A esmagadora maioria (83%) dos inquiridos no Barómetro de Março da ACEGE defende uma maior intervenção das autoridades no controlo de montantes transferidos para offshores. Segundo o inquérito mensal que ausculta o sentimento económico do País, a maior parte dos executivos (81%) acreditam que a Comissão Parlamentar de Inquérito à CGD devia ter acesso às trocas de mensagens SMS entre Mário Centeno e António Domingues
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A larga maioria (76%) dos empresários e gestores inquiridos no Barómetro de Março da ACEGE – Associação Cristã de Empresários e Gestores discorda da forma como está a ser analisado o problema dos 10 mil milhões de euros transferidos para paraísos fiscais, à margem do tratamento da Autoridade Tributária (apenas 13% concordam).

Quanto ao controlo dos montantes transferidos para offshores, 83% defendem uma maior intervenção das autoridades, contra uma minoria de 7%, que afirma o contrário. Para uma também maioria, de 72%, este assunto não está explicado nem encerrado, a nível político – apenas 21% dos inquiridos no inquérito mensal acreditam que sim.

De acordo com o Barómetro realizado em parceria com o Observador, a TSF e a Netsonda, a quase totalidade dos empresários (80%) não concorda com a extinção do Conselho de Finanças Públicas, por oposição a somente 5% das respostas.

Na área da Banca, que vem sendo permanentemente auscultada pela ACEGE, face às constantes notícias que produz, 81% acreditam que a Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos devia ter acesso às trocas de mensagens SMS entre Mário Centeno e António Domingues (e apenas 15% pensam o contrário). Já o trabalho de António Costa como governador do Banco de Portugal é avaliado de forma “suficiente” por 32% dos inquiridos; com um “bom” por 27%; um “mau” por 23%; e um “muito mau” por 8% dos participantes.

“Seniores devem dar mais oportunidades aos jovens”

O Barómetro de Março inclui uma questão de resposta aberta: “Quais os principais problemas que se colocam aos jovens profissionais nos tempos de hoje?”

A precariedade no emprego e a falta de oportunidades estão entre os principais problemas revelados na extensa lista de preocupações laborais face aos jovens. Como sublinha à TSF o presidente da ACEGE, “o nível de resposta é muito longo e, curiosamente, [estas] são díspares” relativamente às preocupações que foram demonstradas pelos próprios, no estudo “Jovens e o Mundo Profissional”, encomendado pela Associação Cristã e concluído em Fevereiro último.

Segundo João Pedro Tavares, “uma margem significativa de respostas considera que os jovens não têm acesso a níveis de liderança, e que têm muita dificuldade em trabalhar nas áreas para as quais se formaram”. Mas, e curiosamente, para os jovens “isso não representa um problema, mas uma oportunidade”, já que “estão preparados” para enfrentar esse desafio. De igual modo, “a necessidade de emigrar não representa um problema”, na sua perspectiva.

[quote_center]A precariedade no emprego e a falta de oportunidades estão entre os principais problemas que afectam os jovens[/quote_center]

Dito isto, “aquilo que mais preocupa as pessoas (e admito que nas respostas estejam muitos pais incluídos), diz João Pedro Tavares, “é a precariedade do primeiro emprego, a falta de oportunidades, a necessidade de emigrar e a baixa remuneração que têm face às qualificações e capacidades que esses jovens têm”. Concluindo: “há uma mensagem muito importante para os seniores, que é darem mais oportunidades aos jovens”. Para além destes factores, as preocupações mais votadas pelos participantes no Barómetro são a conciliação do trabalho com a vida profissional, a gestão do tempo e a afirmação de valores éticos em culturas empresariais competitivas.

A propósito, o inquérito deste mês avalia ainda a ACEGE Next, que agrupa associados e futuros associados que se encontram em início de carreira profissional, com vista a, de uma forma mais focada, discutir e encontrar soluções para os problemas concretos das novas gerações. A maioria dos gestores que participam nesta edição (68%) consideram esta iniciativa “muito positiva”, 30% dizem que é “positiva”, e ninguém a apelida de “muito negativa”. A grande maioria (87%) aconselharia os seus colaboradores em início de carreira profissional a aderir à ACEGE Next (contra apenas 1%).

O inquérito, que mensalmente toma o pulso ao sentimento económico face às questões da actualidade, inclui a questão fixa “Como define o seu estado de espírito em relação ao País?”. A exemplo das edições anteriores, os executivos continuam a revelar principalmente um sentimento pessimista. Os empresários e gestores “moderadamente pessimistas” constituem a maioria, com 36% das respostas (ainda assim, uma melhoria significativa face ao Barómetro de Fevereiro, que registou 45% neste pessimismo moderado). Seguem-se os “moderadamente optimistas”, com 30% (20%, no mês anterior), e passando assim à frente dos que não estão “pessimistas nem optimistas”, que em Fevereiro ocupavam a segunda posição, com 21% (agora com 25%); e, por fim, os “francamente pessimistas”, com 9% (13%, em Fevereiro). Como habitualmente, ninguém se manifesta francamente optimista em relação à actual situação do País.

Realizado em colaboração com a Netsonda junto de altos responsáveis de empresas portuguesas, este inquérito mensal é constituído por perguntas de sentimento económico formuladas pelos três parceiros da iniciativa e enviadas aos gestores associados da ACEGE. A presente edição do Barómetro foi realizada entre os dias 8 e 20 de Março, período durante o qual foram questionados 1272 empresários e validadas 201 respostas.

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