Quando a chamada Geração Y começou a preencher os postos de trabalho, trouxe consigo as ferramentas de trabalho contemporâneas: Facebook, YouTube ou Twitter. No início, tais “modernices” pareciam mais uma desculpa para estes nativos digitais relaxarem no trabalho. Mas o que muitos de nós, de gerações mais maduras, não nos apercebemos, é que todas estas multitarefas e redes sociais não são propriamente sinónimo de gastar tempo. São antes sinónimo de uma nova forma de trabalhar
POR CONCEIÇÃO ZAGALO*

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Conceição Zagalo é Membro do Conselho Directivo da IBM Portugal
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Em poucos anos, a Geração Y, também conhecida como os “The Millennials”, representará metade dos trabalhadores no mundo. E há já muita pesquisa que nos mostra que as suas lideranças tenderão a ser bastante diferentes daquelas que nós, com algumas rugas ou dores de costas, adoptámos.

Ao introduzir as redes sociais nas empresas, como o Facebook – cujo site permite partilha de informação – a Geração Y tem fornecido aos profissionais uma certa instrumentalização positiva. Foi esta mesma geração que conectou as pessoas umas com as outras ao mesmo tempo que as tornou mais inteligentes neste processo.

As qualidades que definem a Geração Y são as mesmas necessárias à construção de um planeta mais inteligente. O recente Future Leaders Study da IBM revelou que a Geração Y se preocupava muito mais com a globalização e com a sustentabilidade do que os CEO’s. Da mesma forma, os membros da Geração Y viam mais facilmente a sustentabilidade e a globalização de forma indissociável. De facto, a Geração Y registou mais 43 por cento de probabilidades de ver o pensamento global como uma qualidade de liderança de topo e mais 36 por cento de probabilidades de ver a sustentabilidade também como uma qualidade.

Parece que as ferramentas de conectividade dos Millennials estão agora a colorir o seu mundo. Como afirmou um dos jovens da Geração Y que participou no estudo, “as organizações precisam de começar a olhar para o mundo como se estivessem na lua. Promover a inovação, gestão e análise de dados, oferecer valor aos clientes, tudo de um ponto de vista global, conduzirá a organizações mais bem-sucedidas”.

Na verdade, um dos maiores problemas da actualidade reside na questão do petróleo e em apurar se os abastecimentos deste se esgotarão ou não. O que é menos falado é o problema do abastecimento de água. No entanto, devido aos nossos sistemas de gestão de água, uma em cada cinco pessoas no planeta não tem acesso a água potável e límpida. Ao mesmo tempo, cidades onde a água parece não escassear, o desperdício através de fugas nas infra-estruturas ascende a cinquenta por cento. Só a agricultura global, por exemplo, desperdiça sessenta por cento de água.

O estudo revelou ainda que face aos CEO’s, os Millennials esperam mais do dobro grandes consequências organizacionais devido à escassez de água. A Geração Y tem um nível mais alto de preocupação. Mas tem também um nível mais elevado de mestria em relação às ferramentas e qualidades de liderança necessárias para resolver os problemas contemporâneos.

A Geração Y recorre já a avanços na tecnologia para solucionar os desafios do planeta. Por exemplo, alguns usam sensores inteligentes, computação e análise profunda para criar melhores métodos de gerir a água no planeta. Estão a monitorizar, a medir e a analisar ecossistemas de água, desde os rios e reservatórios para as bombas e tubagem nas nossas casas. Trabalham para criar, essencialmente, Facebooks para a água, onde os cidadãos, organizações, negócios, comunidades e nações possam ter uma visão única, fiável e em tempo real da água que está a ser usada.

Os problemas que o mundo enfrenta hoje estão distribuídos. Por isso, as soluções precisam de ser distribuídas também. A geração Facebook compreende o que significa estar conectado melhor do que qualquer outra anterior geração. Como afirmou outro dos participantes no estudo, membro da Geração Y, “a ênfase na sustentabilidade estará mais presente na minha carreira e noutras da minha geração. Estamos mais conscientes dos efeitos da globalização e com isso vem a ideia do que é ser um cidadão global, responsável para os outros e para o mundo”.

Por tudo isto, reconhecemos que a Geração Y enfrenta problemas de grandes proporções. Mas também possui soluções de grandes proporções!