A HP desenvolve em Portugal dois programas de formação tecnológica que promovem o empreendedorismo e a criação de emprego junto dos mais jovens e atribui competências TIC aos pequenos empresários que os ajudam na gestão dos seus negócios. O VER conheceu duas histórias de micro-empresários de sucesso e conversou com a responsável por Corporate Marketing da HP Portugal, a propósito desta iniciativa em prol da competitividade empresarial que visa “mudar a equação da crise
POR GABRIELA COSTA

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Laila Ferreira, responsável por Corporate Marketing HP Portugal
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Maria Luísa Gonçalves é representante da marca de vestuário e acessórios Chevignon em Portugal. Responsável pela empresa Neigon, que tem vindo a abrir cada vez mais lojas, utiliza as competências da formação tecnológica que recebeu da HP para gerir melhor o seu negócio, nomeadamente através de um programa informático de previsão de vendas e contabilidade.

Como testemunha ao VER, “esta formação é sem dúvida uma ajuda preciosa para quem não tem conhecimentos em tecnologia. É uma forma de esclarecer as pessoas e de motivar os empresários”. Antes de fazer a formação, já trabalhava com este programa de previsão de vendas, mas agora consigo explorar melhor todas as suas potencialidades e posso utilizar diariamente outras ferramentas de comunicação, como o email”.

Na sua opinião, esta formação também “pode ser muito útil para os jovens empresários, que estão agora a iniciar os seus negócios. É uma excelente formação para os jovens desenvolverem novas ferramentas tecnológicas de gestão do negócio”, conclui.

Cátia Moreira, por seu turno, é filha de uma família de empreendedores, cujos membros frequentaram, sem excepção, o curso MAP na Associação Empresarial de Sintra. A família Moreira arrancou o seu negócio com um restaurante, e tem hoje uma ‘cadeia’ de restauração – a “Rui dos Pregos”.

A tecnologia mudou o modelo de negócio da administradora destes restaurantes, principalmente graças à divulgação num site próprio e à presença nas redes sociais: “a formação permitiu-nos alargar a nossa presença na Internet e nas redes sociais. A HP já nos tinha apoiado na criação do site e depois da formação avançámos para as redes sociais e criámos uma página no Facebook. Desta forma, conseguimos chegar a um maior número de pessoas e cobrir todo o mercado.

Tratando-se de uma empresa familiar, “em que todos temos muito trabalho e o tempo é precioso”, a formação tecnológica da HP deu a Cátia a possibilidade de organizar melhor o seu dia-a-dia e gerir melhor todo o negócio através da tecnologia.  “Agora utilizo mais o e-mail para contactar as pessoas, o que me permite ganhar tempo para outras actividades”, exemplifica.

Estas são apenas duas histórias de sucesso entre os cerca de quatrocentos jovens e empresários que já realizaram os programas de formação tecnológica que a HP tem vindo a desenvolver em Portugal para estimular o empreendedorismo contrariando os feitos da crise socioeconómica em que o país está mergulhado.

Competências contra o desemprego
O programa GET-IT destina-se a jovens com idades entre os 16 e os 25 anos que estejam à procura de emprego ou que queiram criar o seu próprio negócio. Com uma carga horária de vinte horas, o curso inclui cinco módulos – Operações e Gestão, Ferramentas Financeiras, Ferramentas de Comunicação, Ferramentas de Marketing e Gestão de Tecnologia.

Desenvolvido pela HP em parceria com a Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação (FDTI) e o Micro Enterprise Acceleration Institute (MEA-I), pretende estimular o empreendedorismo e dotar os formandos de competências e conhecimentos relacionados com o aproveitamento das TIC numa actividade empresarial. O principal objectivo é “dar aos participantes competências para conseguirem um emprego ou para criarem o seu próprio negócio”.

Os primeiros centros GET-IT em Portugal surgiram em 2008, em Castelo Branco, em Setúbal e na Loja do Cidadão em Odivelas. Até à data, e considerando também a possibilidade de realizar acções de formação em itinerância a nível nacional, pelas mãos da FDTI, trezentas pessoas já receberam uma formação “GET-IT”.

Em Portugal, existem já cerca de quatrocentos formandos certificados em MAP e GET-IT .
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Por outro lado, o MAP destina-se a um público que já está integrado em ambiente empresarial, como micro empresários, pequenas e médias empresas e os seus colaboradores e/ou potenciais empresários. O programa inclui cinco módulos temáticos – Operações e Gestão, Finanças, Comunicações, Marketing e Gestão de Tecnologia, que contêm diversos tópicos. Cada tópico pretende tratar ferramentas que podem ajudar a lidar com um desafio empresarial diferente. A carga horária do MAP varia entre as quarenta e as cinquenta horas.

Parceiros desde o início do projecto na implementação do GET-IT, a FDTI e a HP anunciaram o lançamento de um outro programa também na área da formação tecnológica de empreendedores, o Micro-enterprise Acceleration Program (MAP).

O primeiro centro MAP foi lançado em Novembro de 2010, em Setúbal, estando prevista a abertura de mais seis centros, em Aveiro, Braga, Leiria, Lisboa, Castelo Branco e Beja. Nestes centros, o objectivo é que os empreendedores possam aprender a utilizar as diferentes ferramentas tecnológicas em benefício das suas empresas.

Gratuita através da FDTI, esta formação é igualmente disponibilizada por associações empresariais e outras entidades ligadas ao sector, como centros de inovação, parques tecnológicos ou câmaras de comércio, sempre ministrada pela HP, que a lançou a nível internacional, com o MEA-I, em 2005.

Os módulos desenhados para o MAP são desenvolvidos a partir da perspectiva dos pequenos empresários e a ideia principal é que estes se familiarizem com as TIC e saibam como utilizá-las para resolver os desafios que têm na gestão da sua empresa.

Em entrevista ao VER, Laila Ferreira, responsável por Corporate Marketing HP Portugal, sublinha que os planos de formação GET-I” e MAP “são desenhados a partir da perspectiva dos jovens empreendedores e dos pequenos empresários, dando-lhes competências para resolver os seus desafios empresariais”. Uma mais-valia para o sucesso das pequenas empresas, o qual “contribui para a recuperação económica do país, uma vez que o seu crescimento gera mais postos de trabalho”, defende.

O que motivou a HP, em conjunto com a FDTI e o MEA-I, a criar em 2008 um programa de formação tecnológica para jovens empreendedores?
A HP lançou dois programas de empreendedorismo em Portugal, em conjunto com o Instituto Micro-Enterprise Acceleration (MEA-I: o GET-IT e o MAP. O primeiro dirige-se a jovens com idades entre os dezasseis e os 25 anos que estejam à procura de emprego ou que queiram criar o seu próprio negócio. O segundo foi criado para micro-empresários que já têm o seu negócio estabelecido, e que pretendem maximizar o nível de utilização de tecnologia nas empresas para potenciar o êxito das mesmas.

Que balanço faz dos Programas GET-IT e MAP desde o seu arranque?
O balanço que temos de ambos os programas é bastante positivo. Em Portugal, existem já cerca de quatrocentos formandos certificados em MAP e GET-IT. O nosso objectivo é, através dos nossos parceiros, darmos cada vez mais formação a jovens empreendedores e a pequenos empresários.

As expectativas mantêm-se elevadas. Esperamos que estes dois programas consigam mudar a equação da crise económica que assola o país, promovendo o empreendedorismo junto dos mais jovens e dando competências em Tecnologia de Informação e Comunicação (TIC) aos pequenos empresários. A ideia é que estes as apliquem na gestão empresarial, de modo a que as suas empresas sejam cada vez mais produtivas, rentáveis, competitivas e bem sucedidas.

Que necessidade sentiram por parte do mercado em criar um programa à semelhança do GET-IT mas direccionado para um público integrado em ambiente empresarial, como é o caso do MAP?
Para fazer face às exigências de um mercado cada vez mais competitivo, os pequenos empresários – ainda que com conhecimentos básicos em TIC -, necessitam de reforçar as suas competências de gestão. O programa MAP pretende, fundamentalmente, dar aos pequenos empresários competências e conhecimentos na aplicação empresarial das TIC, de forma a aumentar a eficácia e crescimento das suas empresas, e ajudando-os também a promover os seus negócios através das novas tecnologias.

Para além do centro MAP em Setúbal estão previstos seis novos centros MAP no País. Quando serão lançados e quantos colaboradores da HP estarão envolvidos?
Os programas GET-IT e MAP são ministrados por uma rede de parcerias com associações empresariais, centros de inovação, parques tecnológicos e câmaras de comércio, entre outros. A implementação dos programas GET-IT e MAP em Portugal começou com um processo de selecção de parceiros locais para a abertura dos centros. Numa primeira fase, a HP escolheu como parceiro a Fundação Aga Khan, e integrou os centros GET-IT e MAP no programa K’CIDADE – Programa de Desenvolvimento Comunitário Urbano, que tem espaços na Alta de Lisboa, Ameixoeira e Mira Sintra.

Mais tarde, seleccionámos a Fundação para a Divulgação das Tecnologias de Informação – FDTI, para abrir um centro de empreendedorismo em Castelo Branco. Depois, estabelecemos uma parceria com a Fundação da Juventude para abrir um centro MAP no Porto; e outra com a Associação Empresarial de Sintra, onde existe um centro de formação para as pequenas empresas do município.

Recentemente, abrimos mais sete novos centros MAP através da nossa parceria com a FDTI, nos distritos de Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Lisboa, Leiria e Setúbal. O nosso intuito é descentralizar o acesso aos cursos de formação, alargando o espectro destes programas de empreendedorismo a todo o país.

Como é que funciona a vossa parceria com associações empresariais, centros de inovação, parques tecnológicos e câmaras de comércio para disponibilização desta formação ministrada pela HP?
Para se ser um centro GET-IT e MAP, tem de se ser já um centro de formação empresarial local. Em alternativa, pode-se ser um centro de inovação, um parque tecnológico, uma câmara de Comércio ou uma associação para o desenvolvimento económico.

Depois, importa que qualquer um destes espaços tenha uma sala de formação com capacidade para quinze a dezassete formandos, onde possa ser instalada toda a infraestrutura logística e tecnológica que permita uma aprendizagem interactiva, num ambiente confortável onde os formandos possam debater temas em grupo e realizar trabalhos individuais de TIC.

Por último, dois dos formadores do centro terão de ter um curso de formação em Genebra, na sede de MEA-I, para obterem a certificação de formadores oficiais GET-IT e MAP. Esta é uma formação intensiva de cinco dias que pretende ensinar aos formadores qual a melhor forma de dar o programa curricular com as metodologias mais actuais para a formação de adultos.

Na prática como é que os empreendedores conseguem melhorar  o desempenho dos seus negócios através das ferramentas tecnológicas fornecidas por estes programas?
Os planos de formação são desenhados a partir da perspectiva dos jovens empreendedores e dos pequenos empresários, dando-lhes competências para resolver os seus desafios empresariais e mostrando de que forma é que a tecnologia os pode ajudar a solucionar esses desafios. A ideia é que se familiarizem com as TIC e saibam como utilizá-las para resolver os desafios que têm na gestão e na expansão de uma empresa.

Alguns exemplos de temas dados nas sessões de formação são sistemas de gestão de tempo e informação; compras na Internet; análises e transacções financeiras; marketing electrónico; e competências para utilização de internet e email.

Face à actual conjuntura socioeconómica, que importância assume a disponibilização de um Programa de Formação Tecnológica para jovens à procura de emprego? E para os pequenos empresários e potenciais empreendedores?
Face à actual conjuntura socioeconómica, o GET-IT e o MAP podem ser uma mais-valia para ajudar os jovens desempregados e os pequenos empresários a encontrarem uma solução alternativa para fazer face à crise.

O GET-IT contribui para o desenvolvimento de novos empreendedores na área da gestão e das tecnologias, fomentando o empreendedorismo e encorajando-os a criarem a sua própria empresa. Por sua vez, o MAP ajuda as pequenas empresas a tornarem-se cada vez mais produtivas, rentáveis, competitivas e bem sucedidas.

É de realçar que o sucesso das pequenas empresas contribui para a recuperação económica do país, uma vez que o seu crescimento gera mais postos de trabalho. Uma característica comum às economias europeias é o facto das PME se assumirem como um pilar das suas estruturas empresariais. E Portugal não constitui excepção a esta regra. De acordo com o IPMAEI, as PME são perfeitamente dominantes na estrutura empresarial nacional, representando 99,6% das unidades empresariais – sociedades – do país, criando três quartos (75,2%) do emprego privado e realizando mais de metade dos negócios (56,4%).

 

Gabriela Costa

Jornalista