com um esclarecedor debate alargado à audiência, moderado pela Profª Clara Raposo.

O ECPR European Consumer Payment Report, estudo da Intrum, realizado em 24 países europeus, incluindo Portugal e que tem como objectivo o conhecimento dos hábitos e comportamentos de pagamento dos consumidores, conclui que o Bem-estar Financeiro dos consumidores continua a diminuir como resultado do impacto da Covid-19 no rendimento disponível das famílias.

Na UE, um em cada três europeus (35%), afirma ter perdido rendimento em 2020. O sul da Europa lidera a lista dos 24 países com maiores quebras de rendimento. Portugal e Itália ocupam o 2º lugar do ranking, com 47% e com a Grécia a liderar a tabela (49%). No extremo oposto (menos quebras no rendimento disponível) a liderança pertence à Dinamarca (19%), Holanda (21%) e Noruega (24%).

Quando analisado por idades, verifica-se que são os consumidores mais jovens (18-37 anos) os que mais foram afectados pela crise pandémica.

O Barómetro Bem-Estar Financeiro Intrum compara e rastreia o Bem-Estar Financeiro dos consumidores de 24 países europeus e assenta em três pilares: Capacidade de Pagar as Contas, Capacidade de Poupar para o Futuro e a Literacia Financeira.

A crise provocada pela Covid-19 trouxe uma preocupação acrescida para os consumidores europeus relativa ao aumento das contas e à capacidade de cumprirem com as suas obrigações financeiras.

Na análise das contas que são pagas em primeiro lugar, o estudo ECPR 2020 revela que a prioridade é dada aos fornecedores de serviços que são vitais durante o confinamento: internet e serviços essenciais. Em Portugal, os consumidores entre os 22 e os 44 anos são os que revelam maior dificuldade em pagarem as suas contas nos prazos. Quando questionados sobre que contas que adiaram/suspenderam o pagamento durante o ano 2020, a Habitação (hipoteca/ arrendamento) aparece em primeiro lugar (54%), a uma distância considerável da segunda – cartões de crédito (29%).

Para sobreviver, os europeus pedem mais dinheiro emprestado e estão a economizar menos.

Sobre a capacidade de Poupar para o Futuro, Portugal continua numa posição não muito animadora, ocupando o 19º lugar em 24 países. O ECPR 2020 revela que um em cada três europeus (34%), economiza menos do que antes da pandemia, estando a ser obrigados a deixarem para segundo plano a poupança de longo prazo. Em Portugal 66% dos inquiridos afirmam estar insatisfeitos com o montante que conseguem poupar mensalmente, valor que se degradou em relação a 2019 (61%) e substancialmente acima da média europeia, que se situa nos 56%.

A incerteza económica associada à pandemia tem levado um número crescente de consumidores a economizar para eventuais privações. Despesas imprevistas estão no topo das motivações para poupar. A média europeia é de 76% em 2020 face a 67% em 2019. Em Portugal sobe de 73% em 2019 para 81% em 2020.

O nosso estudo demonstra igualmente que a incerteza económica está a suscitar um novo interesse na melhoria da Literacia Financeira em toda a Europa. Cerca de metade dos consumidores europeus dizem que melhorar a sua segurança financeira tornou-se uma das suas principais prioridades desde o início da pandemia. Em Portugal este número situa-se nos 66%. A Internet é uma das principais fontes de educação financeira e em Portugal está a ganhar peso: 45% em 2020 face a 36% em 2019.

Em conclusão:

  • A crise pandémica Covid-19 tem forçado governos a decretar confinamentos e a pressão continua a aumentar para empresas e consumidores em toda a Europa.

  • Muitas empresas estão a lutar para superar a diminuição da procura e o constrangimento na liquidez, um em cada três consumidores perdeu rendimento como resultado directo da pandemia e metade está mais preocupada do que nunca com o seu bem-estar financeiro.

  • É preocupante que a pandemia continue a ter maior impacto sobre os consumidores “vulneráveis”, como jovens adultos, pais e pessoas com baixos rendimentos, o que pode levar a mais dificuldades financeiras.

  • Por outro lado, a pandemia motivou os europeus a agir e aumentar a sua educação financeira. Acreditamos que possuir conhecimentos financeiros será a chave para enfrentar os desafios colocados pela pandemia, que deve continuar em 2021.

O estudo European Consumer Payment Report partilha a informação sobre a vida quotidiana dos consumidores europeus , os seus hábitos de despesas e a capacidade de gerirem as suas finanças pessoais. Baseia-se numa pesquisa realizada simultaneamente em 24 países europeus, num total de 24.198 inquiridos (1.000 pessoas no mínimo por país).

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