O que significa “fazer coisas como uma menina”?

Começa desde a mais tenra infância, é uma questão culturalmente enraizada e acaba por perpetuar-se ao longo da vida. O discurso que diferencia homens e mulheres, estereotipado, por exemplo, nas frases dirigidas aos rapazes como “lutas como uma menina” ou um “homem não chora”, implícita – ou explicitamente – significa catalogar o sexo masculino como forte e, é claro, o feminino, como fraco.
Assim, quando se diz que uma coisa “é de homem” está-se a fazer um elogio, ao passo que essas “coisas de mulher” têm sempre um sentido pejorativo, certo?

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DESAFIO

Num estudo publicado no início deste ano pela Science, com base num universo de 400 crianças entre os 5 e os 7 anos, os psicólogos comprovaram que, apesar de as meninas acreditarem, aos 5 anos, que podem ser tão brilhantes quanto os rapazes, um ou dois anos mais tarde – ou quando iniciam o seu percurso escolar – a ideia de que os rapazes são mais espertos é já um preconceito bem estabelecido entre si. Este estereótipo, e se alimentado ao longo da vida, poderá contribuir para que as raparigas se sintam menos motivadas a perseguir actividades “inovadoras” ou carreiras ambiciosas, como sublinha Andrei Cimpian, professor de Psicologia na Universidade de Nova Iorque e co-autor do estudo em causa.

No mundo dos adultos, e como sabemos, as provas de desigualdade de género existente nas mais diversas esferas, são mais do que muitas e quase todos as sabemos de a cor. Mas e na esfera laboral, e apesar de todos “concordarmos” com este tipo de injustiça, a mesma continua a existir em muitas empresas. Partindo desta “percepção precoce” que se tem das meninas que fazem “coisas de meninas” e depois de ver o vídeo, no qual existe um volte-face positivo para o habitualmente denominado “sexo forte”, desafie os seus colaboradores ou colegas a pensar sobre a pressão cultural aqui manifestada, e perpetuada, e lance o debate na sua empresa. Entre homens e mulheres, de forma igualitária.

Leia também o comentário de Sara Azevedo, Socióloga e Directora de RH da DouroAzul que, e na medida em que foi, durante vários anos, a única mulher numa gestão que continua predominantemente masculina, continua a concordar com a ideia de que, se um homem chora é porque para além de possuir as “habituais” características de sucesso, é sensível, e isso é valorizado, mas se uma mulher chora, está só a confirmar a sua incapacidade para aguentar as exigências e os cenários de pressão que fazem o dia-a-dia da gestão.