A decisão da Assembleia da República em declarar 2016 como o Ano Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar representa uma espécie de prémio para os cidadãos comuns que, inicialmente, tanto batalharam por esta pura causa de cidadania: a de colocar no ADN nacional esta atitude “anti-desperdício”
POR ANTÓNIO COSTA PEREIRA

A Dariacordar associação para a recuperação do desperdício – viu com muito bons olhos o facto de 2016 ter sido declarado em Portugal como o Ano Nacional de Combate ao Desperdício Alimentar.

Esta decisão da Assembleia da República representa uma espécie de prémio para os poucos cidadãos comuns que, inicialmente, tanto batalharam por esta pura causa de cidadania, que juntou instituições estatais, empresas públicas e privadas, câmaras municipais e juntas de freguesia, instituições sociais, escolas e universidades, artistas, escritores, etc.

Mais ainda e de acordo com organizações internacionais como a FAO, este movimento português é único no mundo, justamente pela forma como tornou legal (com a ASAE e o Governo de Portugal) este projecto e integrou, no mesmo, tantos e diferenciados parceiros.

Felizmente que o trabalho empregue no Movimento Zero Desperdício obteve resultados concretos e diferenciados, que podem ser quantificados. A título de exemplo, foram recuperadas mais de 2 milhões e 300 mil refeições, pouparam-se cerca de 5,8 milhões de euros – que não foram deitados à rua -, obtiveram-se ganhos ambientais específicos, cifrados em menos 1165 toneladas de lixo e menos 4893 toneladas de CO2 lançadas para a atmosfera e o Movimento estendeu a sua presença a 10 municípios portugueses, apoiando 1387 famílias através de 60 instituições e 130 doadores.

Assistimos igualmente a uma crescente implementação desta “atitude anti-desperdício” em Portugal (outros municípios se seguirão ainda este ano), mostrando a quem nos visita, um País solidário, sustentável e que consegue trabalhar em conjunto de uma forma solucionática.

Todavia, não nos limitamos a recuperar refeições: é nossa pretensão, desde o início, colocar esta questão no ADN da sociedade e, nesse sentido lançámos, em 2015, uma colecção  de quatro livros para os mais pequenos, com histórias relacionados com este tema. O intuito foi o de sensibilizar os alunos do 1º ciclo para a importância de evitarem o desperdício alimentar, em várias vertentes: do supermercado ao frigorífico, na família e na escola, não esquecendo a própria cadeia de produção alimentar. De sublinhar ainda que todos os intervenientes neste processo (autores, ilustradores, etc.), fizeram-no em regime de pro bono. A Câmara Municipal de Lisboa já distribuiu 14 mil livros nas escolas do seu concelho, sendo que outros municípios seguirão o seu exemplo exemplo. Adicionalmente e entretanto, os quatro livros já fazem parte do Plano Nacional de Leitura e contamos, a breve trecho, nomeadamente nos próximos meses, que todas as escolas do 1º Ciclo do Ensino Básico venham a ter acesso directo, e gratuito, a esta colecção.

Um outro bom exemplo da transversalidade de cidadania nesta causa foi a feitura do Hino do Movimento que, em 2012, juntou mais de 50 artistas de idades e géneros musicais completamente díspares.

Também ao nível do Turismo, os próximos tempos trarão algumas boas novidades nesta matéria e mostrarão, lá fora, que a dinâmica do Movimento Zero Desperdício funciona como uma verdadeira economia circular.

De sublinhar também que, desde Abril de 2014, passámos a contar com o importante apoio da Fundação Calouste Gulbenkian, que permitiu a criação dum back office, fundamental para o crescimento sustentável deste movimento que, em 2015 foi também certificado como uma Iniciativa de Elevado Potencial de Empreendedorismo Social pelo ES+.

Adicionalmente fomos reconhecidos pelo selo PRATo (Boas Práticas e Actos no desperdício alimentar zero) e vencemos ainda o 1º prémio dos Food & Nutrition Awards na categoria de Iniciativa de Mobilização.