O Climes to Go traduziu-se numa competição entre três equipas de quatro pessoas que partiram de Cascais no dia 22 de outubro e chegaram a Glasgow no dia 31. Estes 12 aventureiros chegaram à COP 26 mais ricos, mais sábios, mais conscientes e orgulhosos por terem cumprido aquele que foi o maior desafio: falar com pessoas, muitas pessoas, os que acreditam e os que não acreditam, os que sabem e os que não sabem, os que querem fazer mais e os que nunca fizeram nada e aprender, mais e melhor, para que possam também passar mais e melhores mensagens
POR MARIA JOÃO RAMOS

Poderia começar este artigo com a frase “À data que escrevo estas modestas linhas, ainda não sabemos qual irá ser o resultado da COP26…”. Mas não estaria a dizer a verdade. O que se passa é que já sabemos antecipadamente que o que sairá da COP26 em Glasgow, não é suficiente, apesar dos avanços. Pode ser muito, e penso que todos nós gostaríamos que fosse, mas não é suficiente, porque muito do mal já está feito.

Mas ainda vamos a tempo? Sim, vamos. Efetivamente, é o nosso planeta e sim, é uma corrida. Uma corrida de estafetas. Mas teremos de ser muito mais rápidos, inteligentes, cuidadores, solidários e colaborativos se a queremos ganhar.

Há muito trabalho a fazer, muitas ferramentas que se podem utilizar. Juntar sustentabilidade e sensibilização é uma delas. Se me pedissem para associar o Climes to Go a um hashtag ficaria resumido a #climateaction. E é este o propósito desta iniciativa: agir e “arrastar” muito outros para a ação. Já não é sustentável passar o ónus para cima de outros, assistir de longe, apontar os dedos, como se nós próprios não fizéssemos parte da equação e da solução. Não sou eu que faço as minhas opções? Não sou eu que escolho o meio de transporte que utilizo para me deslocar? Não sou eu que defino quanto tempo devo estar no duche? Não sou eu que decido qual é a minha alimentação? Não sou eu que escolho separar o lixo na minha casa?

E, para além de todas as escolhas diárias que me cabem e me servem, não posso também eu ser uma influenciadora e demonstrar que todos temos um papel, e que esse papel é relevante? Que todos, mas todos, podemos e devemos fazer as melhores escolhas sem termos de ser ambientalistas radicais? Podemos apenas ser imperfeitos (ou perfeitos com defeitos) se tomarmos decisões informadas e fizermos a nossa parte. Mesmo que essa parte seja pequena. Bem sabemos que aquilo que parece ser um small step…

O Climes to Go é tudo isto. É sobre escolhas individuais e o bem coletivo. É sobre negociação, é sobre sensibilização, é sobre cooperação e é sobre “não deixar ninguém para trás”. E nasceu da enorme vontade de duas entidades (a Get2C e a Earth Watchers) agirem e fazerem a sua parte. A estas juntaram-se muitas outras (entre as quais a Câmara Municipal de Cascais, o Oney Bank, o Grupo Altri, a Fundação Calouste Gulbenkian, a Embaixada Britânica e o Fundo Ambiental), em parceria, numa verdadeira afirmação do ODS 17.

O nome está alicerçado na ideia de caminho a percorrer e no que podemos aprender nesse percurso, encontrando pessoas, respostas e enfrentando desafios. Juntámos a isto a urgência e emergência climática e uma moeda (a Clima), que embora fictícia monitoriza quatro vetores necessários à tomada de decisão de praticamente todas as nossas ações: tempo, dinheiro, CO2 e água.

O Climes to Go traduziu-se numa competição entre três equipas de quatro pessoas que partiram de Cascais no dia 22 de outubro e chegaram a Glasgow no dia 31. Viajaram fazendo as suas escolhas e encontrando a forma mais sustentável possível e com o maior impacto positivo nas comunidades.

As equipas “água”, “energia” e “produção e consumo sustentável” monitorizaram a sua pegada hídrica e carbónica, e responderam a vários desafios gerindo um orçamento em climas. Levaram muitas mensagens na mochila, todas relacionadas com a urgência da descarbonização, a demonstração da influência dos estilos de vida na nossa pegada de carbono e a responsabilidade dos nossos comportamentos no dia a dia. Negociaram climas pelo caminho, valorizaram objetos numa lógica de economia circular, voluntariaram-se em ações e participaram civicamente noutras, cooperaram nos resultados e visitaram muitas entidades que os receberam de “braços” abertos.

Os 12 aventureiros chegaram à COP 26 mais ricos, mais sábios, mais conscientes e orgulhosos por terem cumprido aquele que foi o maior desafio: falar com pessoas, muitas pessoas, os que acreditam e os que não acreditam, os que sabem e os que não sabem, os que querem fazer mais e os que nunca fizeram nada e aprender, mais e melhor, para que possam também passar mais e melhores mensagens.

(Resultados provisionais)

Fonte: www.climestogo.pt

No dia 2 de novembro tiveram a oportunidade de mostrar, em side event da União Europeia, a sua experiência e deixar uma mensagem inspiradora. Empreendedorismo, educação, arte, ativismo, advocacy, são formas de enfrentar este desafio que é maior do que qualquer um de nós. Todos temos uma palavra a dizer, mas também todos temos uma responsabilidade a assumir. Decisões, pessoas e tempo foram os três drivers desta viagem. Foram inspirados e inspiradores, sensibilizaram e ficaram sensibilizados por todos com quem se cruzaram e que lhes mostraram que a sustentabilidade não é só sobre ambiente, mas principalmente sobre pessoas. As nossas pessoas. É tempo para a resiliência, o compromisso e a CO(o)Peração. “It’s time to stand for something bigger than all of us”

O Climes to Go é uma competição. Mas salvar o planeta nem por isso. É simplesmente (como se o simplesmente fosse fácil e pouco) um imperativo. Se chegarmos à meta, todos ganhamos. É, por isso, fácil de entender que se não chegarmos lá, todos perdemos.

Maria João Ramos
(em representação do Climes to Go)
Glasgow, COP26, novembro 2021

Maria João Ramos

Consultora para o desenvolvimento sustentável