Para que se possa explorar plenamente o potencial da inovação social, é desejável que se consigam criar as condições necessárias que permitam apoiar, incentivar e dinamizar os agentes públicos, as entidades sem fins lucrativos e os privados a cooperarem e a implementarem soluções socialmente inovadoras, mas que sejam, simultaneamente, sustentáveis e capazes de gerar mais-valias para os investidores
POR PEDRO BARROSO MAGALHÃES

Durante muito tempo considerou-se que a intervenção no desenvolvimento de projectos capazes de responder aos problemas sociais existentes deveria circunscrever-se à actuação dos governos, das suas entidades públicas ou em cooperação com entidades sem fins lucrativos.

Contudo, ao longo dos últimos anos, muitas iniciativas da economia social e da sociedade civil têm-se mostrado inovadoras no tratamento dos problemas socioeconómicos e ambientais, contribuindo, simultaneamente, para o desenvolvimento económico e para a criação de valor.

Para que se possa explorar plenamente o potencial da inovação social, é desejável que se consigam criar as condições necessárias que permitam apoiar, incentivar e dinamizar os agentes públicos, as entidades sem fins lucrativos e os privados a cooperarem e a implementarem soluções socialmente inovadoras, mas que sejam, simultaneamente, sustentáveis e capazes de gerar mais-valias para os investidores.

Neste contexto, foi criada a Iniciativa Portugal Inovação Social, coordenada e gerida tecnicamente pela Estrutura de Missão Portugal Inovação Social (EMPIS), que tem como objectivos principais, nomeadamente, a dinamização do mercado de investimento social, com o desenvolvimento de instrumentos de financiamento mais adequados às necessidades específicas do sector. Portugal foi, assim, pioneiro na Europa ao lançar um programa para o financiamento de todo o ciclo de vida dos projectos de inovação social.

Um dos pilares deste quadro de iniciativas de apoio ao empreendedorismo social traduziu-se na constituição do Fundo para a Inovação Social (FIS), enquanto instrumento de política pública, que visa dinamizar o investimento de impacto em Portugal, actuando em áreas com forte potencial de inovação e que apresentem respostas para a resolução de problemas sociais.

O FIS tem, assim, como principal objectivo, a mobilização de instrumentos financeiros na área da inovação social, seja em cooperação com o sistema bancário, seja através da disponibilização de fontes de financiamento alternativas, procurando despertar os fundos de capital de risco para o potencial deste sector. Desta forma, para a prossecução do seu objectivo, o FIS, dotado por verbas do Fundo Social Europeu e pela correspondente comparticipação nacional, opera tanto na vertente de crédito como na vertente de capital. Ou seja, disponibiliza uma oferta que tanto procura fomentar o financiamento bancário, em condições favoráveis, através da concepção de uma garantia, como através da capitalização de empresas, em parceria com co-investidores privados.

O FIS, gerido pelo Banco Português de Fomento, pretende ser assim um factor dinamizador do ecossistema, em parceria com as entidades do sector, procurando ser uma alternativa de financiamento ou investimento de projectos desenvolvidos por pequenas e médias empresas (PME) que desenvolvam iniciativas de inovação e empreendedorismo social, nas regiões do Alentejo, Centro e Norte, atuando em parceria com o sector bancário, mas também em co-investimento com capitais de risco, business angels e outros investidores privados, individuais ou coletivos, nacionais e internacionais.

O FIS apresenta um portefólio de empresas investidas que contam com a Agroop, Bitcliq, ColorAdd, myEyes, Knok Healthcare, The Loop, Nutrium ou We Changers, contribuindo também para mobilizar para Portugal a atenção e o interesse de investidores internacionais qualificados. Alinhado, dentro das suas áreas de actuação, com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável definidos pelas Nações Unidas, o FIS afirma-se se cada vez mais, como um instrumento catalisador para o investimento de impacto e uma verdadeira alternativa a considerar por todos aqueles que pretendam desenvolver iniciativas de inovação e empreendedorismo social, capazes de criar benefícios sociais sustentáveis, positivos e duradouros.

Pedro Magalhães

Director de Capital, Dívida e Desenvolvimento de Negócio | Banco Português de Fomento, S.A.