Realizadores, produtores e actores por um dia. Amadores ou profissionais, milhares de cidadãos de todos os cantos do mundo participam em “One Day on Earth”, documentário sobre a condição humana com estreia marcada para o Dia Mundial da Terra. Associando-se à iniciativa que reúne hoje uma rede social de acção pelas grandes questões globais, a Plataforma Portuguesa das ONGD lança, a 22 de Abril, o Ciclo de Cinema “Direitos e Desenvolvimento”, que integra um conjunto de debates que valorizam “o trabalho das ONGD na redução das disparidades a nível mundial”
POR GABRIELA COSTA

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“Um Dia na Terra” tem estreia mundial a 22 Abril
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A Plataforma Portuguesa das ONGD lançou um ciclo de cinema que pretende criar espaços de debate sobre questões relacionadas com o desenvolvimento. A iniciativa, dinamizada em parceria com o Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC), irá decorrer ao longo do ano de 2012, com o objectivo de divulgar o trabalho das ONGD.

“One day on earth”, realizado por Kyle Ruddick e produzido por Brandon Litman, a partir de mais de três mil horas de imagens captadas em todo o mundo, com a colaboração de milhares de pessoas, é o filme que assinala, a 22 de Abril, a data do arranque do Ciclo de Cinema “Direitos e Desenvolvimento”. O lançamento decorre em sintonia com a celebração do Dia Mundial da Terra, no âmbito do qual este documentário de 104 minutos sobre a humanidade será transmitido um pouco por todo o planeta, em estreia mundial.

Em Portugal “Um Dia na Terra” será exibido pelas 17 horas, no Auditório do Diário de Noticias, em Lisboa, seguindo-se um debate. A entrada é gratuita, mediante inscrição por e-mail.

Com a projecção deste filme, a Plataforma Portuguesa das ONGD e o UNRIC (cuja sede em Bruxelas desenvolve a iniciativa Cine-ONU) associam-se ao projecto One Day on Earth, que aborda anualmente a condição humana a nível mundial, através de inúmeras experiências reais, captadas pelos cidadãos de mais de 160 países.

A Plataforma Portuguesa das Organizações Não-Governamentais para o Desenvolvimento representa um grupo de 67 ONGD registadas no Ministério dos Negócios Estrangeiros, actuando nos domínios da cooperação para o desenvolvimento, da ajuda humanitária e de emergência e da educação para o desenvolvimento e formação.

Em entrevista ao VER, César Neto, responsável de Comunicação desta Plataforma, sublinha que em situações de crise, se “coloca muitas vezes em causa a ajuda aos países em desenvolvimento”, pelo que é fundamental fomentar “um debate informativo sobre os direitos humanos e a importância do trabalho de cooperação para o desenvolvimento”.

Como surgiu a ideia de criar o Ciclo de Cinema “Direitos e Desenvolvimento” e quais são os objetivos da iniciativa?
O Ciclo de Cinema “Direitos e Desenvolvimento” surgiu no âmbito de uma proposta de colaboração do Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC), indo ao encontro da campanha de consciencialização da Plataforma, que pretende chamar a atenção, informar, criar espaços de debate e envolver as pessoas com as temáticas do desenvolvimento e dos direitos humanos, através de várias iniciativas.

Esta campanha de consciencialização utiliza a arte, neste caso o cinema, para conseguir atingir estes objectivos. Já no ano passado desenvolvemos iniciativas que utilizaram a arte para consciencializar para estas temáticas, por exemplo através da música, no projecto Por Um Objectivo.

Como é que o projecto será desenvolvido, em articulação com a iniciativa Cine-ONU realizada pelo UNRIC em Bruxelas?
O Ciclo de Cinema “Direitos e Desenvolvimento” irá ter várias sessões ao longo de 2012, exibindo diferentes filmes sobre diferentes temáticas, sempre relacionadas com o trabalho das ONGD. Cada projecção será seguida de um debate. A definição das temáticas e dos filmes caberá à Plataforma Portuguesa das ONGD e ao Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC).

“Atendendo à conjuntura socioeconómica mundial, colocar estes assuntos na agenda pública é extremamente relevante” .
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Com que periodicidade serão transmitidos os filmes incluídos neste Ciclo de Cinema e que exemplos de temáticas a abordar nos mesmos, bem como nos debates, pode antecipar?
Ainda não temos todas as sessões definidas. No entanto estamos a planear já as próximas sessões, que deverão ocorrer em Maio ou em Junho. Um dos temas previstos para estas sessões é Timor, por ocasião dos dez anos de independência daquele país.

Os debates serão sempre desenvolvidos na perspectiva do trabalho das ONGD, focando-se nas questões do Desenvolvimento e dos Direitos Humanos.

Na sua opinião, e atendendo à actual conjuntura a nível mundial, qual é a importância de criar estes espaços de debate dedicados às questões relacionadas com os direitos humanos e a cooperação para o desenvolvimento?
Atendendo à conjuntura socioeconómica mundial, colocar estes assuntos na agenda pública é extremamente relevante. Nestas situações de crise, coloca-se muitas vezes em causa a ajuda aos países em desenvolvimento, logo é importante o fomento de um debate informativo sobre os direitos humanos e a importância do trabalho de cooperação para o desenvolvimento.

Como servirá este Ciclo de Cinema para informar sobre o trabalho das ONGD e que impacto poderá ter essa divulgação na autonomia e eficiência das organizações do Terceiro Sector?
Este Ciclo permite apresentar o trabalho das ONGD e discutir as temáticas relacionadas com as suas áreas de trabalho. Neste sentido, através do trabalho de realizadores, produtores e em alguns casos actores, é possível de uma forma mais eficaz e isenta apresentar o panorama actual e demonstrar como o trabalho das ONGD é importante para a redução das disparidades a nível mundial.

Se conseguirmos envolver as pessoas com estas temáticas, e se estas reconhecerem a legitimidade e o valor do trabalho das ONGD, este será um passo importante para a autonomia e eficiência do trabalho das ONGD.

Que tipo de personalidades serão convidadas a participar nos debates e que contributos espera a Plataforma das ONGD que dêem à iniciativa?
O tipo de personalidades irá variar tendo em conta a temática em debate. A ideia é trazer contributos de especialistas na temática e ainda de representantes de ONGD que possam fazer a “ponte” entre o tema em debate e o trabalho das ONGD.

A quem se dirige este Ciclo, entre profissionais do Terceiro Sector e público em geral?
O Ciclo pretende atingir um público vasto e cada sessão, tendo em conta o tema, poderá ter públicos diferentes. Alguns exemplos de públicos são os jovens estudantes do ensino superior, os técnicos do Terceiro Sector, pessoas que se interessam por estas temáticas e também pessoas interessadas em cinema, entre outros.

A iniciativa arranca com a estreia de ”Um Dia na Terra”, assinalando o Dia Mundial da Terra. Que comentário faz a este documentário sobre a humanidade, para o qual contribuíram milhares de pessoas em todo o mundo?
O filme “Um Dia na Terra” apresenta uma visão “real” sobre o mundo em que vivemos, focando-se nas similaridades e nas diferenças que existem entre os vários países. Deste filme realço a forma como demonstra que, apesar de sermos diferentes, de termos acesso a recursos diferentes, temos também muitas parecenças, mais do que muitas vezes pensamos.

Em Portugal, a projecção a 22 de Abril será seguida de um debate moderado por Leonídio Ferreira, subdirector do Diário de Notícias, que contará com a participação de Liliana Azevedo, membro da direcção da Plataforma Portuguesa das ONGD e de um convidado, ainda a confirmar.

Em que medida é o debate sobre a condição humana útil, na perspectiva da sustentabilidade do planeta e da própria sociedade a nível  global, para minorar desigualdades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento e até para atingir os ODM?
Consideramos que o debate é o primeiro passo, pois através do debate pretendemos que as pessoas fiquem mais informadas e que mudem a sua atitude em relação a estas temáticas e ao trabalho das ONGD, o que poderá contribuir para a mudança social, para que as pessoas mudem os seus comportamentos e contribuam para minorar as desigualdades entre países desenvolvidos e em desenvolvimento.

“Um Dia na Terra” todos vamos realizar
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O Dia  Mundial da Terra, 22 de Abril, será celebrado em todo o mundo com uma estreia anunciada: “One Day on Earth” é a primeira longa-metragem ‘produzida’ por milhares de cidadãos anónimos, oriundos de mais de 160 países. O documentário foi produzido por Brandon Litman a partir de mais de 3 mil horas de diversas imagens em setenta línguas diferentes que captam, no mesmo dia, a experiência humana do quotidiano, das grandes metrópoles aos lugares mais recônditos do Planeta.

Ao todo, mais de 19 mil voluntários – amadores e profissionais – ‘vestiram a camisola’ de realizadores de cinema por um dia, atingindo um novo recorde mundial: a produção do primeiro filme que reúne imagens em vídeo captadas em todos os países do mundo, num único dia: 11 de Novembro de 2011.

Lançada em 2008, a iniciativa One Day on Earth mobiliza hoje uma rede de participantes em cada país que reúne uma comunidade socialmente activa, em torno de questões tão prementes e globais como as alterações climáticas a pobreza extrema ou a equidade de géneros. Cerca de sessenta organizações não lucrativas, a nível internacional, colaboram na criação deste movimento, incluindo as Nações Unidas, a Fundação Ford e a WWF (World Wildlife Fund).

Gabriela Costa

Jornalista