Com a implementação da Agenda 2030 das Nações Unidas e o crescente compromisso por parte das empresas para com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o GRACE, potenciando a experiência acumulada em matéria de voluntariado, reformulou o conceito do GIRO, transformando-o num Programa Anual com foco na Sustentabilidade
POR PAULA MIRANDA

Desde a sua génese, o GRACE – Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial assumiu como sua missão refletir, promover e desenvolver iniciativas de Responsabilidade Social Corporativa (RSC) e Sustentabilidade, onde naturalmente se inclui o Voluntariado Corporativo, entre outros.

Também as empresas, apercebendo-se que ao estabelecerem um maior compromisso com as comunidades que lhe são próximas acrescentavam valor ao seu negócio, começaram a implementar individualmente cada vez mais programas de voluntariado corporativo.

O voluntariado corporativo expressa, assim, a vontade de participação ativa das empresas nas comunidades onde estão inseridas e de demonstrar um compromisso responsável perante a sociedade.

Tendo em vista essa participação, as empresas procuram identificar na comunidade as necessidades existentes e que melhor se coadunem / conjuguem com as competências que nelas existem face às atividades que desenvolvem. O voluntariado corporativo possibilita, desta forma, aos colaboradores, a utilização das suas competências profissionais e pessoais em prol da sociedade, potenciando o seu sentimento de pertença a uma comunidade, reforçando os seus valores e aumentando a sua motivação. Por norma, os voluntários inscritos pertencem a áreas de atividade e a níveis hierárquicos diversos, pelo que a realização de ações de voluntariado corporativo permite também um melhor conhecimento entre as pessoas das várias áreas e a partilha de experiências entre as mesmas. Consequentemente, esbatem-se as hierarquias, reforça-se / aumenta-se o espírito de equipa e melhora-se a identificação com a cultura da empresa.

Importa reter que o voluntariado corporativo não tem como objetivo constituir-se numa ação de “team building”, substituindo-se ou integrando outras ações nesta área dos programas de formação anuais das empresas. O foco de ambas é diferente. Enquanto uma ação de “team building” visa trabalhar aspetos ligados aos Recursos Humanos da empresa, como o espírito de equipa, níveis de motivação, entre outros, uma ação de voluntariado corporativo tem na sua génese responder a necessidades específicas da comunidade. Os benefícios que daí advêm para os colaboradores e para o ambiente de trabalho na empresa são “meras” consequências.

Em 2006, o GRACE lançou o GIRO (GRACE, Intervir, Recuperar Organizar), projeto que procurava dar resposta à crescente procura de iniciativas de voluntariado por parte dos seus Associados. Em 2018, esta iniciativa anual chegou à sua 13ª edição e permitiu intervir em 75 locais de norte a sul do país, incluindo ilhas, com a ajuda de mais de 8600 voluntários, tendo beneficiado cerca de 150 entidades de economia social. Em 13 edições do GIRO foram realizadas dezenas de intervenções, com o objetivo de trabalhar, entre outros, a recuperação de espaços, proteção do ambiente, inclusão social, defesa dos animais e do património.

Com a implementação da Agenda 2030 das Nações Unidas e o crescente compromisso por parte das empresas para com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o GRACE, potenciando a experiência acumulada em matéria de voluntariado, reformulou o conceito do GIRO, transformando-o num Programa Anual com foco na Sustentabilidade, que permitirá uma maior aproximação das empresas às entidades de economia social e às suas necessidades, facilitando o envolvimento dos colaboradores numa aposta no voluntariado a longo prazo.

Paula Miranda

Este novo GIRO, que o GRACE decidiu designar GIRO 2.0, mantendo assim uma identidade que por si só é um paradigma de sucesso e adicionando um sufixo que lhe confere inovação, pretende ser um Programa de Voluntariado Corporativo de continuidade, alinhado com os ODS, capaz de ajudar as empresas a identificar corretamente os problemas sociais e apresentar respostas dinâmicas e eficazes, que passem pelo real envolvimento dos colaboradores e que permitam uma avaliação do impacto, quer nas empresas associadas do GRACE e nos seus colaboradores, quer nas entidades que acolhem esta iniciativa.

Ao alinhar este novo formato do GIRO com a Agenda 2030, o GRACE almeja impulsionar os seus Associados para a realização de ações de Voluntariado Corporativo que configurem uma nítida contribuição para o desenvolvimento sustentável e não apenas ações isoladas e não alinhadas com aquelas que são as reais necessidades que se fazem sentir atualmente a nível global.

Existirá algo mais relevante para uma empresa do que contribuir para algo tão nobre como:

Paula Miranda
Membro da Direção do GRACE em representação da Omnova Solutions

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