A Ideias & Desafios prepara para o início de 2014 mais um Mover Portugal, workshop para desempregados, totalmente gratuito, onde já participaram mais de mil pessoas, com uma taxa de sucesso de 30 a 40% poucos meses após a formação. No balanço de dez edições, José de Almeida, partner da especialista em performance organizacional, sublinha as tendências de reintegração no mercado de trabalho, abaixo dos 40 anos, e de criação do próprio emprego, acima
POR GABRIELA COSTA

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“Estou desempregado… e agora?” Esta é uma das questões que mais se coloca quando se enfrenta uma situação destas. A pensar nas “muitas pessoas de extremo valor que se viram, por causa da conjuntura económica actual, sem emprego”, e no âmbito do conjunto de acções de solidariedade social em que está empenhada, a Ideias & Desafios desenvolve há já mais de dez edições a iniciativa Mover Portugal que, cumprindo “um sonho antigo do seu fundador”, realiza acções de formação totalmente gratuitas para desempregados.

O Workshop “vem de encontro à necessidade crescente de existirem soluções para a capacitação de profissionais em diferentes vertentes, que lhes permita aumentar as oportunidades de encontrar um emprego ou, em alternativa, criar o seu próprios projecto”.

Incidindo sobre as vertentes da Liderança intrapessoal, comunicação e influência, procura de emprego e criação do seu próprio emprego, os participantes são desafiados, ao longo de três dias, “a pensar fora da caixa por forma a encontrarem novos recursos e resolverem a sua situação profissional”.

Reunindo em média 150 a 200 participantes por edição, o Mover Portugal regista um rácio de sucesso que abrange cerca de 30% a 40% dos participantes, os quais  “três a quatro meses após a formação encontram emprego ou criam o seu próprio projecto”.

A iniciativa funciona exclusivamente com fundos próprios da Ideias & Desafios e dos parceiros que a ela se associam. Em entrevista ao VER, José de Almeida, partner da Ideias & Desafios, adianta que o projecto de expansão definido para 2014 levará o Mover Portugal a outros pontos do país.

O projecto “cresceu demasiado para se manter na área de Responsabilidade Social” da empresa, explica, pelo que “neste momento estamos a criar uma associação que, para além do Mover Portugal, irá fazer muito mais no âmbito da empregabilidade”. Esta nova fase deverá estar concluída “até ao final do ano”, avança também.

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José de Almeida, Partner da Ideias & Desafios
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Que balanço faz do projecto “Mover Portugal” que promoveu já mais de dez edições a nível nacional com acções de formação gratuitas para desempregados, cumprindo um antigo sonho do fundador da Ideias & Desafios e reforçando, simultaneamente, o empenho da I&D na área da solidariedade social, numa altura em que o desemprego é um dos principais flagelos que o País enfrenta?
O balanço é misto. Por um lado é extremamente positivo, dado que chegámos a mais de mil pessoas com uma taxa de sucesso de 30 a 40%, três a quatro meses após a formação. Abaixo dos 40 anos normalmente reentram no mercado de trabalho. Acima dos 40 anos criam o seu próprio emprego.

Por outro lado é frustrante ter, por vezes, 300 lugares disponíveis na sala, mais de 300 inscrições e apenas 200 pessoas a participar. Ou seja, podíamos estar a chegar a muitas mais pessoas, caso elas decidissem envolver-se. O que nos leva a pensar um pouco como a sociedade e as pessoas funcionam a este nível.

Para os que têm participado, o sucesso que têm tido e as histórias que nos chegam do impacto que o workshop teve no ambiente familiar enchem-nos a alma. Temos feito esta formação em Lisboa com maior frequência, tendo já realizado acções no Porto e no Funchal, mas no projecto de expansão que temos definido para 2014 pretendemos levá-la a outros pontos do país.

Em que medida vem esta iniciativa ao encontro da necessidade que cada vez mais portugueses desempregados têm de encontrar novas alternativas profissionais e soluções para a sua capacitação em diferentes vertentes, com vista a melhorar a sua empregabilidade?
O projecto tem vindo em crescendo. Se na 4ª edição estávamos a fazer grupos de 80 a 100 pessoas, hoje em dia trabalhamos com mais de 200, como referi.

O que é engraçado é que cada vez mais as pessoas apostam nos seus projectos em detrimento de procurar um emprego. Por vezes acham que é uma situação transitória, pensam: vou fazer isto enquanto não arranjo nada… Mas depois acabam por gostar da liberdade que isso lhes dá e fazem desse o seu projecto de vida.

Os que procuram emprego, encontram muitas vezes no workshop uma nova direcção. Ao olhar para as suas valências de uma forma mais alargada, são quebrados os seus limites mentais, e novas carreiras por vezes se desenham ali.

De que modo as áreas em foco nesta formação contribuem para o rácio de sucesso da iniciativa? Do total de desempregados que conseguiram ultrapassar a sua situação, a maioria encontrou um novo emprego ou lançou um projecto próprio?
Eu diria que a chave do sucesso do projecto é o facto de durante três dias levarmos as pessoas numa viagem sem paragens. O que acontece normalmente é que as pessoas vão fazendo uns cursos, lendo umas coisas, falando com alguns amigos, mas o esforço não é contínuo, ou seja, vai-se fazendo.

“Cada vez mais as pessoas apostam nos seus projectos, em detrimento de procurar um emprego”

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Mas nesta formação, são “obrigadas” a estar três dias em imersão, a entrar em contacto com o seu processo de mudança. Raramente na nossa vida temos essa oportunidade de parar e olhar para dentro de nós a fundo – para os aspectos que temos de mudar, ultrapassar ou para os conhecimentos que temos que adquirir.

Se tivesse de colocar uma tónica no segredo do sucesso do Mover Portugal seria claramente aqui, embora não seja o único.

Que antevisão faz para a próxima edição, prevista para breve, em termos dos conteúdos programáticos abordados e do nível de participação?
A próxima edição será em Janeiro em Lisboa, em data a definir. O nosso objectivo é chegarmos aos 250 participantes. No entanto o projecto cresceu demasiado para se manter na área de Responsabilidade Social da Ideias & Desafios. Neste momento estamos a criar uma associação que, para além do Mover Portugal, irá fazer muito mais no âmbito da empregabilidade. Esta nova fase do projecto deverá estar pronta até ao final do ano.

Gabriela Costa

Jornalista