Na abertura da COP 21, em Paris, os líderes mundiais foram convidados a determinar o tom das negociações sobre aquele que se deseja ser um acordo ambicioso, vinculativo e que tenha em consideração as necessidades de cada país. Bill Gates anunciou um fundo milionário para as energias limpas e o primeiro-ministro indiano apresentou a Aliança Internacional Solar.
POR INÊS F. ALVES
© Jornal de Negócios

Na abertura da Cimeira do Clima em Paris, os líderes mundiais foram convidados a determinar o tom das negociações sobre aquele que se deseja ser um acordo ambicioso, vinculativo, mas também flexível, isto é, que tenha em consideração as necessidades de cada país – sendo que os 195 países representados na COP21 atravessam fases de desenvolvimento distintas e são afectados de forma diferenciada pelas alterações climáticas. Enquanto os líderes mundiais tomavam o palanque para determinar as linhas mestras das conversações, era nas reuniões paralelas que se faziam os primeiros avanços nesta matéria, mantendo em alta as expectativas para esta cimeira.

À margem da Conferência das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, apresentou a Aliança Internacional Solar, que reúne 121 países situados entre os trópicos de Câncer e de Capricórnio, alguns dos quais têm mais de 300 dias de Sol por ano. O objectivo desta coligação é assegurar a transferência de tecnologia e financiamento para o desenvolvimento em todos os países com potencial solar com capacidade para gerarem energia.

“Queremos trazer a energia solar para as nossas vidas, as nossas casas, tornando-a menos cara, mais confiável e mais fácil de a ligar em rede”, disse Narendra Modi, na presença do Presidente francês, François Hollande, e do secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon.

“Não podemos continuar a aceitar o paradoxo de que os países com maior potencial de energia solar produzam apenas uma pequena parte de electricidade solar”, afirmou o líder francês.

No mesmo dia, Bill Gates anunciava também em Paris uma coligação energética, um clube informal de 28 investidores privados de todo o mundo, onde se incluem vários bilionários, que acordaram investir na investigação de energias limpas.

Esta coligação, denominada  Breakthrough Energy Coalition, conta com a participação de personalidades de peso, como Mark Zuckerberg, fundador do Facebook; Richard Branson, do Virgin Group; Reid Hoffman, fundador do Linkedin; e Jeff Bezos, fundador da Amazon.

O grupo investirá sobretudo em empresas focadas no desenvolvimento de energias limpas em vários sectores, como a geração de electricidade, armazenamento, transportes e agricultura.

O fundo dos magnatas foi anunciado em conjunto com a Missão Inovação, um esforço de 21 países – onde se incluem os EUA, o Reino Unido, a Austrália, a Alemanha, a China e o Brasil – para duplicarem o seu investimento em energias limpas. A expectativa é que este fundo venha a incrementar o apoio governamental em 20 mil milhões de dólares, cerca de 18,9 mil milhões de euros.

“As energias renováveis que temos hoje, como a energia do vento ou solar, fizeram um grande progresso e podem ser um caminho para um futuro energético descarbonizado (…) mas dada a dimensão do desafio, precisamos de explorar caminhos diferentes, o que significa que temos de ter novas abordagens. As empresas provadas vão eventualmente desenvolver inovações energéticas, mas o seu trabalho terá de partir do tipo de pesquisa básica que apenas os governos podem financiar. Ambos têm um papel a desempenhar”, explicou o co-fundador da Microsoft, Bill Gates.

Até 11 de Dezembro, em Bourget, na periferia de Paris, representantes de 195 países discutem um acordo para a redução das emissões de gases com efeito de estufa. As expectativas são de um entendimento que coloque países desenvolvidos e em desenvolvimento a trabalhar para um objectivo comum, o de limitar o aumento da temperatura a 2ºC até ao final do século, tendo por base os níveis pré-industriais.

Com as contribuições nacionais apresentadas voluntariamente por mais de 170 países (denominadas INDC), é possível limitar este aumento aos 2,7ºC, um valor que fica acima da meta dos 2ºC, a partir da qual a comunidade científica acredita que os efeitos das alterações climáticas serão dramáticos.

Entre os assuntos pendentes nesta cimeira está um mecanismo de revisão das metas nacionais de cinco em cinco anos – o que pode permitir respeitar o limite dos 2ºC – e o financiamento aos países em desenvolvimento para mitigarem os efeitos das alterações climáticas, adaptarem as suas infra-estruturas e fazerem a transição para uma economia de baixas emissões.

© Jornal de Negócios, 01 de Dezembro de 2015. Republicado com permissão.

INÊS F. ALVES