Em pouco mais de dois anos, a iniciativa de Diogo Ribeiro para apoiar jovens portugueses desempregados na procura de Emprego pelo Mundo tranformou-se numa rede de referência para milhões de utilizadores, ligando directamente empregadores e candidatos. Agora, o jovem de 26 anos, residente em Praga, quer, com o recém lançado EPM Jobs – que reúne já numa plataforma internacional ofertas de emprego dinamizadas por equipas em dez países – “desenvolver o ‘algoritmo’ da próxima geração dos sistemas de recrutamento”
POR GABRIELA COSTA

O Emprego Pelo Mundo, iniciativa voluntária contra o desemprego lançada em Fevereiro de 2013 para dar resposta à vaga de emigração associada à preocupante situação de milhares de jovens em Portugal, alcançou uma nova etapa. Aquela que começou por ser uma aventura de um jovem estudante na República Checa nas redes sociais, e que logo nos dois primeiros meses de actividade reuniu mais de um milhão de visualizações e cinco mil membros no Facebook, reunindo ofertas de emprego de 34 países dos cinco continentes, é hoje um portal internacional de emprego – o EPM Jobs – que liga directamente empregadores e futuros colaboradores, numa plataforma com funcionalidades dinâmicas que “está preparada para revolucionar o mercado da procura de emprego”.

Quem o diz é o fundador do projecto, cujo principal objectivo, sublinha, é aproximar os que procuram emprego a “oportunidades profissionais imperdíveis”, nesta nova plataforma “com design moderno e atraente, interface amigável e de navegação intuitiva”, e que oferece aos empregadores a possibilidade de colocarem anúncios de emprego, publicidade, e pesquisarem e realizarem a gestão de base de dados de CVs, entre outros serviços, “de forma a tornar mais fácil todo o processo de contratação, desde o primeiro contacto até à assinatura do contrato”.

Para Diogo Lino Ribeiro, 26 anos, que reside ainda em Praga, após concluir os seus estudos, e que tem uma larga experiência de vida em dezenas de países europeus e asiáticos, depois de ter “corrido mundo” com a família desde os três anos de idade, o Emprego Pelo Mundo – que começou por ser “um belo projecto fundado sob o signo da solidariedade e da entreajuda” quando, no “momento de aperto em que o desemprego explodiu e as pessoas não estavam preparadas para o enfrentar, era bonito ver todos a ajudarem-se entre si através do diálogo que se estabelecia na página” – é hoje “um site de referência para a procura de emprego” online.

Os dois anos e meio de “sucesso expressivo” da iniciativa traduzem-se em oito milhões de visitantes, 46 milhões de visualizações e seis mil aderentes diários à plataforma na Internet, bem como em  435 mil fãs na página de Facebook e 30 mil membros em grupos de ajuda à procura de emprego.

23072015_EstamosAdesenvolverOalgoritmo
Actualmente, a iniciativa (que arrancou com a colaboração de apenas três pessoas) conta com cerca de 30 equipas distribuídas por vários países no mundo: já disponíveis, os sites em Portugal, Brasil, Reino Unido e República Checa. Em desenvolvimento, os sites de Espanha, França, Itália, Holanda, Macau e Emirados Árabes Unidos.

Para o CEO do projecto em Portugal e, em colaboração com o co-fundador Maia Pedro, do EPM Jobs – que agrega os projectos de todos os países – a plataforma lançada em meados de Junho tem “potencial para se transformar numa das maiores redes de empregabilidade online e offline, a nível mundial”.

Não existem lugares impossíveis

23072015_EstamosAdesenvolverOalgoritmo2As propostas de emprego no EPM Jobs mantêm-se organizadas pelas principais áreas de actividade: Arquitectura, Comunicação, Design, Direito, Economia, Educação, Engenharia, Hotelaria, Marketing, Saúde e Turismo. O portal internacional inclui ainda uma zona de oportunidades em destaque e um espaço de notícias de economia e emprego, bem como informação prática com dicas para emigrar, para preparar ou ir a uma entrevista de emprego, ou para tirar o melhor partido do perfil profissional.

As profissões que exigem pessoal qualificado são as que registam maior procura de colaboradores, principalmente em saúde e engenharia. Por exemplo, “em Londres quase todos os hospitais procuram enfermeiros portugueses, adianta Maia Pedro, alertando que este é um destino para o qual, ao contrário de antigamente, “quase não vale a pena ir sem saber inglês e sem formação”. As notícias e experiências que vão documentando (o projecto não tem neste momento como objectivo a aglomeração de dados estatísticos) mostram também que “os engenheiros civis portugueses estão a ser muito aclamados nos países do golfe pérsico”, adianta o cofundador do EPM jobs. Candidatos a emprego continuam a encontrar-se “em todas as áreas”, uma vez que o fenómeno continua a afectar milhões de pessoas. E os portugueses continuam a procurar bastante as profissões ligadas ao Ensino, adianta, por seu turno, Diogo Ribeiro.

[pull_quote_left]Nos países nórdicos, do Golfo Pérsico, América Latina, Austrália ou Extremo Oriente há uma procura crescente de mão-de-obra especializada em várias áreas[/pull_quote_left]

Os destinos mais solicitados actualmente são vários, e a equipa tem “sempre o objectivo de alcançar o máximo de países”, através das oportunidades que lhes chegam, tendo por convicção que “hoje em dia quase não existe nenhum ‘lugar impossível’. A ideia, explicam os responsáveis da iniciativa, “é identificar alguns países que não eram destinos tradicionais para emigrantes do nosso país mas que, nos últimos anos, começaram a atrair trabalhadores portugueses” – como alguns países do Golfo Pérsico, países nórdicos, da América Latina, Austrália ou Extremo Oriente, onde há uma grande procura de mão-de-obra especializada, em várias áreas.

Segundo Maio Pedro, as ofertas de emprego em Portugal aumentaram no sector do Turismo, no qual “Portugal está com um potencial muito bom: somos uma aventura imperdível e o melhor destino de golfe. A CNN intitulou Lisboa a cidade mais cool da Europa, e em 2012 e em 2014 o Porto foi eleito melhor destino europeu, à frente de cidades como Londres e Paris. Com tantos elogios estrangeiros, ficou claro que só podíamos virarmo-nos para os negócios do turismo”, constata, confirmando “um grande crescimento e uma grande procura nesta área, com os nossos hotéis a começarem a recrutar muito mais, em quase qualquer altura do ano”. Um panorama que provavelmente “ainda se vai animar mais no futuro”, diz.

Por outro lado, verifica-se um “crescimento óbvio” na área de Tecnologias de Informação, e um maior número de ofertas nas já mais concorridas áreas da saúde e engenharia, conclui, salientando ainda o “avultado interesse” que se mantém nas áreas de consultaria, finanças e bancos.

Ofertas online são as que dão maior garantias de empregabilidade

23072015_EstamosAdesenvolverOalgoritmo3Pelas experiências, feedbacks e trabalho de investigação realizado pela equipa no âmbito do projecto, é possível afirmar não só a utilidade desta plataforma, no contexto socioeconómico português e europeu, e perante a crise financeira mundial, como o facto de a pesquisa de emprego na Internet (e consequentes resultados obtidos através desse meio) ser “aquela que mais garantias dá na concretização de um projecto no mundo do trabalho”.

Dando resposta a esta realidade, o Emprego pelo Mundo evoluiu para um patamar “que exige algum profissionalismo”, mas o projecto está ainda restringido a “muitas limitações”, visto “sermos estudantes e não termos recursos financeiros para o poder divulgar e expandir com a facilidade que gostaríamos”, explica Diogo Ribeiro. Deste modo, os investimentos já realizados “têm sido modestos e autossustentáveis”, diz.

A verdade é que a equipa sustenta, neste momento, seis freelancers e outras despesas inerantes à internacionalização, como a contratação de um servidor próprio. Mas os dois líderes do portal não retiram ainda “nenhuma vantagem financeira” para si, preferindo investir e “acreditar 200% no projecto”. Ainda assim, o retorno registado “ultrapassa, sem dúvida, tudo o que poderíamos esperar: neste momento temos 46 milhões de visualizações em todo o mundo, e a plataforma está a ser bastante visitada no Brasil, país para onde se começou a expandir há cerca de seis meses”.

O seu fundador garante que, quer em Portugal quer no estrangeiro, muitas empresas já contratam a divulgação das suas ofertas de emprego no EPM Jobs. Com esse contributo “vamos investindo na expansão do site”, adianta, defendendo: “sabemos que temos potencialidades para nos tornarmos num dos maiores sites de emprego”.

[pull_quote_left]Portugal está com um potencial muito bom para os negócios de turismo, onde regista uma grande procura[/pull_quote_left]

Até lá, a iniciativa recolhe principalmente o interesse de jovens entre os 25 e os 35 anos, destinatários primeiros desta iniciativa, os quais constituem a maior percentagem de aderentes. O perfil mais frequente, entre quem procura o projecto, são pessoas com maior nível de habilitações”. Face a estes dados, o jovem português residente na República checa tem ”esperança de que o futuro do site continue a ser de sucesso”.

No que diz respeito aos próximos objectivos desenhados a pensar no crescimento e consolidação daquela “que queremos que seja a próxima plataforma global de emprego”, Diogo Ribeiro avança, “sem querer dar muitas pistas do que ai vem”, que o EMP Jobs está “em constante desenvolvimento e com algumas ideias ainda no ‘forno’, como uma mobile app”.

Para além das funcionalidades mencionadas, como o interface amigável e a navegação intuitiva, a plataforma oferece vários serviços inovadores, em implementação com o objectivo de “tornar mais fácil todo o processo de contratação para as empresas e candidatos”. É o caso de um sistema de vídeoconferência online e offline que a equipa está a incorporar, e que pretende ajudar as pequenas e médias empresas no processo de recrutamento em longas distâncias, explica ao VER o empreendedor português.

Este sistema permite fazer uma pré-seleção entre milhares de candidatos a uma só oferta de emprego, em modo offline; e vai ao encontro das novas necessidades que candidatos e empregadores têm, no mundo globalizado, evitando, através da função online vídeo, que os primeiros se desloquem fisicamente para realizarem entrevistas de emprego . E apoiando, através desse mesmo sistema, “PME que, por vezes, não têm as condições ou os conhecimentos necessários” para proceder a este tipo de recrutamento.

A funcionar ainda no formato BETA, o projecto já recebeu contactos por parte de algumas empresas que “demonstraram entusiasmo” pelas funcionalidades que o EPMjobs já tem ou quer implementar. Por parte dos utilizadores “o feedback tem sido bastante positivo,   contabilizando-se cerca de 1500 registos, em apenas duas semanas”.

É nesta expectativa optimista que Diogo Ribeiro reafirma a vontade de “continuar a contribuir para que todas as pessoas que queiram ter acesso ao mercado laboral possam contar com ajuda” adequada aos seus interesses e necessidades. Uma ajuda cada vez mais inteligente, considerando, como acredita o jovem português, que a equipa do novo portal internacional de emprego está, “neste momento a desenvolver o ‘algoritmo’ da próxima geração dos sistemas de recrutamento”.

Gabriela Costa

Jornalista