No segundo Fórum Nacional das Finanças Éticas e Sociais, que se realizou em Faro no passado fim-de-semana, falou-se de banca social, de moedas alternativas, de educação, de redes de proximidade e da consciencialização colectiva necessária para que as alternativas aos modelos financeiros vigentes se tornem uma realidade
POR JOÃO GIL PEDREIRA

Foi no passado fim-de-semana que as finanças éticas e sociais voltaram a ser o tema principal do segundo Fórum Nacional das Finanças Éticas e Sociais (II FFES), que se realizou na Faculdade de Economia da Universidade do Algarve em Faro, entre os dias 19 e 21 de Fevereiro.

Resultado do trabalho incansável e dos apoios humanos, materiais e financeiros de dez entidades co-promotoras pertencentes ao Terceiro Sector e representativas dos movimentos de criação e de desenvolvimento das finanças éticas de Norte a Sul de Portugal, das parcerias estabelecidas com mais oito entidades e dos apoios adicionais recolhidos, o II FFES trouxe-nos um espaço de partilha, de reflexão, de discussão, e de estabelecimento de novos rumos para o futuro.

O II FFES contou com a presença dos oradores internacionais Malcolm Hayday, fundador e ex-presidente do Charity Bank (Inglaterra), Peru Sasia, fundador e presidente do Fiare Banca Etica (Espanha), Wlodzimierz Grudzinski, presidente do conselho de supervisão do TISE (Polónia), Kresimir Prevendar e Zoran Besak, fundadores da cooperativa Ebanka e responsáveis pelo projecto em curso banco EBanka (Croácia), Edlisa B. Peixoto, psicóloga clínica que nos trouxe em primeira mão o seu filme sobre a inspiradora história do banco Palmas (Brasil), entre muitos outros oradores nacionais, que nos trouxeram os projectos, iniciativas e os sonhos já existentes ao nível das finanças éticas e sociais em Portugal.

Foi também um espaço de união entre as finanças éticas e sociais e a cultura, de onde se realça a música dos Flor de Sal e a pintura da artista polaca Malgorzata Ewa Czernik, onde se celebrou mais uma vez a identidade societal como um todo indivisível.

Confiança, união, partilha e acção foram as quatro palavras-chave cantadas bem alto num anfiteatro com mais de cem pessoas, que se deslocaram até Faro para renovar os seus votos e os seus apoios à criação e ao desenvolvimento de alternativas financeiras em Portugal, que se caracterizem por propósitos sociais e éticos, pela sua total transparência, por sistemas de governo democráticos, e pela proximidade e pela intimidade com as comunidades, privilegiando sempre os circuitos económicos mais curtos.

A banca social, as moedas alternativas, a educação, as redes de proximidade, os próprios mecanismos de consciencialização colectiva para a existência de alternativas, foram alguns dos instrumentos de criação e de desenvolvimento das finanças éticas e sociais apresentados e discutidos no Fórum, que teve como um dos seus principais produtos finais o lançamento da Plataforma das Finanças Éticas e Sociais, que pretende vir a integrar o vasto conjunto de entidades empenhadas na construção de alternativas nestas áreas mencionadas e em outras que se venham a entender como fundamentais.

O segundo Fórum Nacional das Finanças Éticas e Sociais foi ao mesmo tempo um espaço de celebração, pelo muito que já tem vindo a ser feito ao longo destes últimos anos, e um espaço de re-energização das pessoas e das organizações do Terceiro Sector, que têm agora pela frente mais um ano de intenso trabalho na criação e desenvolvimento destas alternativas de finanças éticas e sociais, em que todos estão convidados a ser parte integrante.

Mais informação em: http://www.financaseticas.pt/

Nota: Este tema será desenvolvido com maior profundidade numa das próximas newsletters do VER