O próximo dia 5 de Junho é dia de grandes decisões para Portugal. Vamos escolher o líder do nosso próximo governo e vamos também escolher a configuração que esse governo terá. Mas todos somos chamados à responsabilidade de actuar. Não através dos partidos, mas através da sociedade civil. Só dependemos de nós próprios para conseguirmos avançar e temos que deixar de nos alhear do futuro do país.
POR MANUEL CARY

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Eng. Manuel Cary – Partner TIIC
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No actual quadro económico e financeiro, há duas correntes de opinião diferentes sobre a relevância desta escolha. De um lado, há os que dizem que o nosso próximo governo é de gestão, uma vez que a sua autonomia está totalmente condicionada pelos acordos estabelecidos com os nossos credores, por outro lado há quem argumente que o nosso próximo governo, a sua força e a sua qualidade, serão determinantes para que se consiga gerir a relação com os credores, e dessa forma moldar o futuro de Portugal de uma forma mais positiva e construtiva.

As alternativas que se apresentam são bastante desanimadoras, e em grande medida explicam as razões para que o país tenha chegado onde chegou. De um lado temos um dos principais responsáveis pela situação em que nos encontramos, que persiste numa estratégia de negação de responsabilidade, e segue na sua linha de dissimulação e ilusão. A força que continua a demonstrar é talvez dos sinais mais preocupantes que se tem visto nossa história democrática recente, e mostra que os eleitores ainda não tomaram verdadeira consciência da situação em que o país se encontra, ou então que ainda estão na fase da negação … Do outro lado surge um candidato voluntarista e bem-intencionado, mas que não consegue fazer passar a sua mensagem para os leitores. E não conseguir fazer passar a mensagem no actual quadro é (ou deveria ser) motivo de reflexão profunda, e justificaria uma mudança táctica por parte do candidato da oposição. Se sozinho não consegue convencer os eleitores, então provavelmente deveria dizer-nos quem o vai acompanhar na liderança do país, talvez isso convencesse … A consequência da pobreza das alternativas é a situação de impasse em que aparentemente nos encontramos, com as sondagens a mostrarem uma enorme divisão do eleitorado, o que no actual quadro é o pior que pode acontecer ao nosso país! Mas a democracia é isto mesmo, tem os seus defeitos mas é o melhor sistema que se conhece…

Perante este quadro todos somos chamados à responsabilidade de actuar. Não através dos partidos, mas através da sociedade civil. Só dependemos de nós próprios para conseguirmos avançar, e temos que deixar de nos alhear do futuro do país.

É preciso intervir em primeiro lugar no trabalho, nas universidades e nas escolas, fazendo mais e melhor, aumentando a nossa produtividade, perseguindo a excelência.

É indispensável que nos preparemos por antecipação para os momentos difíceis que se aproximam, ajustando o nosso estilo de vida, tomando mais atenção aos mais necessitados que nos rodeiam, preparando-nos para intervir junto dos nossos círculos mas próximos, num quadro em que o Estado deixará de poder desempenhar as funções sociais que desempenhou nos últimos anos.

É tempo de decidir não apenas quem nos vai governar, mas acima de tudo é tempo de decidir que quem nos governa somos nós próprios, e só assim teremos futuro!

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